Agência de mineração cria divisão de minerais críticos e estratégicos, em evidência após tarifaço

A Agência Nacional de Mineração (ANM) anunciou nesta sexta-feira (1) a criação da Divisão de Minerais Críticos e Estratégicos como parte de seu regimento interno. A medida consta no Diário Oficial da União (DOU). Interesse dos EUA por minerais críticos brasileiros expõe desafio de explorar reservas Segundo a agência, a criação da divisão é resultado de um processo técnico e institucional que vem sendo desenvolvido há vários anos e não foi motivada pelo interesse dos Estados Unidos por minerais críticos e estratégicos brasileiros. "Trata-se de um passo planejado e estruturante no fortalecimento da atuação regulatória e de fomento da agência sobre esse segmento mineral, e não de uma resposta pontual ou direta a questões da geopolítica", disse à ANM. O trabalho da divisão se dará em diversas frentes, dentre as quais estão o acompanhamento de tendências globais e política públicas sobre o tema, elaboração de estudos e diagnósticos sobre a oferta, demanda e cadeia produtivas desses minerais. Além disso, estão previstas a produção e divulgação de informações qualificadas para orientar políticas públicas e decisões estratégicas. A chefia do setor ficará com um servidor de carreira da ANM. "O setor mineral brasileiro já atua de forma consistente na identificação, pesquisa e aproveitamento de minerais críticos e estratégicos, como lítio, terras raras, nióbio, cobre e grafita. A ANM vem acompanhando e apoiando esse movimento por meio da oferta de áreas para pesquisa e lavra, modernização normativa, apoio a políticas públicas e qualificação de dados geológicos e econômicos", disse à agência ao g1. Para o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), "a criação de uma divisão para tratar do assunto é positiva, por ser uma pauta importante hoje e se tratar de minérios fundamentais para a transição energética". Produção de terras-raras na China, país que lidera a produção desses minerais REUTERS Leia também: Minerais estratégicos são do povo brasileiro, e exploração tem que seguir a lei, diz presidente de instituto Doze estados apresentam potencial para presença de terras raras segundo Serviço Geológico do Brasil; veja lista Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos Outras áreas do governo federal também atuam sobre o tema. O Ministério de Minas e Energia (MME) está na fase final de elaboração de uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A ideia da pasta é criar um marco orientador para o setor, cujas diretrizes incluam: priorização do licenciamento federal para projetos estratégicos; fortalecimento do mapeamento geológico; articulação com estados e municípios; apoio financeiro à exploração e ao processamento; incentivo à pesquisa e inovação, qualificação da mão de obra; e desenvolvimento de infraestrutura. A política também mira atrair investimentos e parcerias internacionais. Segundo o MME, o Brasil vem se consolidando como um ator estratégico na produção de minerais essenciais à transição energética e à economia de baixo carbono. O país já é líder na produção de nióbio, responsável por quase 90% das reservas mundiais conhecidas desse mineral. Terras raras: o que são, onde estão e por que os EUA se importam com elas Soma-se a isso o fato de o Brasil ter a segunda maior reserva de terras raras, com 23% do total mundial, equivalente a 21 milhões de toneladas, atrás apenas da China. O país também avançou uma posição no ranking de lítio, agora na sexta colocação. Veja a tabela abaixo: Produção de minerais estratégicos no Brasil

Ago 2, 2025 - 05:00
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Agência de mineração cria divisão de minerais críticos e estratégicos, em evidência após tarifaço

A Agência Nacional de Mineração (ANM) anunciou nesta sexta-feira (1) a criação da Divisão de Minerais Críticos e Estratégicos como parte de seu regimento interno. A medida consta no Diário Oficial da União (DOU). Interesse dos EUA por minerais críticos brasileiros expõe desafio de explorar reservas Segundo a agência, a criação da divisão é resultado de um processo técnico e institucional que vem sendo desenvolvido há vários anos e não foi motivada pelo interesse dos Estados Unidos por minerais críticos e estratégicos brasileiros. "Trata-se de um passo planejado e estruturante no fortalecimento da atuação regulatória e de fomento da agência sobre esse segmento mineral, e não de uma resposta pontual ou direta a questões da geopolítica", disse à ANM. O trabalho da divisão se dará em diversas frentes, dentre as quais estão o acompanhamento de tendências globais e política públicas sobre o tema, elaboração de estudos e diagnósticos sobre a oferta, demanda e cadeia produtivas desses minerais. Além disso, estão previstas a produção e divulgação de informações qualificadas para orientar políticas públicas e decisões estratégicas. A chefia do setor ficará com um servidor de carreira da ANM. "O setor mineral brasileiro já atua de forma consistente na identificação, pesquisa e aproveitamento de minerais críticos e estratégicos, como lítio, terras raras, nióbio, cobre e grafita. A ANM vem acompanhando e apoiando esse movimento por meio da oferta de áreas para pesquisa e lavra, modernização normativa, apoio a políticas públicas e qualificação de dados geológicos e econômicos", disse à agência ao g1. Para o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), "a criação de uma divisão para tratar do assunto é positiva, por ser uma pauta importante hoje e se tratar de minérios fundamentais para a transição energética". Produção de terras-raras na China, país que lidera a produção desses minerais REUTERS Leia também: Minerais estratégicos são do povo brasileiro, e exploração tem que seguir a lei, diz presidente de instituto Doze estados apresentam potencial para presença de terras raras segundo Serviço Geológico do Brasil; veja lista Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos Outras áreas do governo federal também atuam sobre o tema. O Ministério de Minas e Energia (MME) está na fase final de elaboração de uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A ideia da pasta é criar um marco orientador para o setor, cujas diretrizes incluam: priorização do licenciamento federal para projetos estratégicos; fortalecimento do mapeamento geológico; articulação com estados e municípios; apoio financeiro à exploração e ao processamento; incentivo à pesquisa e inovação, qualificação da mão de obra; e desenvolvimento de infraestrutura. A política também mira atrair investimentos e parcerias internacionais. Segundo o MME, o Brasil vem se consolidando como um ator estratégico na produção de minerais essenciais à transição energética e à economia de baixo carbono. O país já é líder na produção de nióbio, responsável por quase 90% das reservas mundiais conhecidas desse mineral. Terras raras: o que são, onde estão e por que os EUA se importam com elas Soma-se a isso o fato de o Brasil ter a segunda maior reserva de terras raras, com 23% do total mundial, equivalente a 21 milhões de toneladas, atrás apenas da China. O país também avançou uma posição no ranking de lítio, agora na sexta colocação. Veja a tabela abaixo: Produção de minerais estratégicos no Brasil

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