Dólar oscila e bolsa cai com paralisação do governo nos EUA no radar
Sem acordo orçamentário, Casa Branca ordena shutdown federal O dólar oscila entre altas e baixas nesta quarta-feira (1º), e recuava 0,03% às 15h50, cotado a R$ 5,3228. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inverteu o sinal positivo visto pela manhã e caía 0,49% no mesmo horário, aos 145.515 pontos. O mercado começou o mês de outubro sob forte influência do cenário internacional. Nos Estados Unidos, a paralisação administrativa traz incertezas sobre a divulgação de indicadores importantes, enquanto no Brasil a agenda do dia combina dados econômicos e votação da isenção do IR no Congresso. ????Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ Nos EUA, teve início à meia-noite desta quarta (1º) a paralisação administrativa, resultado do impasse entre democratas e republicanos no Congresso. O mercado acompanha de perto a duração do "shutdown", já que um prolongamento pode adiar dados importantes antes da reunião do banco central americano no fim de outubro. O Departamento do Trabalho dos EUA informou que suspenderá quase todas as atividades, incluindo a divulgação do payroll de setembro, que estava prevista para esta sexta-feira. A ausência desse dado aumenta a incerteza nas projeções dos juros americanos. ▶️ Mesmo com o shutdown, o calendário de hoje nos EUA segue carregado: emprego privado de setembro, PMI de indústria, estoques de petróleo da AIE e o discurso de Barkin, do comitê de polítca monetária do BC americano. ▶️ No Brasil, destaque para o PMI da indústria de setembro foi divulgado, apontando para um mês de retração do setor. Em Brasília, a Câmara vota hoje o projeto que amplia a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Veja a seguir como esses fatores influenciam o mercado. Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair ????Dólar a Acumulado da semana: -0,29%; Acumulado do mês: -1,83%; Acumulado do ano: -13,87%. ????Ibovespa Acumulado da semana: +0,54%; Acumulado do mês: +3,40%; Acumulado do ano: +21,58%. Indústria brasileira em contração A indústria brasileira teve em setembro o pior desempenho em quase dois anos e meio, segundo o PMI (Índice de Gerentes de Compras), medido pela S&P Global. O indicador caiu de 47,7 em agosto para 46,5, ficando ainda mais abaixo da marca de 50, que separa crescimento de queda na atividade. A demanda caiu, e os fabricantes receberam menos pedidos — no ritmo mais fraco desde abril. A produção também recuou pelo quinto mês seguido. As exportações diminuíram, afetadas por tarifas dos EUA, mas houve compensação com pedidos de países como Argentina, Itália e México. Por outro lado, os custos com insumos caíram pela primeira vez desde o fim de 2023, o que permitiu descontos para tentar estimular as vendas. A queda do dólar e a maior oferta de materiais ajudaram nesse alívio. Apesar do cenário ruim, os empresários seguem otimistas para os próximos 12 meses. Eles esperam melhora na demanda, acordos comerciais com os EUA e novos investimentos. Com isso, o número de empregos teve leve alta em setembro, após queda em agosto. Paralisação orçamentária nos EUA O governo dos EUA entrou em paralisação nesta quarta-feira (1º) após o Congresso não conseguir aprovar um projeto orçamentário para estender o financiamento federal. A paralisação, também conhecida como "shutdown", é a 15ª desde 1981. No centro do impasse está a saúde. Os democratas afirmam que só aprovarão o orçamento se programas de assistência médica prestes a expirar forem prolongados. Com o governo impedido de gastar, milhares de servidores públicos serão colocados em licença, enquanto outros, que trabalham em serviços essenciais, podem ter os salários suspensos. Já os republicanos de Donald Trump defendem que saúde e financiamento federal sejam tratados separadamente. Eles acusam os democratas de usar o orçamento como moeda de troca para atender demandas próprias antes das eleições legislativas de 2026, que definirão o controle do Congresso. Nas redes sociais, a Casa Branca confirmou a paralisação, que chamou de: "shutdown democrata". Na terça-feira, republicanos e democratas trocaram acusações sobre quem seria culpado pelo shutdown. A crise ganhou novos contornos com as ameaças do presidente. Trump afirmou que poderia "fazer coisas ruins e irreversíveis", como demitir servidores e encerrar programas ligados aos democratas, caso o governo fosse paralisado. “Vamos demitir muita gente. E eles serão democratas”, disse Trump na terça-feira. Na segunda-feira (29), lideranças democratas e republicanas se reuniram com Trump na Casa Branca para tentar negociar uma saída. As conversas não avançaram, e ambos passaram a se acusar de forçar a paralisação do governo. Na noite desta terça-feira (30), senadores tentaram aprovar o orçamento, mas a última proposta discutida recebeu apenas 55 dos 60 votos necessários. Dados de trabalho e da indústria americana O setor privado dos Estados Unidos cortou 32 mil vagas de trabalho em setembro, segundo o relatório da ADP, empresa que a

Sem acordo orçamentário, Casa Branca ordena shutdown federal O dólar oscila entre altas e baixas nesta quarta-feira (1º), e recuava 0,03% às 15h50, cotado a R$ 5,3228. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inverteu o sinal positivo visto pela manhã e caía 0,49% no mesmo horário, aos 145.515 pontos. O mercado começou o mês de outubro sob forte influência do cenário internacional. Nos Estados Unidos, a paralisação administrativa traz incertezas sobre a divulgação de indicadores importantes, enquanto no Brasil a agenda do dia combina dados econômicos e votação da isenção do IR no Congresso. ????Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ Nos EUA, teve início à meia-noite desta quarta (1º) a paralisação administrativa, resultado do impasse entre democratas e republicanos no Congresso. O mercado acompanha de perto a duração do "shutdown", já que um prolongamento pode adiar dados importantes antes da reunião do banco central americano no fim de outubro. O Departamento do Trabalho dos EUA informou que suspenderá quase todas as atividades, incluindo a divulgação do payroll de setembro, que estava prevista para esta sexta-feira. A ausência desse dado aumenta a incerteza nas projeções dos juros americanos. ▶️ Mesmo com o shutdown, o calendário de hoje nos EUA segue carregado: emprego privado de setembro, PMI de indústria, estoques de petróleo da AIE e o discurso de Barkin, do comitê de polítca monetária do BC americano. ▶️ No Brasil, destaque para o PMI da indústria de setembro foi divulgado, apontando para um mês de retração do setor. Em Brasília, a Câmara vota hoje o projeto que amplia a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Veja a seguir como esses fatores influenciam o mercado. Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair ????Dólar a Acumulado da semana: -0,29%; Acumulado do mês: -1,83%; Acumulado do ano: -13,87%. ????Ibovespa Acumulado da semana: +0,54%; Acumulado do mês: +3,40%; Acumulado do ano: +21,58%. Indústria brasileira em contração A indústria brasileira teve em setembro o pior desempenho em quase dois anos e meio, segundo o PMI (Índice de Gerentes de Compras), medido pela S&P Global. O indicador caiu de 47,7 em agosto para 46,5, ficando ainda mais abaixo da marca de 50, que separa crescimento de queda na atividade. A demanda caiu, e os fabricantes receberam menos pedidos — no ritmo mais fraco desde abril. A produção também recuou pelo quinto mês seguido. As exportações diminuíram, afetadas por tarifas dos EUA, mas houve compensação com pedidos de países como Argentina, Itália e México. Por outro lado, os custos com insumos caíram pela primeira vez desde o fim de 2023, o que permitiu descontos para tentar estimular as vendas. A queda do dólar e a maior oferta de materiais ajudaram nesse alívio. Apesar do cenário ruim, os empresários seguem otimistas para os próximos 12 meses. Eles esperam melhora na demanda, acordos comerciais com os EUA e novos investimentos. Com isso, o número de empregos teve leve alta em setembro, após queda em agosto. Paralisação orçamentária nos EUA O governo dos EUA entrou em paralisação nesta quarta-feira (1º) após o Congresso não conseguir aprovar um projeto orçamentário para estender o financiamento federal. A paralisação, também conhecida como "shutdown", é a 15ª desde 1981. No centro do impasse está a saúde. Os democratas afirmam que só aprovarão o orçamento se programas de assistência médica prestes a expirar forem prolongados. Com o governo impedido de gastar, milhares de servidores públicos serão colocados em licença, enquanto outros, que trabalham em serviços essenciais, podem ter os salários suspensos. Já os republicanos de Donald Trump defendem que saúde e financiamento federal sejam tratados separadamente. Eles acusam os democratas de usar o orçamento como moeda de troca para atender demandas próprias antes das eleições legislativas de 2026, que definirão o controle do Congresso. Nas redes sociais, a Casa Branca confirmou a paralisação, que chamou de: "shutdown democrata". Na terça-feira, republicanos e democratas trocaram acusações sobre quem seria culpado pelo shutdown. A crise ganhou novos contornos com as ameaças do presidente. Trump afirmou que poderia "fazer coisas ruins e irreversíveis", como demitir servidores e encerrar programas ligados aos democratas, caso o governo fosse paralisado. “Vamos demitir muita gente. E eles serão democratas”, disse Trump na terça-feira. Na segunda-feira (29), lideranças democratas e republicanas se reuniram com Trump na Casa Branca para tentar negociar uma saída. As conversas não avançaram, e ambos passaram a se acusar de forçar a paralisação do governo. Na noite desta terça-feira (30), senadores tentaram aprovar o orçamento, mas a última proposta discutida recebeu apenas 55 dos 60 votos necessários. Dados de trabalho e da indústria americana O setor privado dos Estados Unidos cortou 32 mil vagas de trabalho em setembro, segundo o relatório da ADP, empresa que acompanha o mercado de trabalho. Em agosto, o número também foi negativo, com 3 mil postos fechados (dado revisado). A expectativa era de abertura de 50 mil vagas, o que mostra uma desaceleração. Esse relatório da ADP, feito em parceria com a Universidade de Stanford, ganhou mais atenção porque o Departamento do Trabalho dos EUA não vai divulgar seu relatório oficial nesta sexta-feira, devido à paralisação do governo. Com isso, os dados privados podem influenciar mais o mercado. A paralisação também suspendeu outras divulgações, como os gastos com construção e os pedidos de auxílio-desemprego. Segundo economistas, essa falta de informações pode dificultar o acompanhamento da economia e aumentar a reação dos mercados. Diante da fraqueza no mercado de trabalho, há expectativa de que o Federal Reserve (Fed) — o banco central dos EUA — reduza novamente os juros na reunião de outubro. Em setembro, o Fed já havia cortado a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 4,00% a 4,25%, como forma de estimular a economia. "Isso deve reforçar também a postura do Federal Reserve de tentar depender mais para o gerenciamento do risco do mercado de trabalho do que o risco inflacionário. E a perspectiva de juros mais baixos prejudica a rentabilidade de títulos americanos, com isso dificulta a atração de investimentos externos e o dólar cai globalmente", explica Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX. Nos EUA também foram publicados dados do índice que mede a atividade do setor, calculado pelo Instituto de Gestão de Suprimentos (ISM), que subiu de 48,7 para 49,1, indicando melhora. No entanto, como o número segue abaixo de 50, ainda aponta queda na produção. Foi o sétimo mês seguido de contração. Apesar da alta na produção, os pedidos e o emprego nas fábricas continuam fracos, afetados pelas tarifas sobre importações. O governo anunciou novas taxas de até 50% sobre produtos como caminhões, móveis e armários, o que tem gerado cancelamentos e atrasos nas entregas. Os preços dos materiais caíram um pouco, mas os gargalos na cadeia de suprimentos continuam. Bolsas globais Em Wall Street, os mercados americanos estão em queda, pressionados por dados fracos sobre o emprego no setor privado. A paralisação do governo federal também contribuiu para a cautela dos investidores, já que pode atrasar a divulgação de indicadores econômicos importantes, aumentando a incerteza sobre os próximos passos do banco central. Por volta das 12h (horário de Brasília), o Dow Jones recuava 0,14%, aos 46.335,33 pontos. O S&P 500 caía 0,32%, para 6.666,82 pontos, enquanto o Nasdaq Composite perdia 0,41%, aos 22.565,63 pontos. As bolsas europeias fecharam em alta, impulsionadas pelos ganhos nos setores bancário e farmacêutico. Os investidores deixaram de lado os dados fracos da indústria, que mostraram nova contração na atividade, e se concentraram em ações que puxaram os índices para máximas de fechamento. O índice pan-europeu STOXX 600 subiu 1,21%, aos 564,92 pontos. Em Londres, o FTSE 100 avançou 1,03%, aos 9.446,43 pontos. Em Frankfurt, o DAX teve alta de 0,98%, aos 24.113,62 pontos, enquanto o CAC 40 de Paris ganhou 0,90%, aos 7.966,95 pontos. Na Ásia, as bolsas da China estão fechadas por conta de feriado. Enquanto isso, o mercado japonês teve queda nesta quarta-feira, com investidores vendendo ações para garantir lucros após uma sequência de altas. O índice Nikkei caiu ao menor nível em três semanas, pressionado por perdas em empresas como a Tóquio Electron e o SoftBank Group. O Nikkei do Japão caiu 0,85%, fechando em 44.550,85 pontos. Já o Topix recuou 1,37%, para 3.094,74 pontos. Em outros países asiáticos, o Kospi da Coreia do Sul subiu 0,91%, o Taiex de Taiwan avançou 0,63%, o Straits Times de Cingapura teve alta de 0,53%, e o S&P/ASX 200 da Austrália caiu 0,04%. Os índices de Hong Kong, Xangai e Shenzhen seguirão fechados até 8 de outubro. Notas de dólar. Luisa Gonzalez/ Reuters
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