Correios devem manter 'elevado prejuízo' neste ano; governo vê estatais federais no vermelho até 2030

Os Correios podem continuar a ter um agravamento da situação econômico-financeira, seguindo tendência observada nos últimos dois anos, apesar do plano de restruturação em vigor. A informação está no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, encaminhado na semana passada pelo governo ao Congresso Nacional. "Entre as medidas do referido plano [de restruturação financeira], estão a redução de custos, com medidas de saneamento de seus planos de previdência complementar, reestruturação de planos de saúde, programas de demissão voluntária, alienação de imóveis ociosos e reajuste tarifário, dentre outras, mas a tendência é de que a empresa ainda apresente elevado prejuízo em 2026", diz o governo. No documento, o Executivo diz também que é provável que a empresa estatal tenha de receber aportes de capital da União até 2027, algo já admitido pela ministra da Gestão, Esther Dweck. O governo também projeta que as estatais federais seguirão no vermelho até 2030 (veja mais abaixo nessa reportagem). ???? Um aporte do governo nos Correios significa que o governo federal, por meio de transferência direta do Tesouro Nacional, vai repassar recursos para a empresa. Segundo a ministra informou em março, a medida está prevista no contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões firmado com um consórcio de bancos em dezembro de 2025. De acordo com ela, mesmo com um novo empréstimo, o aporte pode ajudar no processo de recuperação financeira da estatal. "Por isso é parte da equação também", explicou a ministra. Em fevereiro, o Conselho Monetário Nacional (CMN) deu mais espaço para os Correios conseguirem captar um novo empréstimo com garantias da União. Pela decisão, os Correios poderão conseguir mais R$ 8 bilhões em empréstimo. Rombo das estatais Puxado pela situação dos Correios, as estatais federais registraram, em todo ano passado, um déficit de R$ 5,13 bilhões, o segundo pior resultado da história. A situação continuou ruim no primeiro bimestre deste ano, quando o resultado negativo somou R$ 4,1 bilhões. ????Os números foram divulgados pelo Banco Central. O termo "déficit" significa que o gasto somado dessas estatais foi maior que a receita que elas conseguiram gerar no ano. A série do Banco Central não considera a Petrobras, a Eletrobras e nem as empresas do setor financeiro (bancos públicos). O BC lembra que a Petrobras e a Eletrobras foram excluídos do cálculo das estatais federais em 2009, mas explica que a série histórica de anos anteriores foi revisada com base na nova metodologia — sendo válida, portanto, de 2002 em diante. Entram nesse cálculo empresas como Correios, a Emgepron, a Hemobrás, a Casa da Moeda, a Infraero, o Serpro, a Dataprev e a Emgea. O conceito do Banco Central considera apenas a variação da dívida, conceito amplamente utilizado em análises fiscais internacionais, enquanto o governo se utiliza do conceito conhecido por "acima da linha" (receitas menos despesas, sem contar juros da dívida). O Tribunal de Contas da União (TCU) destacou nesta quarta-feira (22) que 95% do déficit das estatais não dependentes foi puxado por 4 empresas, dentre elas os Correios Para 2026, o governo estimou, no projeto de lei de diretrizes orçamentárias, um aumento do déficit das estatais para R$ 6,75 bilhões. Para 2027, a equipe econômica projetou que o rombo pode ser maior ainda: R$ 7,55 bilhões. Para 2028, 2029 e 2030, o déficit estimado para as estatais federais é de, respectivamente: R$ 6,1 bilhões; R$ 5,04 bilhões e de R$ 5,71 bilhões.

Abr 23, 2026 - 11:00
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Os Correios podem continuar a ter um agravamento da situação econômico-financeira, seguindo tendência observada nos últimos dois anos, apesar do plano de restruturação em vigor. A informação está no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, encaminhado na semana passada pelo governo ao Congresso Nacional. "Entre as medidas do referido plano [de restruturação financeira], estão a redução de custos, com medidas de saneamento de seus planos de previdência complementar, reestruturação de planos de saúde, programas de demissão voluntária, alienação de imóveis ociosos e reajuste tarifário, dentre outras, mas a tendência é de que a empresa ainda apresente elevado prejuízo em 2026", diz o governo. No documento, o Executivo diz também que é provável que a empresa estatal tenha de receber aportes de capital da União até 2027, algo já admitido pela ministra da Gestão, Esther Dweck. O governo também projeta que as estatais federais seguirão no vermelho até 2030 (veja mais abaixo nessa reportagem). ???? Um aporte do governo nos Correios significa que o governo federal, por meio de transferência direta do Tesouro Nacional, vai repassar recursos para a empresa. Segundo a ministra informou em março, a medida está prevista no contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões firmado com um consórcio de bancos em dezembro de 2025. De acordo com ela, mesmo com um novo empréstimo, o aporte pode ajudar no processo de recuperação financeira da estatal. "Por isso é parte da equação também", explicou a ministra. Em fevereiro, o Conselho Monetário Nacional (CMN) deu mais espaço para os Correios conseguirem captar um novo empréstimo com garantias da União. Pela decisão, os Correios poderão conseguir mais R$ 8 bilhões em empréstimo. Rombo das estatais Puxado pela situação dos Correios, as estatais federais registraram, em todo ano passado, um déficit de R$ 5,13 bilhões, o segundo pior resultado da história. A situação continuou ruim no primeiro bimestre deste ano, quando o resultado negativo somou R$ 4,1 bilhões. ????Os números foram divulgados pelo Banco Central. O termo "déficit" significa que o gasto somado dessas estatais foi maior que a receita que elas conseguiram gerar no ano. A série do Banco Central não considera a Petrobras, a Eletrobras e nem as empresas do setor financeiro (bancos públicos). O BC lembra que a Petrobras e a Eletrobras foram excluídos do cálculo das estatais federais em 2009, mas explica que a série histórica de anos anteriores foi revisada com base na nova metodologia — sendo válida, portanto, de 2002 em diante. Entram nesse cálculo empresas como Correios, a Emgepron, a Hemobrás, a Casa da Moeda, a Infraero, o Serpro, a Dataprev e a Emgea. O conceito do Banco Central considera apenas a variação da dívida, conceito amplamente utilizado em análises fiscais internacionais, enquanto o governo se utiliza do conceito conhecido por "acima da linha" (receitas menos despesas, sem contar juros da dívida). O Tribunal de Contas da União (TCU) destacou nesta quarta-feira (22) que 95% do déficit das estatais não dependentes foi puxado por 4 empresas, dentre elas os Correios Para 2026, o governo estimou, no projeto de lei de diretrizes orçamentárias, um aumento do déficit das estatais para R$ 6,75 bilhões. Para 2027, a equipe econômica projetou que o rombo pode ser maior ainda: R$ 7,55 bilhões. Para 2028, 2029 e 2030, o déficit estimado para as estatais federais é de, respectivamente: R$ 6,1 bilhões; R$ 5,04 bilhões e de R$ 5,71 bilhões.

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