Dólar opera em alta e Ibovespa cai, após Haddad recuar sobre aumento do IOF

Na véspera, a moeda norte-americana teve alta de 0,32%, cotada a R$ 5,6614. A bolsa encerrou em queda de 0,44%, aos 132.273 pontos. Haddad sobre medidas econômicas do governo: ‘Na direção correta’ O dólar opera em alta nesta sexta-feira (23), com o mercado financeiro analisando, principalmente, os impactos do recuo do governo no aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre investimentos no exterior. O Ibovespa, principal índice de ações da bolsa de valores brasileira (B3), opera em baixa e atingiu a mínima de 134.997 pontos. Nesta semana, o índice chegou a bater um recorde histórico, fechando aos 140 mil pontos pela primeira vez. Os ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento anunciaram nesta quinta-feira (22) um bloqueio de R$ 31,3 bilhões no orçamento deste ano. Também foi determinado um aumento do IOF, inicialmente com o objetivo de arrecadar R$ 20,5 bilhões a mais neste ano e R$ 41 bilhões em 2026. O governo brasileiro vive o desafio de manter o crescimento do país e a população empregada, mas sem que a inflação dispare. O mercado considerou o bloqueio positivo, mas o relatório divulgado no mesmo dia mostrou que as despesas foram revisadas para cima e a alta do IOF foi considerada apenas mais uma medida paliativa. Além disso, investidores interpretaram o aumento do IOF para aplicações de investimentos de fundos nacionais no exterior como uma forma discreta de controle de capital, com o objetivo de conter a saída de dólares do país e, indiretamente, controlar o câmbio. Por isso, horas depois, o governo recuou desse imposto específico sobre fundos de investimento, mantendo a alíquota zero nestes casos. Na manhã desta sexta (23), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a medida foi revista após alertas de agentes do mercado financeiro, que apontaram que ela poderia "passar uma mensagem que não era a desejada pelo Ministério da Fazenda". No entanto, mesmo após o recuo, o humor dos investidores não melhorou. A mudança foi lida mais como sinal de improviso e fragilidade política do que como correção de rota, o que aumentou ainda mais a incerteza sobre os rumos da economia. Veja abaixo o resumo dos mercados. Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair ????Dólar Às 12h36, o dólar operava em alta de 0,22%, cotado a R$ 5,6738. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,7446. Veja mais cotações. Com o resultado, acumulou: recuo de 0,13% na semana; queda de 0,27% no mês; e perda de 8,39% no ano. Na véspera, a moeda americana fechou em alta de 0,32%, cotado a R$ 5,6614. a ????Ibovespa No mesmo horário, o Ibovespa caía 0,20%, aos 136.994 pontos. Na mínima do dia, chegou a 134.997 pontos. Com o resultado, o índice acumulou: queda de 1,38% na semana; avanço de 1,63% no mês; e ganho de 14,12% no ano. Na véspera, o índice fechou em queda de 0,44%, aos 132.273 pontos. O que está mexendo com os mercados? No Brasil, as atenções do mercado financeiro estão voltadas para a decisão do governo de aumentar o IOF, um tributo federal cobrado sobre diversas operações que envolvem dinheiro, principalmente empréstimos e câmbio. A medida foi divulgada nesta quinta-feira (22) junto com o anúncio de um bloqueio de 31,3 bilhões no orçamento deste ano, após a divulgação do relatório bimestral de receitas e despesas do governo. A expectativa é que os ajustes no IOF gerem uma arrecadação de R$ 20,5 bilhões em 2025, ajudando o governo a cumprir a meta fiscal, de zerar o déficit das contas. O que causou a reação negativa do mercado, no entanto, foi a forma como o governo apresentou o pacote fiscal: de um lado, o anúncio do bloqueio de R$ 31,3 bilhões em despesas, que é visto como um sinal positivo de responsabilidade; de outro, o aumento do IOF, que gerou ruído porque foi mal comunicado, afetou investimentos e foi visto como uma tentativa de arrecadar mais em vez de cortar gastos. Além disso, gerou o ruído sobre um possível controle de capital, por causa da alta da alíquota para aplicações de investimentos de fundos nacionais no exterior — o que levou ao recuo do governo sobre a medida, horas depois. Todo esse movimento ocorre em um contexto de aumento expressivo nas despesas, evidenciado, por exemplo, pelos pedidos de reembolso dos aposentados e pensionistas vítimas da fraude dos descontos associativos do INSS. Segundo o instituto, mais de 1,9 milhões de pessoas já haviam solicitado a devolução até quinta-feira (22). Além disso, o mercado avalia os impactos da nova medida provisória do governo que altera regras do setor elétrico e amplia descontos na tarifa de energia. Segundo dados do governo, cerca 55 milhões de brasileiros serão beneficiados com desconto e 60 milhões com a isenção da conta de luz. Para Vladimir Fernandes Maciel, coordenador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica (MackLiber), "ao optar por um bloqueio significativo de despesas e pela elevação de receitas, ainda que por meio de aumento tributário, o Ministério da Fazenda demonstra disposição de conter o avanço dos gastos pú

Mai 23, 2025 - 13:00
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Dólar opera em alta e Ibovespa cai, após Haddad recuar sobre aumento do IOF

Na véspera, a moeda norte-americana teve alta de 0,32%, cotada a R$ 5,6614. A bolsa encerrou em queda de 0,44%, aos 132.273 pontos. Haddad sobre medidas econômicas do governo: ‘Na direção correta’ O dólar opera em alta nesta sexta-feira (23), com o mercado financeiro analisando, principalmente, os impactos do recuo do governo no aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre investimentos no exterior. O Ibovespa, principal índice de ações da bolsa de valores brasileira (B3), opera em baixa e atingiu a mínima de 134.997 pontos. Nesta semana, o índice chegou a bater um recorde histórico, fechando aos 140 mil pontos pela primeira vez. Os ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento anunciaram nesta quinta-feira (22) um bloqueio de R$ 31,3 bilhões no orçamento deste ano. Também foi determinado um aumento do IOF, inicialmente com o objetivo de arrecadar R$ 20,5 bilhões a mais neste ano e R$ 41 bilhões em 2026. O governo brasileiro vive o desafio de manter o crescimento do país e a população empregada, mas sem que a inflação dispare. O mercado considerou o bloqueio positivo, mas o relatório divulgado no mesmo dia mostrou que as despesas foram revisadas para cima e a alta do IOF foi considerada apenas mais uma medida paliativa. Além disso, investidores interpretaram o aumento do IOF para aplicações de investimentos de fundos nacionais no exterior como uma forma discreta de controle de capital, com o objetivo de conter a saída de dólares do país e, indiretamente, controlar o câmbio. Por isso, horas depois, o governo recuou desse imposto específico sobre fundos de investimento, mantendo a alíquota zero nestes casos. Na manhã desta sexta (23), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a medida foi revista após alertas de agentes do mercado financeiro, que apontaram que ela poderia "passar uma mensagem que não era a desejada pelo Ministério da Fazenda". No entanto, mesmo após o recuo, o humor dos investidores não melhorou. A mudança foi lida mais como sinal de improviso e fragilidade política do que como correção de rota, o que aumentou ainda mais a incerteza sobre os rumos da economia. Veja abaixo o resumo dos mercados. Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair ????Dólar Às 12h36, o dólar operava em alta de 0,22%, cotado a R$ 5,6738. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,7446. Veja mais cotações. Com o resultado, acumulou: recuo de 0,13% na semana; queda de 0,27% no mês; e perda de 8,39% no ano. Na véspera, a moeda americana fechou em alta de 0,32%, cotado a R$ 5,6614. a ????Ibovespa No mesmo horário, o Ibovespa caía 0,20%, aos 136.994 pontos. Na mínima do dia, chegou a 134.997 pontos. Com o resultado, o índice acumulou: queda de 1,38% na semana; avanço de 1,63% no mês; e ganho de 14,12% no ano. Na véspera, o índice fechou em queda de 0,44%, aos 132.273 pontos. O que está mexendo com os mercados? No Brasil, as atenções do mercado financeiro estão voltadas para a decisão do governo de aumentar o IOF, um tributo federal cobrado sobre diversas operações que envolvem dinheiro, principalmente empréstimos e câmbio. A medida foi divulgada nesta quinta-feira (22) junto com o anúncio de um bloqueio de 31,3 bilhões no orçamento deste ano, após a divulgação do relatório bimestral de receitas e despesas do governo. A expectativa é que os ajustes no IOF gerem uma arrecadação de R$ 20,5 bilhões em 2025, ajudando o governo a cumprir a meta fiscal, de zerar o déficit das contas. O que causou a reação negativa do mercado, no entanto, foi a forma como o governo apresentou o pacote fiscal: de um lado, o anúncio do bloqueio de R$ 31,3 bilhões em despesas, que é visto como um sinal positivo de responsabilidade; de outro, o aumento do IOF, que gerou ruído porque foi mal comunicado, afetou investimentos e foi visto como uma tentativa de arrecadar mais em vez de cortar gastos. Além disso, gerou o ruído sobre um possível controle de capital, por causa da alta da alíquota para aplicações de investimentos de fundos nacionais no exterior — o que levou ao recuo do governo sobre a medida, horas depois. Todo esse movimento ocorre em um contexto de aumento expressivo nas despesas, evidenciado, por exemplo, pelos pedidos de reembolso dos aposentados e pensionistas vítimas da fraude dos descontos associativos do INSS. Segundo o instituto, mais de 1,9 milhões de pessoas já haviam solicitado a devolução até quinta-feira (22). Além disso, o mercado avalia os impactos da nova medida provisória do governo que altera regras do setor elétrico e amplia descontos na tarifa de energia. Segundo dados do governo, cerca 55 milhões de brasileiros serão beneficiados com desconto e 60 milhões com a isenção da conta de luz. Para Vladimir Fernandes Maciel, coordenador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica (MackLiber), "ao optar por um bloqueio significativo de despesas e pela elevação de receitas, ainda que por meio de aumento tributário, o Ministério da Fazenda demonstra disposição de conter o avanço dos gastos públicos". Mesmo assim, o valor anunciado "ainda é insuficiente para assegurar o cumprimento integral da meta fiscal, dada a aceleração dos dispêndios no primeiro semestre do ano". E, com a revogação parcial do aumento IOF, "a estimativa de arrecadação já caiu, sem qualquer contrapartida na despesa. O déficit permanece aberto", ressalta João Arthur Almeida, CIO da Suno Wealth. Na coletiva desta sexta (22), Haddad não descartou a necessidade de aumentar o bloqueio no orçamento por causa do recuo. "Pode ser que tenhamos que ampliar o contingenciamento, fazer um ajuste nessa faixa. O importante é que foi revisto e nós temos uma semana para enviar o decreto", disse. Pelo fato de o governo ter uma política fiscal expansionista (gasta em excesso), o Banco Central do Brasil (BC) tem mantido a taxa de juros básica da economia brasileira em patamar elevado (14,75%). ???? A lógica é que juros mais altos desestimulam o consumo, pois fica mais caro fazer empréstimos ou compras a prazo. Ao reduzir o consumo, a demanda por produtos diminui, o que ajuda a controlar a inflação, que ocorre quando a oferta não acompanha a demanda. Na última segunda-feira (19), o presidente do BC, Gabriel Galípolo, reforçou que, diante do cenário atual, faz sentido manter os juros em patamar alto por mais tempo. Nesta sexta (23), ele deve participar de um seminário do FGV IBRE às 14h. O BC tem dito claramente que uma desaceleração, ou seja, um ritmo menor de crescimento da economia, faz parte da estratégia de conter a inflação no país. Cenário fiscal dos EUA Já para os mercados globais, a notícia da semana foi a aprovação pela Câmara dos Deputados dos EUA do "One Big Beautiful Bill Act" ("Um projeto grande e bonito", na tradução), nomeado pelos republicanos em homenagem ao presidente Donald Trump. O pacote, que agora segue para o Senado, busca tornar permanentes os cortes de impostos de renda individual e sobre herança aprovados no primeiro mandato de Trump, em 2017, além de promulgar promessas que ele fez na campanha de 2024 de não tributar gorjetas, horas extras e juros de alguns empréstimos para automóveis. Para compensar parcialmente a perda de receita, a legislação propõe cancelar incentivos à energia verde aprovados pelo ex-presidente democrata Joe Biden e restringe a elegibilidade para programas de saúde e alimentação para os pobres. Mesmo assim, as medidas devem adicionar cerca de US$ 3,8 trilhões à dívida americana, que já corresponde a 124% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Segundo o presidente-executivo do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, apesar de o projeto sobre impostos e gastos ter potencial para ajudar a trazer estabilidade para o país, ele não é propício para a redução do déficit público. "Acho que eles deveriam fazer a lei tributária. Acho que isso estabilizará um pouco as coisas, mas provavelmente aumentará o déficit", afirmou o executivo na Cúpula Global da China do JPMorgan em Xangai. A preocupação com a situação fiscal dos EUA foi, inclusive, um dos argumentos usados pela agência Moody's para rebaixar a nota de crédito dos EUA. Segundo a companhia, "as sucessivas administrações e o Congresso dos EUA falharam em chegar a um acordo sobre medidas para reverter a tendência de grandes déficits fiscais anuais e custos crescentes de juros". Incomodados com essa situação, e também com as medidas tarifárias de Trump, os investidores estão vendendo cada vez mais o dólar e outros ativos americanos que constituem a base do sistema financeiro global.

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