Dólar cai e fecha a R$ 5,52, com foco em acordos comerciais de Trump; Ibovespa sobe

PIB do Brasil pode perder até R$ 175 bilhões com tarifa de 50% de Trump, diz estudo O dólar fechou em queda de 0,80% nesta quarta-feira (23), cotado a R$ 5,5223. O Ibovespa, principal índice da bolsa, teve alta de 0,99%, aos 135.368 pontos. O mercado ficou mais otimista com a postura de Donald Trump após o acordo dos EUA com o Japão e a sinalização de um acerto com a União Europeia. A expectativa é que novos acordos sejam anunciados, reduzindo a aversão dos investidores aos ativos de risco. ????Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ Sem sinais de progresso nas negociações entre Brasil e EUA, o Itamaraty condenou nesta quarta, em discurso na Organização Mundial do Comércio (OMC), as tarifas "arbitrárias" e "caóticas" anunciadas por Trump sobre produtos brasileiros, previstas para vigorar a partir de 1º agosto. Em desabafo a interlocutores, o presidente Lula (PT) disse não haver nenhum canal de negociação direta com Trump, informou o blog do Valdo Cruz. O presidente brasileiro também declarou que, institucionalmente, há conversas no nível diplomático, mas que não chegam até a Casa Branca. ▶️ O mercado também repercutiu os acordos anunciados por Trump com outros países. Foram três até agora. O novo acerto com o Japão, classificado por Trump como "o maior da história", prevê uma tarifa de 15% sobre itens japoneses e a abertura dos mercados do país asiático aos EUA. O anúncio deu fôlego às bolsas asiáticas, que fecharam em alta nesta quarta. O destaque ficou com o Nikkei, principal índice do Japão, que encerrou com um avanço de 3,5% e atingiu o maior patamar desde julho de 2024. O indicador foi impulsionado, principalmente, por ações do setor automotivo, que também deverá ter taxas reduzidas a 15%. Os destaques foram os papéis da Toyota, que dispararam mais de 14% por lá. Na véspera, Trump também firmou um acordo com as Filipinas, que prevê uma tarifa de importação reduzida, de 10%. Segundo o anúncio, os itens americanos não serão taxados. ▶️ No cenário interno, atenções ainda voltadas às contas públicas, após a liberação de R$ 20,6 bilhões no orçamento de 2025 pelos Ministérios da Fazenda e do Planejamento, na véspera. O governo decidiu liberar os recursos congelados desde maio após recalcular as receitas e despesas para este ano. Para 2025, o governo projetou um rombo de R$ 74,9 bilhões nas contas. Ainda assim, e considerando o abatimento de precatórios (R$ 48,6 bilhões) e o intervalo de tolerância do arcabouço fiscal (R$ 31 bilhões), o governo estima que a meta fiscal deste ano será atingida. Veja abaixo como esses fatores impactam o mercado. Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair ????Dólar a Acumulado da semana: -1,17%; Acumulado do mês: +1,63%; Acumulado do ano: -10,64%. ????Ibovespa Acumulado da semana: +1,49%; Acumulado do mês: -2,51%; Acumulado do ano: +12,54%. Negociações do tarifaço Mesmo com a aproximação do prazo final de 1º de agosto, poucos países conseguiram firmar acordos comerciais com os EUA. Na terça-feira, Trump anunciou tratados dos EUA com o Japão e com as Filipinas, mas vários outros países ainda seguem em negociação. No caso do Japão, Trump classificou o acordo como "gigantesco", afirmando que será muito positivo para ambos os países. O acordo estabelece que o Japão abra seus mercados para os EUA e pague uma tarifa de 15% sobre os produtos exportados aos norte-americanos. Já com as Filipinas, o novo acordo estabelece uma taxa de 19% — uma redução ante os 20% anunciados por Trump anteriormente —, enquanto os EUA não pagarão tarifas. "Além disso, trabalharemos juntos no âmbito militar. Foi uma grande honra estar com o Presidente. Ele é altamente respeitado em seu país, como deveria ser. Ele também é um negociador muito bom e rigoroso", disse Trump em publicação no Truth Social. O avanço das negociações dos EUA com outros países também joga luz para a situação brasileira, que ainda não apresentou grande progresso. Nesse cenário, investidores continuam na expectativa por novos sinais sobre como o governo deve lidar com os norte-americanos — seja com uma negociação ou com uma retaliação. Noticiário econômico e corporativo O noticiário econômico e corporativo também fica na mira dos investidores. Nesta quarta-feira, as atenções ficam voltadas para os balanços corporativos da Alphabet e da Tesla. Entre os indicadores, as vendas de moradias usadas nos EUA caíram 2,7% em junho, mais do que o esperado, sugerindo que as perdas no mercado imobiliário podem estar se aprofundando, já que as taxas hipotecárias mais altas e a incerteza econômica mantêm os compradores em potencial afastados. Fed ainda é assunto Os embates entre o governo Trump e o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Jerome Powell, também continuam a mexer com os mercados. Nesta quarta-feira, o republicano voltou a criticar Powell, em meio ao seu contínuo apelo por juros mais baixos no país. "Nossos juros deveriam estar três pontos mais baixos do que estão, econo

Jul 23, 2025 - 19:00
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Dólar cai e fecha a R$ 5,52, com foco em acordos comerciais de Trump; Ibovespa sobe

PIB do Brasil pode perder até R$ 175 bilhões com tarifa de 50% de Trump, diz estudo O dólar fechou em queda de 0,80% nesta quarta-feira (23), cotado a R$ 5,5223. O Ibovespa, principal índice da bolsa, teve alta de 0,99%, aos 135.368 pontos. O mercado ficou mais otimista com a postura de Donald Trump após o acordo dos EUA com o Japão e a sinalização de um acerto com a União Europeia. A expectativa é que novos acordos sejam anunciados, reduzindo a aversão dos investidores aos ativos de risco. ????Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ Sem sinais de progresso nas negociações entre Brasil e EUA, o Itamaraty condenou nesta quarta, em discurso na Organização Mundial do Comércio (OMC), as tarifas "arbitrárias" e "caóticas" anunciadas por Trump sobre produtos brasileiros, previstas para vigorar a partir de 1º agosto. Em desabafo a interlocutores, o presidente Lula (PT) disse não haver nenhum canal de negociação direta com Trump, informou o blog do Valdo Cruz. O presidente brasileiro também declarou que, institucionalmente, há conversas no nível diplomático, mas que não chegam até a Casa Branca. ▶️ O mercado também repercutiu os acordos anunciados por Trump com outros países. Foram três até agora. O novo acerto com o Japão, classificado por Trump como "o maior da história", prevê uma tarifa de 15% sobre itens japoneses e a abertura dos mercados do país asiático aos EUA. O anúncio deu fôlego às bolsas asiáticas, que fecharam em alta nesta quarta. O destaque ficou com o Nikkei, principal índice do Japão, que encerrou com um avanço de 3,5% e atingiu o maior patamar desde julho de 2024. O indicador foi impulsionado, principalmente, por ações do setor automotivo, que também deverá ter taxas reduzidas a 15%. Os destaques foram os papéis da Toyota, que dispararam mais de 14% por lá. Na véspera, Trump também firmou um acordo com as Filipinas, que prevê uma tarifa de importação reduzida, de 10%. Segundo o anúncio, os itens americanos não serão taxados. ▶️ No cenário interno, atenções ainda voltadas às contas públicas, após a liberação de R$ 20,6 bilhões no orçamento de 2025 pelos Ministérios da Fazenda e do Planejamento, na véspera. O governo decidiu liberar os recursos congelados desde maio após recalcular as receitas e despesas para este ano. Para 2025, o governo projetou um rombo de R$ 74,9 bilhões nas contas. Ainda assim, e considerando o abatimento de precatórios (R$ 48,6 bilhões) e o intervalo de tolerância do arcabouço fiscal (R$ 31 bilhões), o governo estima que a meta fiscal deste ano será atingida. Veja abaixo como esses fatores impactam o mercado. Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair ????Dólar a Acumulado da semana: -1,17%; Acumulado do mês: +1,63%; Acumulado do ano: -10,64%. ????Ibovespa Acumulado da semana: +1,49%; Acumulado do mês: -2,51%; Acumulado do ano: +12,54%. Negociações do tarifaço Mesmo com a aproximação do prazo final de 1º de agosto, poucos países conseguiram firmar acordos comerciais com os EUA. Na terça-feira, Trump anunciou tratados dos EUA com o Japão e com as Filipinas, mas vários outros países ainda seguem em negociação. No caso do Japão, Trump classificou o acordo como "gigantesco", afirmando que será muito positivo para ambos os países. O acordo estabelece que o Japão abra seus mercados para os EUA e pague uma tarifa de 15% sobre os produtos exportados aos norte-americanos. Já com as Filipinas, o novo acordo estabelece uma taxa de 19% — uma redução ante os 20% anunciados por Trump anteriormente —, enquanto os EUA não pagarão tarifas. "Além disso, trabalharemos juntos no âmbito militar. Foi uma grande honra estar com o Presidente. Ele é altamente respeitado em seu país, como deveria ser. Ele também é um negociador muito bom e rigoroso", disse Trump em publicação no Truth Social. O avanço das negociações dos EUA com outros países também joga luz para a situação brasileira, que ainda não apresentou grande progresso. Nesse cenário, investidores continuam na expectativa por novos sinais sobre como o governo deve lidar com os norte-americanos — seja com uma negociação ou com uma retaliação. Noticiário econômico e corporativo O noticiário econômico e corporativo também fica na mira dos investidores. Nesta quarta-feira, as atenções ficam voltadas para os balanços corporativos da Alphabet e da Tesla. Entre os indicadores, as vendas de moradias usadas nos EUA caíram 2,7% em junho, mais do que o esperado, sugerindo que as perdas no mercado imobiliário podem estar se aprofundando, já que as taxas hipotecárias mais altas e a incerteza econômica mantêm os compradores em potencial afastados. Fed ainda é assunto Os embates entre o governo Trump e o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Jerome Powell, também continuam a mexer com os mercados. Nesta quarta-feira, o republicano voltou a criticar Powell, em meio ao seu contínuo apelo por juros mais baixos no país. "Nossos juros deveriam estar três pontos mais baixos do que estão, economizando US$ 1 trilhão por ano (como país). Esse cara teimoso do Fed simplesmente não entende — nunca entendeu e nunca entenderá. A diretoria deveria agir, mas não tem coragem de fazer isso!", escreveu Trump em suas redes sociais. Já o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou nesta quarta-feira que o governo Trump não está com pressa para nomear um novo presidente para o Fed, para substituir Powell. "Estamos iniciando o processo. Obviamente, a decisão será do presidente Trump, e não estamos com pressa", afirmou em entrevista à "Bloomberg TV". O mandato de Powell termina em maio de 2026, embora ele deva permanecer como diretor do Fed até janeiro de 2028. Descongelou Os Ministérios da Fazenda e do Planejamento anunciaram nesta terça-feira (22) a liberação de R$ 20,6 bilhões no Orçamento de 2025. Para definir a necessidade de bloqueio ou liberação de recursos, o governo atualizou as estimativas de receitas e despesas previstas para este ano. A análise considerou ajustes no aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), parcialmente confirmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), além de diversas medidas — muitas delas implementadas por meio de medida provisória (MP) — como: Aumento da alíquota sobre apostas (bets); Tributação de fintechs (empresas de tecnologia em serviços financeiros); Limitação das compensações tributárias; Programa Pé-de-Meia no piso de investimentos em educação; Receita adicional de R$ 17,9 bilhões com a exploração de recursos naturais, como o pré-sal. Com a liberação anunciada, o bloqueio total no orçamento, que era de R$ 31,3 bilhões até maio, caiu para R$ 10,7 bilhões. ▶️ Para 2025, o governo projeta um déficit de R$ 74,9 bilhões nas contas públicas. No entanto, ao considerar o abatimento de precatórios (R$ 48,6 bilhões) e a margem de tolerância prevista no arcabouço fiscal (R$ 31 bilhões), a expectativa é de que a meta fiscal seja cumprida. ???? O detalhamento oficial sobre quais ministérios e políticas públicas serão beneficiados com a liberação de recursos será divulgado até o fim deste mês. Notas de dólar. Luisa Gonzalez/ Reuters *Com informações da agência de notícias Reuters.

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