Dólar opera em alta, após prévia do PIB do Brasil e com rebaixamento da nota de crédito dos EUA; Ibovespa cai

Na sexta-feira, a moeda norte-americana caiu 0,19%, cotada a R$ 5,6685. O principal índice de ações da bolsa brasileira recuou 0,11%, aos 139.187 pontos. Cédulas de dólar bearfotos/Freepik O dólar opera em alta nesta segunda-feira (19), a R$ 5,68, após a divulgação do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) de março, considerado a "prévia" do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, pelo Banco Central. O índice registrou crescimento de 1,3% no primeiro trimestre deste ano, demonstrando uma aceleração da economia brasileira, puxada principalmente pela expansão da agropecuária. O avanço de 0,8% em março veio acima das expectativas do mercado, que projetava uma alta de 0,5% para o indicador. Para o economista Rafael Perez, da Suno Research, o resultado mostra que, "apesar de alguns sinais de desaceleração da economia brasileira, em especial no setor de serviços, a atividade econômica ainda mostra resiliência, apoiada em um mercado de trabalho sólido e no elevado consumo das famílias, o que vêm mitigando os efeitos defasados da política monetária contracionista". O mercado financeiro também reage à notícia do rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos pela agência de classificação de risco Moody's, no fim da semana passada. A nota da maior economia do mundo desceu em um degrau, de "AAA" para "AA1" e teve a perspectiva alterada de "negativa" para "estável" (saiba mais). Como justificativa para o rebaixamento, a agência citou o aumento da dívida dos EUA e os juros a níveis "significativamente mais altos do que os de [países] soberanos com classificação semelhante". "As sucessivas administrações e o Congresso dos EUA falharam em chegar a um acordo sobre medidas para reverter a tendência de grandes déficits fiscais anuais e custos crescentes de juros", disse a Moody's em um comunicado. A notícia encerrou uma semana de otimismo nos mercados após a trégua tarifária entre China e EUA, que aliviou os temores de uma recessão global. Na sexta-feira, o Ibovespa, principal índice de ações da bolsa de valores brasileira (B3), fechou em baixa, puxado por uma queda significativa das ações do Banco do Brasil, mas ainda acima dos 139 mil pontos. No dia anterior, bateu um recorde histórico de pontuação. O dólar fechou em queda, a R$ 5,66. Veja abaixo o resumo dos mercados. Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair ????Dólar Às 10h18, o dólar operava em alta de 0,29%, cotado a R$ 5,6847. Veja mais cotações. Na sexta-feira, a moeda americana fechou em queda de 0,19%, cotada a R$ 5,6685. Com o resultado, acumulou: alta de 0,24% na semana; queda de 0,15% no mês; e perda de 8,27% no ano. a ????Ibovespa No mesmo horário, o Ibovespa caía 0,24%, aos 138.853 pontos. Na sexta-feira, o índice fechou em baixa de 0,11%, aos 139.187 pontos. Com o resultado, o índice acumulou: alta de 1,96% na semana; avanço de 3,05% no mês; e ganho de 15,72% no ano. O que está mexendo com os mercados? No Brasil, os investidores repercutem a expansão de 1,3% do IBC-Br no primeiro trimestre de 2025, que demonstra a resiliência da atividade econômica brasileira apesar do esforço do Banco Central em desacelerar o crescimento. O BC tem dito que busca uma desaceleração (ritmo menor de crescimento) para a economia como forma de tentar conter as pressões inflacionárias, e atingir as metas de inflação. Por isso, tem aumentado consecutivamente a taxa básica de juros. ???? A lógica é que juros mais altos desestimulam o consumo, pois fica mais caro fazer empréstimos ou compras a prazo. Ao reduzir o consumo, a demanda por produtos diminui, o que ajuda a controlar a inflação, que ocorre quando a oferta não acompanha a demanda. Apesar do resultado positivo da prévia do PIB divulgada nesta segunda-feira, o mercado financeiro e o Banco Central ainda projetam um ritmo mais lento para a economia neste ano. O mercado estima um crescimento de 2,02% em 2025, contra 3,4% no ano passado. No relatório "Focus", os analistas reduziram a expectativa de inflação de 2025 pela quinta semana consecutiva, de 5,51% para 5,50%. Além disso, mantiveram a projeção para a Selic a 14,75% ao ano. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, avaliou, no fim de maio, que há sinais de desaceleração da economia, mas que eles ainda são muito iniciais e que é necessário manter vigilância sobre o comportamento dos preços. Rebaixamento dos EUA O rebaixamento da nota de crédito dos EUA pela agência Moody's, justificado pelo aumento da dívida americana, reforçou a preocupação dos investidores sobre a trajetória fiscal do país. A notícia fez o dólar cair em relação aos seus principais rivais após quatro semanas consecutivas de ganhos. "Isso acontece em um momento delicado para o governo, que tenta aprovar um orçamento no Congresso até o início de julho. Isso levanta novas questões legítimas sobre o déficit, o status de refúgio dos títulos do Tesouro e o dólar", disse Kenneth Broux, chefe de pesquisa corporativa de câmbio e taxas do Société Générale. "Hoje é um lembrete da fragilidade do d

Mai 19, 2025 - 11:00
 0  25
Dólar opera em alta, após prévia do PIB do Brasil e com rebaixamento da nota de crédito dos EUA; Ibovespa cai

Na sexta-feira, a moeda norte-americana caiu 0,19%, cotada a R$ 5,6685. O principal índice de ações da bolsa brasileira recuou 0,11%, aos 139.187 pontos. Cédulas de dólar bearfotos/Freepik O dólar opera em alta nesta segunda-feira (19), a R$ 5,68, após a divulgação do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) de março, considerado a "prévia" do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, pelo Banco Central. O índice registrou crescimento de 1,3% no primeiro trimestre deste ano, demonstrando uma aceleração da economia brasileira, puxada principalmente pela expansão da agropecuária. O avanço de 0,8% em março veio acima das expectativas do mercado, que projetava uma alta de 0,5% para o indicador. Para o economista Rafael Perez, da Suno Research, o resultado mostra que, "apesar de alguns sinais de desaceleração da economia brasileira, em especial no setor de serviços, a atividade econômica ainda mostra resiliência, apoiada em um mercado de trabalho sólido e no elevado consumo das famílias, o que vêm mitigando os efeitos defasados da política monetária contracionista". O mercado financeiro também reage à notícia do rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos pela agência de classificação de risco Moody's, no fim da semana passada. A nota da maior economia do mundo desceu em um degrau, de "AAA" para "AA1" e teve a perspectiva alterada de "negativa" para "estável" (saiba mais). Como justificativa para o rebaixamento, a agência citou o aumento da dívida dos EUA e os juros a níveis "significativamente mais altos do que os de [países] soberanos com classificação semelhante". "As sucessivas administrações e o Congresso dos EUA falharam em chegar a um acordo sobre medidas para reverter a tendência de grandes déficits fiscais anuais e custos crescentes de juros", disse a Moody's em um comunicado. A notícia encerrou uma semana de otimismo nos mercados após a trégua tarifária entre China e EUA, que aliviou os temores de uma recessão global. Na sexta-feira, o Ibovespa, principal índice de ações da bolsa de valores brasileira (B3), fechou em baixa, puxado por uma queda significativa das ações do Banco do Brasil, mas ainda acima dos 139 mil pontos. No dia anterior, bateu um recorde histórico de pontuação. O dólar fechou em queda, a R$ 5,66. Veja abaixo o resumo dos mercados. Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair ????Dólar Às 10h18, o dólar operava em alta de 0,29%, cotado a R$ 5,6847. Veja mais cotações. Na sexta-feira, a moeda americana fechou em queda de 0,19%, cotada a R$ 5,6685. Com o resultado, acumulou: alta de 0,24% na semana; queda de 0,15% no mês; e perda de 8,27% no ano. a ????Ibovespa No mesmo horário, o Ibovespa caía 0,24%, aos 138.853 pontos. Na sexta-feira, o índice fechou em baixa de 0,11%, aos 139.187 pontos. Com o resultado, o índice acumulou: alta de 1,96% na semana; avanço de 3,05% no mês; e ganho de 15,72% no ano. O que está mexendo com os mercados? No Brasil, os investidores repercutem a expansão de 1,3% do IBC-Br no primeiro trimestre de 2025, que demonstra a resiliência da atividade econômica brasileira apesar do esforço do Banco Central em desacelerar o crescimento. O BC tem dito que busca uma desaceleração (ritmo menor de crescimento) para a economia como forma de tentar conter as pressões inflacionárias, e atingir as metas de inflação. Por isso, tem aumentado consecutivamente a taxa básica de juros. ???? A lógica é que juros mais altos desestimulam o consumo, pois fica mais caro fazer empréstimos ou compras a prazo. Ao reduzir o consumo, a demanda por produtos diminui, o que ajuda a controlar a inflação, que ocorre quando a oferta não acompanha a demanda. Apesar do resultado positivo da prévia do PIB divulgada nesta segunda-feira, o mercado financeiro e o Banco Central ainda projetam um ritmo mais lento para a economia neste ano. O mercado estima um crescimento de 2,02% em 2025, contra 3,4% no ano passado. No relatório "Focus", os analistas reduziram a expectativa de inflação de 2025 pela quinta semana consecutiva, de 5,51% para 5,50%. Além disso, mantiveram a projeção para a Selic a 14,75% ao ano. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, avaliou, no fim de maio, que há sinais de desaceleração da economia, mas que eles ainda são muito iniciais e que é necessário manter vigilância sobre o comportamento dos preços. Rebaixamento dos EUA O rebaixamento da nota de crédito dos EUA pela agência Moody's, justificado pelo aumento da dívida americana, reforçou a preocupação dos investidores sobre a trajetória fiscal do país. A notícia fez o dólar cair em relação aos seus principais rivais após quatro semanas consecutivas de ganhos. "Isso acontece em um momento delicado para o governo, que tenta aprovar um orçamento no Congresso até o início de julho. Isso levanta novas questões legítimas sobre o déficit, o status de refúgio dos títulos do Tesouro e o dólar", disse Kenneth Broux, chefe de pesquisa corporativa de câmbio e taxas do Société Générale. "Hoje é um lembrete da fragilidade do dólar", afirmou. A inquietação com a dívida de US$ 36 trilhões dos EUA também aumentou à medida que os republicanos buscam aprovar um amplo pacote de cortes de impostos, que alguns estimam que poderia adicionar de US$ 3 trilhões a US$ 5 trilhões em novas dívidas na próxima década. O projeto de lei do presidente dos EUA , Donald Trump , estava paralisado há dias devido a disputas internas dos republicanos sobre cortes de gastos, mas obteve aprovação de um importante comitê do Congresso no domingo (18). Em um comunicado, o assistente especial de Trump, Harrison Fields, disse que os especialistas estão errados em se preocupar com o projeto de lei, "assim como estavam sobre o impacto das tarifas de Trump, que geraram trilhões em investimentos, crescimento recorde de empregos e nenhuma inflação". Acordos sobre tarifas Os investidores também seguem de olho em possíveis acordos dos EUA com seus parceiros comerciais, para diminuir os impactos do tarifaço do presidente americano Donald Trump. ???? A lógica do mercado é que o aumento das tarifas sobre produtos importados pelos EUA pode elevar os preços finais e os custos de produção, pressionando a inflação e reduzindo o consumo — o que pode levar a uma desaceleração da maior economia do mundo ou até mesmo a uma recessão global. Nesta segunda-feira, a China pediu aos EUA que tomem medidas políticas responsáveis ​​para manter a estabilidade do sistema financeiro e econômico internacional e proteger os interesses dos investidores. Isso ocorre depois que o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse em entrevistas no domingo que Trump imporá tarifas na mesma taxa que ameaçou no mês passado aos parceiros comerciais que não negociarem de "boa fé". No entanto, uma reportagem do Financial Times de que o país iniciou negociações comerciais sérias com a União Europeia, quebrando um longo impasse, ofereceu alguma esperança de novos acordos sobre as tarifas. No início deste mês, Washington assinou um acordo com a Grã-Bretanha. Trump também já disse anteriormente que tem possíveis acordos com a Índia, com o Japão e com a Coreia do Sul no radar. *Com informações da agência de notícias Reuters.

Qual é a sua reação?

like

dislike

love

funny

angry

sad

wow