Dólar abre em queda acompanhando impasse Brasil-EUA e na expectativa pela ata do Fed
Ações dos bancos derretem após decisão do ministro Flávio Dino que proibiu as instituições de acatar ordens estrangeiras O dólar iniciou a quarta-feira (20) em queda de 0,41%, cotado a R$ 5,4769 por volta das 9h40. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h. ????Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ Os investidores brasileiros continuam reagindo à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que pode influenciar a aplicação da Lei Magnitsky no país. No pregão de ontem, o dólar avançou 1,19%, enquanto o Ibovespa recuou 2,1%, influenciado pela queda das ações dos bancos, que perderam R$ 41,9 bilhões em valor de mercado. Segundo Gabriel Filassi, especialista em investimentos e sócio da AVG Capital, o clima de tensão causado pelo embate político entre o governo dos EUA e o STF pode continuar movimentando o mercado financeiro nos próximos dias. “Pelo menos até sexta-feira, o mercado deve agir com mais cautela, até que se tenha acesso às informações atualizadas para assim tomar melhores decisões.” ▶️ No cenário doméstico, o Banco Central (BC) divulga às 14h30 o fluxo cambial semanal, que mostra a entrada e saída de dólares no país. ▶️ Nos EUA, os investidores esperam pela divulgação da ata do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, sobre a última reunião de política monetária. O mercado busca sinais sobre os próximos passos do Fed, que podem reforçar ou frustrar as expectativas de corte de juros na reunião de setembro. ▶️ Ainda sobre os juros nos EUA, começa nesta quarta-feira o Simpósio de Jackson Hole, evento que reúne banqueiros centrais de diversos países. Na sexta-feira, está previsto o discurso de Jerome Powell, presidente do Fed. Veja a seguir como esses fatores influenciam o mercado. Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair ????Dólar a Acumulado da semana:+1,87%; Acumulado do mês: -1,81%; Acumulado do ano: -11,01%. ????Ibovespa Acumulado da semana: -1,40%; Acumulado do mês: +1,02%; Acumulado do ano: +11,76%. Decisão de Dino Na segunda-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, decidiu que leis e determinações de outros países não têm validade automática no Brasil, por uma questão de soberania nacional. Na esteira desse processo, também proibiu instituições financeiras brasileiras de atender ordens de tribunais estrangeiros sem autorização expressa do STF. Embora não cite diretamente a Lei Magnitsky — sanção dos EUA aplicada contra o ministro Alexandre de Moraes em julho —, essa parcela da decisão de Dino foi interpretada como uma resposta a ela, e levantou dúvidas sobre os impactos para bancos e empresas que operam no Brasil e no exterior. Dados compilados por Einar Rivero, da Elos Ayta Consultoria, mostram que as cinco instituições, somadas, perderam R$ 41,98 bilhões em valor de mercado nesta terça — montante próximo ao valor da Caixa Seguradora, atualmente avaliada em R$ 40,74 bilhões. Com a percepção de maior risco, o dólar subiu e as ações dos principais bancos brasileiros recuaram em conjunto, pressionando o Ibovespa. Confira as quedas no pregão de ontem: Banco do Brasil (BBAS3): -5,79% Bradesco (BBDC4): -3,79%; BTG (BPAC11): -4,04% Itaú (ITUB4): -3,97% Santander (SANB11): -4,88% Em meio à aversão ao risco dos investidores, às 14h30 desta quarta-feira, o BC vai divulgar os dados semanais do fluxo cambial. Esses números, no entanto, não devem ainda refletir ao desempenho do câmbio diante do atual impasse entre o STF e os EUA, visto que ele vai demonstrar a entrada e saída de dólares do país até o dia 15 de agosto. Ata do Fed A decisão do Fed de manter os juros no mês passado gerou divergências internas, com dois membros defendendo um corte para proteger o mercado de trabalho. A ata da reunião, que será divulgada hoje, pode revelar se essas preocupações estão ganhando apoio dentro do banco central. Dados divulgados logo após o encontro reforçaram os alertas desses membros, ao mostrar uma criação de empregos abaixo do esperado, aumento do desemprego e queda na participação da força de trabalho — além de uma revisão que eliminou mais de 250 mil vagas antes contabilizadas. No entanto, os dados desde então têm fornecido munição para o grupo mais preocupado com o risco de que o agressivo regime tarifário de Trump reacenda a inflação. Antes da divulgação da ata, a ferramenta FedWatch da CME atribui uma probabilidade de 85% de uma redução de um 25 pontos base na taxa de juros do Fed, atualmente na faixa de 4,25% a 4,50% desde dezembro. Bolsas globais Ontem, os mercados de Wall Street encerraram a sessão em queda, enquanto investidores se preparam para o que Powell, presidente do Fed, dirá sobre a trajetória dos juros norte-americanos no simpósio em Jackson Hole. Já na Europa, os mercados fecharam em seu nível mais alto em mais de cinco meses nesta terça-feira, com investidores avaliando as chances de um fim da guerra na Ucrânia, após as negociações de segunda-feira em Washington entre l

Ações dos bancos derretem após decisão do ministro Flávio Dino que proibiu as instituições de acatar ordens estrangeiras O dólar iniciou a quarta-feira (20) em queda de 0,41%, cotado a R$ 5,4769 por volta das 9h40. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h. ????Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ Os investidores brasileiros continuam reagindo à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que pode influenciar a aplicação da Lei Magnitsky no país. No pregão de ontem, o dólar avançou 1,19%, enquanto o Ibovespa recuou 2,1%, influenciado pela queda das ações dos bancos, que perderam R$ 41,9 bilhões em valor de mercado. Segundo Gabriel Filassi, especialista em investimentos e sócio da AVG Capital, o clima de tensão causado pelo embate político entre o governo dos EUA e o STF pode continuar movimentando o mercado financeiro nos próximos dias. “Pelo menos até sexta-feira, o mercado deve agir com mais cautela, até que se tenha acesso às informações atualizadas para assim tomar melhores decisões.” ▶️ No cenário doméstico, o Banco Central (BC) divulga às 14h30 o fluxo cambial semanal, que mostra a entrada e saída de dólares no país. ▶️ Nos EUA, os investidores esperam pela divulgação da ata do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, sobre a última reunião de política monetária. O mercado busca sinais sobre os próximos passos do Fed, que podem reforçar ou frustrar as expectativas de corte de juros na reunião de setembro. ▶️ Ainda sobre os juros nos EUA, começa nesta quarta-feira o Simpósio de Jackson Hole, evento que reúne banqueiros centrais de diversos países. Na sexta-feira, está previsto o discurso de Jerome Powell, presidente do Fed. Veja a seguir como esses fatores influenciam o mercado. Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair ????Dólar a Acumulado da semana:+1,87%; Acumulado do mês: -1,81%; Acumulado do ano: -11,01%. ????Ibovespa Acumulado da semana: -1,40%; Acumulado do mês: +1,02%; Acumulado do ano: +11,76%. Decisão de Dino Na segunda-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, decidiu que leis e determinações de outros países não têm validade automática no Brasil, por uma questão de soberania nacional. Na esteira desse processo, também proibiu instituições financeiras brasileiras de atender ordens de tribunais estrangeiros sem autorização expressa do STF. Embora não cite diretamente a Lei Magnitsky — sanção dos EUA aplicada contra o ministro Alexandre de Moraes em julho —, essa parcela da decisão de Dino foi interpretada como uma resposta a ela, e levantou dúvidas sobre os impactos para bancos e empresas que operam no Brasil e no exterior. Dados compilados por Einar Rivero, da Elos Ayta Consultoria, mostram que as cinco instituições, somadas, perderam R$ 41,98 bilhões em valor de mercado nesta terça — montante próximo ao valor da Caixa Seguradora, atualmente avaliada em R$ 40,74 bilhões. Com a percepção de maior risco, o dólar subiu e as ações dos principais bancos brasileiros recuaram em conjunto, pressionando o Ibovespa. Confira as quedas no pregão de ontem: Banco do Brasil (BBAS3): -5,79% Bradesco (BBDC4): -3,79%; BTG (BPAC11): -4,04% Itaú (ITUB4): -3,97% Santander (SANB11): -4,88% Em meio à aversão ao risco dos investidores, às 14h30 desta quarta-feira, o BC vai divulgar os dados semanais do fluxo cambial. Esses números, no entanto, não devem ainda refletir ao desempenho do câmbio diante do atual impasse entre o STF e os EUA, visto que ele vai demonstrar a entrada e saída de dólares do país até o dia 15 de agosto. Ata do Fed A decisão do Fed de manter os juros no mês passado gerou divergências internas, com dois membros defendendo um corte para proteger o mercado de trabalho. A ata da reunião, que será divulgada hoje, pode revelar se essas preocupações estão ganhando apoio dentro do banco central. Dados divulgados logo após o encontro reforçaram os alertas desses membros, ao mostrar uma criação de empregos abaixo do esperado, aumento do desemprego e queda na participação da força de trabalho — além de uma revisão que eliminou mais de 250 mil vagas antes contabilizadas. No entanto, os dados desde então têm fornecido munição para o grupo mais preocupado com o risco de que o agressivo regime tarifário de Trump reacenda a inflação. Antes da divulgação da ata, a ferramenta FedWatch da CME atribui uma probabilidade de 85% de uma redução de um 25 pontos base na taxa de juros do Fed, atualmente na faixa de 4,25% a 4,50% desde dezembro. Bolsas globais Ontem, os mercados de Wall Street encerraram a sessão em queda, enquanto investidores se preparam para o que Powell, presidente do Fed, dirá sobre a trajetória dos juros norte-americanos no simpósio em Jackson Hole. Já na Europa, os mercados fecharam em seu nível mais alto em mais de cinco meses nesta terça-feira, com investidores avaliando as chances de um fim da guerra na Ucrânia, após as negociações de segunda-feira em Washington entre líderes dos Estados Unidos, Ucrânia e Europa. O índice pan-europeu STOXX 600 fechou em alta de 0,69%, a 557,81 pontos. Em Londres, o índice Financial Times avançou 0,34%, a 9.189,22 pontos; em Frankfurt, o índice DAX subiu 0,45%, a 24.423,07 pontos; e em Paris, o índice CAC-40 ganhou 1,21%, a 7.979,08 pontos. Na Ásia, as ações da China subiram para o nível mais alto desde 2015, impulsionadas pela migração de fundos para o mercado acionário, em meio à redução das tensões comerciais e à atuação de Pequim contra a concorrência excessiva O índice de Xangai avançou 1,04%, encerrando o dia em 3.766 pontos, enquanto o CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, teve alta de 1,14%, a 4.271 pontos. O índice Hang Seng, referência de Hong Kong, subiu 0,17%, a 25.165 pontos. Em Tóquio, o índice Nikkei recuou 1,51%, a 42.888 pontos. Em Seul, o Kospi caiu 0,68%, a 3.130 pontos, e em Taiwan, o Taiex teve baixa de 2,99%, a 23.625 pontos. Já em Cingapura, o Straits Times valorizou-se 0,08%, a 4.219 pontos, e em Sydney, o S&P/ASX 200 avançou 0,25%, a 8.918 pontos. Cotação do dólar mostra menor confiança na economia brasileira devido a gastos e dívidas do governo Jornal Nacional/ Reprodução *Com informações da agência de notícias Reuters
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