Brasil discute limitar exportação de carne bovina à China por empresa para evitar competição desigual

Carne: o que as cotas da China e do México significam para o BR? O Ministério da Agricultura discute com outros órgãos do governo federal a criação de um sistema para controlar o volume de carne que frigoríficos brasileiros podem exportar à China. A informação foi publicada primeiro pelo jornal Folha de S.Paulo, e confirmada nesta quarta-feira (12) pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério, Luis Rua, em entrevista ao g1. A proposta de controlar as exportações passou a ser discutida após a China implementar, em dezembro de 2025, limites à importação de carne produzidas em alguns países, incluindo o Brasil — maior fornecedor para o mercado chinês. ➡️Para o Brasil, a China estabeleceu uma cota de 1,1 milhão de toneladas, que poderá ser importada pelos chineses a uma tarifa de 12%. O que exceder o volume terá uma sobretaxa de 55%, ou seja, uma tarifa total de 67%. O receio do Ministério da Agricultura é de que isso cause uma "corrida desenfreada" de exportações, uma competição desigual entre as empresas, com alguns frigoríficos exportando mais que outros, por exemplo. O Ministério sugeriu oficialmente a criação de um sistema de controle em um ofício encaminhado à secretaria-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex). O Comitê Executivo de Gestão (Gecex) discutiria o assunto nesta quinta, mas Rua afirmou ao g1 que o tema não entrou na pauta. O secretário disse ainda que o governo brasileiro pediu à China que redistribuísse as cotas remanescentes de outros países – ou seja, os volumes que não foram usados – entre aqueles que estourassem o limite. No entanto, ainda não houve resposta do governo chinês. "Esse tema ainda é inconclusivo", disse. "É difícil falar sobre isso agora. Talvez os chineses vão querer ver como funciona o sistema [de cotas]. Para eles, isso também é novo", afirmou. "Eles podem querer, antes, avaliar os impactos de mercado. Ver se esses outros players estão fazendo uso ou não da cota". "O que a gente se coloca, desde já, é à disposição dos chineses para que se, na eventualidade deles precisarem de volumes adicionais, o Brasil seguramente terá interesse em preencher esses volumes", concluiu. "A decisão final depende de análises jurídicas, normativas e até de sistemas de informática. Parece ser algo simples, mas, na verdade, possui muitas nuances e detalhes complexos". Saiba mais: China e México criam cotas para limitar importação de carne bovina: o que isso significa para o Brasil? De resto de açougue a iguaria valorizada, pé de galinha virou 'negócio da China' para o Brasil O que pode ser feito Segundo Rua, há várias formas de controlar o volume exportado por empresa. Uma das propostas do Ministério é fazer uma distribuição proporcional entre os exportadores privados de acordo com a performance recente das vendas para a China. "Essa é uma das alternativas que estão que está na mesa, que é baseada em práticas internacionais já consolidadas", afirma. A proposta prevê ainda um mecanismo de inclusão de novos e pequenos exportadores, por meio de uma reserva técnica específica para esse grupo. O controle das cotas seria feito via licenças de exportação, com travas automáticas para impedir embarques acima do volume permitido. Os destinos do pênis bovino: do prato afrodisíaco na China a petiscos para pets no Brasil Chapéu na roça não terá que ser trocado por capacete; veja o que diz a lei O café não vai dar trégua em 2026

Fev 12, 2026 - 18:00
 0  13
Brasil discute limitar exportação de carne bovina à China por empresa para evitar competição desigual

Carne: o que as cotas da China e do México significam para o BR? O Ministério da Agricultura discute com outros órgãos do governo federal a criação de um sistema para controlar o volume de carne que frigoríficos brasileiros podem exportar à China. A informação foi publicada primeiro pelo jornal Folha de S.Paulo, e confirmada nesta quarta-feira (12) pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério, Luis Rua, em entrevista ao g1. A proposta de controlar as exportações passou a ser discutida após a China implementar, em dezembro de 2025, limites à importação de carne produzidas em alguns países, incluindo o Brasil — maior fornecedor para o mercado chinês. ➡️Para o Brasil, a China estabeleceu uma cota de 1,1 milhão de toneladas, que poderá ser importada pelos chineses a uma tarifa de 12%. O que exceder o volume terá uma sobretaxa de 55%, ou seja, uma tarifa total de 67%. O receio do Ministério da Agricultura é de que isso cause uma "corrida desenfreada" de exportações, uma competição desigual entre as empresas, com alguns frigoríficos exportando mais que outros, por exemplo. O Ministério sugeriu oficialmente a criação de um sistema de controle em um ofício encaminhado à secretaria-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex). O Comitê Executivo de Gestão (Gecex) discutiria o assunto nesta quinta, mas Rua afirmou ao g1 que o tema não entrou na pauta. O secretário disse ainda que o governo brasileiro pediu à China que redistribuísse as cotas remanescentes de outros países – ou seja, os volumes que não foram usados – entre aqueles que estourassem o limite. No entanto, ainda não houve resposta do governo chinês. "Esse tema ainda é inconclusivo", disse. "É difícil falar sobre isso agora. Talvez os chineses vão querer ver como funciona o sistema [de cotas]. Para eles, isso também é novo", afirmou. "Eles podem querer, antes, avaliar os impactos de mercado. Ver se esses outros players estão fazendo uso ou não da cota". "O que a gente se coloca, desde já, é à disposição dos chineses para que se, na eventualidade deles precisarem de volumes adicionais, o Brasil seguramente terá interesse em preencher esses volumes", concluiu. "A decisão final depende de análises jurídicas, normativas e até de sistemas de informática. Parece ser algo simples, mas, na verdade, possui muitas nuances e detalhes complexos". Saiba mais: China e México criam cotas para limitar importação de carne bovina: o que isso significa para o Brasil? De resto de açougue a iguaria valorizada, pé de galinha virou 'negócio da China' para o Brasil O que pode ser feito Segundo Rua, há várias formas de controlar o volume exportado por empresa. Uma das propostas do Ministério é fazer uma distribuição proporcional entre os exportadores privados de acordo com a performance recente das vendas para a China. "Essa é uma das alternativas que estão que está na mesa, que é baseada em práticas internacionais já consolidadas", afirma. A proposta prevê ainda um mecanismo de inclusão de novos e pequenos exportadores, por meio de uma reserva técnica específica para esse grupo. O controle das cotas seria feito via licenças de exportação, com travas automáticas para impedir embarques acima do volume permitido. Os destinos do pênis bovino: do prato afrodisíaco na China a petiscos para pets no Brasil Chapéu na roça não terá que ser trocado por capacete; veja o que diz a lei O café não vai dar trégua em 2026

Qual é a sua reação?

like

dislike

love

funny

angry

sad

wow