China vai taxar em 55% importação de carne bovina que exceder cota anual; Brasil é maior fornecedor

Pacotes de rolinhos de costela bovina congelada importados dos Estados Unidos em supermercado em Pequim, na China Reuters//Tingshu Wang A China decidiu limitar a importação de carne bovina para proteger os produtores locais. O país anunciou nesta quarta-feira (31) a criação de cotas anuais para empresas comprarem o alimento de países estrangeiros, como o Brasil. Haverá ainda uma tarifa de 55% sobre as importações que excederem esses limites. ➡️As medidas começam a valer nesta quinta-feira, 1º de janeiro de 2026, e têm duração de três anos. Segundo o Ministério do Comércio da China, a cota total de importação para 2026 será de 2,7 milhões de toneladas. Esse limite vai aumentar ano a ano. É um número próximo ao recorde de 2,87 milhões de toneladas compradas pela China em 2024, mas abaixo do volume importado nos primeiros 11 meses de 2025 de alguns países, incluindo os principais fornecedores, como Brasil e Austrália. Na divisão por países, o Brasil terá a maior cota em 2026: 1,1 milhão de toneladas (veja tabela abaixo). É um volume um pouco abaixo do que o país vendeu para a China neste ano: até novembro, foram exportadas 1,52 milhão de toneladas. O governo minimizou o impacto das medidas chinesas. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse que a decisão, de um modo geral, "não é algo tão preocupante" porque o Brasil está exportando um montante próximo ao da cota. No entanto, afirmou que o governo vai buscar negociar com a China, pedindo, por exemplo, a transferência das cotas de outros países para o Brasil. Veja as cotas anuais por país (por mil toneladas) "O aumento na quantidade de carne bovina importada prejudicou seriamente a indústria nacional da China", afirmou o ministério ao anunciar a medida após uma investigação iniciada em dezembro de 2024. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, minimizou o anúncio. Fávaro disse que a decisão chinesa, de um modo geral, "não é algo tão preocupante". Isso porque, segundo o ministro, o Brasil trabalhou, nos últimos anos, pela ampliação dos mercados internacionais para o produto. O analista sênior da Beijing Orient Agribusiness Consultants, Hongzhi Xu, acredita que com essas medidas as importações chinesas de carne bovina diminuirão em 2026. "A pecuária bovina na China não é competitiva em comparação com países como o Brasil e a Argentina. Isso não pode ser revertido a curto prazo por meio de avanços tecnológicos ou reformas institucionais", disse Xu. Em 2024, a China importou 1,34 milhão de toneladas de carne bovina do Brasil, 594.567 toneladas da Argentina, 243.662 toneladas do Uruguai, 216.050 toneladas da Austrália, 150.514 toneladas da Nova Zelândia e 138.112 toneladas dos Estados Unidos. Nos primeiros 11 meses deste ano, o Brasil exportou 1,33 milhão de toneladas de carne bovina para a China, de acordo com dados da alfândega chinesa - acima dos limites de cota previstos nas novas medidas anunciadas por Pequim. Em 2025, as exportações australianas para a China cresceram de forma expressiva, ganhando participação de mercado em detrimento da carne bovina dos Estados Unidos. O movimento ocorreu após Pequim permitir, em março, o vencimento das licenças de centenas de frigoríficos americanos e em meio à escalada de uma guerra tarifária de retaliação iniciada pelo presidente Donald Trump. As exportações dos EUA somaram apenas 55.172 toneladas até novembro. No mesmo período, as exportações australianas de carne bovina para a China alcançaram 294.957 toneladas. A decisão da China ocorre em um momento de escassez global de carne bovina, que tem pressionado os preços em diversas regiões do mundo — inclusive a patamares recordes nos Estados Unidos. Em reação ao anúncio de Pequim, o presidente da Western Beef Association, na Austrália, Mark Thomas, afirmou: “Há muitos outros países dispostos a comprar nosso produto”. Proteção doméstica O anúncio foi feito após duas prorrogações da investigação chinesa sobre as importações de carne bovina, que, segundo autoridades, não teve como alvo nenhum país específico. De acordo com Zengyong Zhu, pesquisador do Instituto de Ciência Animal da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas, as tarifas devem ajudar a conter a redução do rebanho bovino no país e dar tempo para que as empresas nacionais do setor façam ajustes e promovam melhorias. Neste ano, Pequim intensificou o apoio político à cadeia da carne bovina e informou, no fim de novembro, que a atividade pecuária vinha registrando lucro por sete meses consecutivos. Veja os vídeos que estão em alta no g1

Dez 31, 2025 - 11:00
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China vai taxar em 55% importação de carne bovina que exceder cota anual; Brasil é maior fornecedor

Pacotes de rolinhos de costela bovina congelada importados dos Estados Unidos em supermercado em Pequim, na China Reuters//Tingshu Wang A China decidiu limitar a importação de carne bovina para proteger os produtores locais. O país anunciou nesta quarta-feira (31) a criação de cotas anuais para empresas comprarem o alimento de países estrangeiros, como o Brasil. Haverá ainda uma tarifa de 55% sobre as importações que excederem esses limites. ➡️As medidas começam a valer nesta quinta-feira, 1º de janeiro de 2026, e têm duração de três anos. Segundo o Ministério do Comércio da China, a cota total de importação para 2026 será de 2,7 milhões de toneladas. Esse limite vai aumentar ano a ano. É um número próximo ao recorde de 2,87 milhões de toneladas compradas pela China em 2024, mas abaixo do volume importado nos primeiros 11 meses de 2025 de alguns países, incluindo os principais fornecedores, como Brasil e Austrália. Na divisão por países, o Brasil terá a maior cota em 2026: 1,1 milhão de toneladas (veja tabela abaixo). É um volume um pouco abaixo do que o país vendeu para a China neste ano: até novembro, foram exportadas 1,52 milhão de toneladas. O governo minimizou o impacto das medidas chinesas. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse que a decisão, de um modo geral, "não é algo tão preocupante" porque o Brasil está exportando um montante próximo ao da cota. No entanto, afirmou que o governo vai buscar negociar com a China, pedindo, por exemplo, a transferência das cotas de outros países para o Brasil. Veja as cotas anuais por país (por mil toneladas) "O aumento na quantidade de carne bovina importada prejudicou seriamente a indústria nacional da China", afirmou o ministério ao anunciar a medida após uma investigação iniciada em dezembro de 2024. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, minimizou o anúncio. Fávaro disse que a decisão chinesa, de um modo geral, "não é algo tão preocupante". Isso porque, segundo o ministro, o Brasil trabalhou, nos últimos anos, pela ampliação dos mercados internacionais para o produto. O analista sênior da Beijing Orient Agribusiness Consultants, Hongzhi Xu, acredita que com essas medidas as importações chinesas de carne bovina diminuirão em 2026. "A pecuária bovina na China não é competitiva em comparação com países como o Brasil e a Argentina. Isso não pode ser revertido a curto prazo por meio de avanços tecnológicos ou reformas institucionais", disse Xu. Em 2024, a China importou 1,34 milhão de toneladas de carne bovina do Brasil, 594.567 toneladas da Argentina, 243.662 toneladas do Uruguai, 216.050 toneladas da Austrália, 150.514 toneladas da Nova Zelândia e 138.112 toneladas dos Estados Unidos. Nos primeiros 11 meses deste ano, o Brasil exportou 1,33 milhão de toneladas de carne bovina para a China, de acordo com dados da alfândega chinesa - acima dos limites de cota previstos nas novas medidas anunciadas por Pequim. Em 2025, as exportações australianas para a China cresceram de forma expressiva, ganhando participação de mercado em detrimento da carne bovina dos Estados Unidos. O movimento ocorreu após Pequim permitir, em março, o vencimento das licenças de centenas de frigoríficos americanos e em meio à escalada de uma guerra tarifária de retaliação iniciada pelo presidente Donald Trump. As exportações dos EUA somaram apenas 55.172 toneladas até novembro. No mesmo período, as exportações australianas de carne bovina para a China alcançaram 294.957 toneladas. A decisão da China ocorre em um momento de escassez global de carne bovina, que tem pressionado os preços em diversas regiões do mundo — inclusive a patamares recordes nos Estados Unidos. Em reação ao anúncio de Pequim, o presidente da Western Beef Association, na Austrália, Mark Thomas, afirmou: “Há muitos outros países dispostos a comprar nosso produto”. Proteção doméstica O anúncio foi feito após duas prorrogações da investigação chinesa sobre as importações de carne bovina, que, segundo autoridades, não teve como alvo nenhum país específico. De acordo com Zengyong Zhu, pesquisador do Instituto de Ciência Animal da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas, as tarifas devem ajudar a conter a redução do rebanho bovino no país e dar tempo para que as empresas nacionais do setor façam ajustes e promovam melhorias. Neste ano, Pequim intensificou o apoio político à cadeia da carne bovina e informou, no fim de novembro, que a atividade pecuária vinha registrando lucro por sete meses consecutivos. Veja os vídeos que estão em alta no g1

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