Fed mantém juros dos EUA na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano pela 5ª reunião consecutiva

Prédio do Federal Reserve dos EUA em Washington, EUA (maio/2020) Kevin Lamarque / Reuters O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve a taxa de juros do país inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano — menor nível desde setembro de 2022. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (29), veio em linha com a expectativa do mercado financeiro. Foi a quinta reunião consecutiva em que o banco central dos EUA manteve os juros no mesmo nível. A decisão foi influenciada, entre outros fatores, pela persistência da alta do petróleo, em meio à continuidade da guerra no Oriente Médio, o que reforça as preocupações do Fed com a inflação. ????️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em um comunicado mais curto do que o de costume, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) afirmou, em sua decisão, que a atividade econômica segue se expandindo em ritmo sólido "apesar da elevada incerteza, decorrente, em parte, do conflito no Oriente Médio". O presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que o comunicado não busca antecipar os próximos passos sobre as decisões de juros. "Ele transmite apenas os fatos. Evita fazer previsões, uma escolha que consideramos especialmente prudente neste momento de incerteza", declarou em coletiva de imprensa após o anúncio. ➡️ A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio. (leia mais abaixo) Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Esta é a 13ª decisão desde que Donald Trump assumiu como 47º presidente dos EUA, em 20 de janeiro de 2025. Desde a posse, houve três cortes de juros, em meio a um cenário econômico incerto, com conflitos geopolíticos e a guerra tarifária promovida pelo republicano. É também a segunda decisão sob o comando de Kevin Warsh, indicado por Trump para presidir o banco central dos EUA. Warsh tomou posse em 22 de maio e iniciou oficialmente seu mandato de quatro anos após uma cerimônia na Casa Branca. A troca de comando no Fed ocorreu após meses de atritos entre Trump e o então presidente da instituição, Jerome Powell. Desde o início de seu segundo mandato, o republicano defende que juros elevados encarecem o crédito e prejudicam a economia. O que disse o Fomc Em nota, o comitê afirmou que decidiu manter a taxa básica de juros dos EUA inalterada em apoio ao duplo mandato do Fed: controlar a inflação e promover o máximo emprego. "O crescimento da produtividade e os investimentos em capital permanecem fortes. A criação de empregos acompanhou o crescimento da força de trabalho, e a taxa de desemprego mudou pouco", afirmou o colegiado. Segundo o Fomc, a inflação segue acima da meta de 2%, "refletindo, em parte, choques de oferta que elevaram os preços em determinados setores, incluindo o de energia". Ao citar a "elevada incerteza" causada pelo conflito no Oriente Médio, o comunicado termina afirmando que "o comitê entregará estabilidade de preços". A decisão não foi unânime. Três dos 12 integrantes com direito a voto — Beth M. Hammack, Neel Kashkari e Lorie K. Logan — defenderam elevar os juros em 0,25 ponto percentual nesta reunião. 'O Fed não vai vacilar' Presidente do Fed, Kevin Warsh, em coletiva de imprensa após decisão sobre juros nos EUA, em 29 de julho de 2026. Reuters Em coletiva de imprensa, Kevin Warsh afirmou seu compromisso com a estabilidade de preços e disse que a incerteza atual "não significa falta de clareza". "Começamos um novo capítulo. Entendam que mais de cinco anos de inflação acima da meta não podem ser corrigidos em nove semanas", disse. Segundo Warsh, o período prolongado de inflação elevada deixou uma "impressão difícil de desfazer" entre famílias, empresas e participantes do mercado: a de que a meta de inflação do Fed estaria, de alguma forma, acima do objetivo oficial de 2%. "Não existe uma meta de inflação flexível. Não existe uma meta implícita flexível, não sob a supervisão deste comitê. Existe apenas uma meta, e ela é de 2%", declarou. "Este Fed não vai vacilar. Nossa credibilidade depende de cumprirmos nossos deveres e nossas responsabilidades", completou. Efeito dos juros no Brasil — e nos mercados Os juros, ainda considerados elevados nos EUA, mantêm os rendimentos das Treasuries, os títulos públicos americanos, em níveis mais atraentes. Por serem considerados os investimentos mais seguros do mundo, as Treasuries com rentabilidades elevadas despertam o interesse de investidores estrangeiros, que direcionam recursos aos EUA e fortalecem o dólar. Em outra perspectiva: apesar de diversas variáveis interferirem nessa lógica, o movimento tende a reduzir o volume de investimentos estrangeiros no Brasil, desvalorizando o real em relação à moeda americana. Além disso, o dólar em nível elevado aumenta a pressão sobre a inflação por aqui, com reflexos na manutenção de juros altos pelo Comitê de Polít

Jul 29, 2026 - 17:00
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Fed mantém juros dos EUA na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano pela 5ª reunião consecutiva

Prédio do Federal Reserve dos EUA em Washington, EUA (maio/2020) Kevin Lamarque / Reuters O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve a taxa de juros do país inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano — menor nível desde setembro de 2022. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (29), veio em linha com a expectativa do mercado financeiro. Foi a quinta reunião consecutiva em que o banco central dos EUA manteve os juros no mesmo nível. A decisão foi influenciada, entre outros fatores, pela persistência da alta do petróleo, em meio à continuidade da guerra no Oriente Médio, o que reforça as preocupações do Fed com a inflação. ????️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em um comunicado mais curto do que o de costume, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) afirmou, em sua decisão, que a atividade econômica segue se expandindo em ritmo sólido "apesar da elevada incerteza, decorrente, em parte, do conflito no Oriente Médio". O presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que o comunicado não busca antecipar os próximos passos sobre as decisões de juros. "Ele transmite apenas os fatos. Evita fazer previsões, uma escolha que consideramos especialmente prudente neste momento de incerteza", declarou em coletiva de imprensa após o anúncio. ➡️ A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio. (leia mais abaixo) Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Esta é a 13ª decisão desde que Donald Trump assumiu como 47º presidente dos EUA, em 20 de janeiro de 2025. Desde a posse, houve três cortes de juros, em meio a um cenário econômico incerto, com conflitos geopolíticos e a guerra tarifária promovida pelo republicano. É também a segunda decisão sob o comando de Kevin Warsh, indicado por Trump para presidir o banco central dos EUA. Warsh tomou posse em 22 de maio e iniciou oficialmente seu mandato de quatro anos após uma cerimônia na Casa Branca. A troca de comando no Fed ocorreu após meses de atritos entre Trump e o então presidente da instituição, Jerome Powell. Desde o início de seu segundo mandato, o republicano defende que juros elevados encarecem o crédito e prejudicam a economia. O que disse o Fomc Em nota, o comitê afirmou que decidiu manter a taxa básica de juros dos EUA inalterada em apoio ao duplo mandato do Fed: controlar a inflação e promover o máximo emprego. "O crescimento da produtividade e os investimentos em capital permanecem fortes. A criação de empregos acompanhou o crescimento da força de trabalho, e a taxa de desemprego mudou pouco", afirmou o colegiado. Segundo o Fomc, a inflação segue acima da meta de 2%, "refletindo, em parte, choques de oferta que elevaram os preços em determinados setores, incluindo o de energia". Ao citar a "elevada incerteza" causada pelo conflito no Oriente Médio, o comunicado termina afirmando que "o comitê entregará estabilidade de preços". A decisão não foi unânime. Três dos 12 integrantes com direito a voto — Beth M. Hammack, Neel Kashkari e Lorie K. Logan — defenderam elevar os juros em 0,25 ponto percentual nesta reunião. 'O Fed não vai vacilar' Presidente do Fed, Kevin Warsh, em coletiva de imprensa após decisão sobre juros nos EUA, em 29 de julho de 2026. Reuters Em coletiva de imprensa, Kevin Warsh afirmou seu compromisso com a estabilidade de preços e disse que a incerteza atual "não significa falta de clareza". "Começamos um novo capítulo. Entendam que mais de cinco anos de inflação acima da meta não podem ser corrigidos em nove semanas", disse. Segundo Warsh, o período prolongado de inflação elevada deixou uma "impressão difícil de desfazer" entre famílias, empresas e participantes do mercado: a de que a meta de inflação do Fed estaria, de alguma forma, acima do objetivo oficial de 2%. "Não existe uma meta de inflação flexível. Não existe uma meta implícita flexível, não sob a supervisão deste comitê. Existe apenas uma meta, e ela é de 2%", declarou. "Este Fed não vai vacilar. Nossa credibilidade depende de cumprirmos nossos deveres e nossas responsabilidades", completou. Efeito dos juros no Brasil — e nos mercados Os juros, ainda considerados elevados nos EUA, mantêm os rendimentos das Treasuries, os títulos públicos americanos, em níveis mais atraentes. Por serem considerados os investimentos mais seguros do mundo, as Treasuries com rentabilidades elevadas despertam o interesse de investidores estrangeiros, que direcionam recursos aos EUA e fortalecem o dólar. Em outra perspectiva: apesar de diversas variáveis interferirem nessa lógica, o movimento tende a reduzir o volume de investimentos estrangeiros no Brasil, desvalorizando o real em relação à moeda americana. Além disso, o dólar em nível elevado aumenta a pressão sobre a inflação por aqui, com reflexos na manutenção de juros altos pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil.

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