Câmara dos Deputados aprova MP com novas regras para o setor elétrico

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (30) a medida provisória que altera regras do setor elétrico. O texto segue agora para o Senado, que deve votar ainda hoje. A MP precisa ser aprovada pelo Congresso até 7 de novembro para não perder validade. A proposta prevê, entre outros pontos, um teto para os gastos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e a abertura gradual do mercado de energia, permitindo que todos os consumidores — inclusive residenciais — possam escolher o fornecedor de eletricidade. Hoje, essa opção está disponível apenas para grandes empresas. Segundo o relator, senador Eduardo Braga (MDB-AM), o governo e líderes do Congresso fecharam acordo para retirar do texto um dispositivo sobre termoelétricas a gás, tema que será tratado na votação de um veto relacionado ao projeto das eólicas offshore. “Essa é uma matéria ainda pendente no Congresso Nacional”, afirmou Braga. “Tivemos de retirar para garantir a votação, já que há posição contrária do governo”, completou. Mudança nas regras do setor elétrico pode beneficiar mais de 60 milhões de brasileiros, calcula o governo O que muda Veja abaixo o que mudará com a MP em relação ao sistema que vigora atualmente: CDE – Conta de Desenvolvimento Energético Como é hoje: A CDE financia políticas públicas, como tarifa social, Luz para Todos e subsídios às renováveis. Os valores são pagos pelos consumidores via tarifa. Como fica: Haverá um teto de gastos a partir de 2027, com base no orçamento real de 2025. Se faltar dinheiro, será criado o Encargo de Complemento de Recursos (ECR) — pago apenas por quem se beneficia da CDE. Quem fica isento: Famílias de baixa renda Beneficiários do Luz para Todos e da CCC Custos administrativos da CDE, CCC e RGR Estados que não estavam conectados ao SIN até 2009 Abertura do mercado de energia Como é hoje: Só grandes consumidores podem escolher livremente seu fornecedor de energia. Como fica: Todos os consumidores poderão escolher, em fases: Indústrias e comércio: até 24 meses Consumidores residenciais: até 36 meses Será criado o Supridor de Última Instância (SUI), para garantir fornecimento emergencial em caso de falhas. Armazenamento de energia Como é hoje: Regra ainda incipiente e sem incentivos amplos. Como fica: Armazenamento entra no planejamento oficial do sistema elétrico Incentivos fiscais (PIS/Cofins/IPI) para baterias até 2026 Equipamentos poderão entrar no REIDI, com benefícios tributários Micro e minigeração (energia solar residencial) Como é hoje: Proposta inicial previa cobrança de R$ 20 a cada 100 kWh compensados. Como fica: A cobrança foi excluída pela Câmara (233 x 148). Ou seja, não haverá tarifa extra para quem instala painéis solares em casa no modelo de autoconsumo local. Comercialização de gás A MP autoriza a PPSA a comercializar diretamente o gás natural da União, para reduzir tarifas e estimular a indústria.

Out 30, 2025 - 16:00
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Câmara dos Deputados aprova MP com novas regras para o setor elétrico
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (30) a medida provisória que altera regras do setor elétrico. O texto segue agora para o Senado, que deve votar ainda hoje. A MP precisa ser aprovada pelo Congresso até 7 de novembro para não perder validade. A proposta prevê, entre outros pontos, um teto para os gastos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e a abertura gradual do mercado de energia, permitindo que todos os consumidores — inclusive residenciais — possam escolher o fornecedor de eletricidade. Hoje, essa opção está disponível apenas para grandes empresas. Segundo o relator, senador Eduardo Braga (MDB-AM), o governo e líderes do Congresso fecharam acordo para retirar do texto um dispositivo sobre termoelétricas a gás, tema que será tratado na votação de um veto relacionado ao projeto das eólicas offshore. “Essa é uma matéria ainda pendente no Congresso Nacional”, afirmou Braga. “Tivemos de retirar para garantir a votação, já que há posição contrária do governo”, completou. Mudança nas regras do setor elétrico pode beneficiar mais de 60 milhões de brasileiros, calcula o governo O que muda Veja abaixo o que mudará com a MP em relação ao sistema que vigora atualmente: CDE – Conta de Desenvolvimento Energético Como é hoje: A CDE financia políticas públicas, como tarifa social, Luz para Todos e subsídios às renováveis. Os valores são pagos pelos consumidores via tarifa. Como fica: Haverá um teto de gastos a partir de 2027, com base no orçamento real de 2025. Se faltar dinheiro, será criado o Encargo de Complemento de Recursos (ECR) — pago apenas por quem se beneficia da CDE. Quem fica isento: Famílias de baixa renda Beneficiários do Luz para Todos e da CCC Custos administrativos da CDE, CCC e RGR Estados que não estavam conectados ao SIN até 2009 Abertura do mercado de energia Como é hoje: Só grandes consumidores podem escolher livremente seu fornecedor de energia. Como fica: Todos os consumidores poderão escolher, em fases: Indústrias e comércio: até 24 meses Consumidores residenciais: até 36 meses Será criado o Supridor de Última Instância (SUI), para garantir fornecimento emergencial em caso de falhas. Armazenamento de energia Como é hoje: Regra ainda incipiente e sem incentivos amplos. Como fica: Armazenamento entra no planejamento oficial do sistema elétrico Incentivos fiscais (PIS/Cofins/IPI) para baterias até 2026 Equipamentos poderão entrar no REIDI, com benefícios tributários Micro e minigeração (energia solar residencial) Como é hoje: Proposta inicial previa cobrança de R$ 20 a cada 100 kWh compensados. Como fica: A cobrança foi excluída pela Câmara (233 x 148). Ou seja, não haverá tarifa extra para quem instala painéis solares em casa no modelo de autoconsumo local. Comercialização de gás A MP autoriza a PPSA a comercializar diretamente o gás natural da União, para reduzir tarifas e estimular a indústria.

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