Haddad defende novo desenho para despesas sociais e fala em unificar benefícios

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, concede entrevista no Hotel Brasília Palace, em 3 de junho de 2025. WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu nesta terça-feira (10) uma reformulação dos gastos sociais do governo, especialmente aqueles voltados à assistência social. Segundo Haddad, estudos técnicos estão sendo conduzidos para “repensar” esses gastos de uma forma “mais moderna”. "Está sendo discutido se, com o atual nível de investimento em Previdência Social, não seria o caso de repetir o que o Lula fez em 2003, quando havia vários programas e o Bolsa Família nasceu como um grande guarda-chuva [que os unificou]", afirmou o ministro durante participação no CEO Conference, promovido pelo banco BTG Pactual. "Talvez estejamos em uma situação que permita [um novo formato] dos gastos sociais", completou o ministro, reiterando que o novo modelo precisaria ser mais eficiente e moderno, mas sem necessariamente diminuir os gastos, uma vez que o crescimento da economia também permite uma trajetória mais sustentável das despesas públicas. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Haddad acrescentou que a discussão sobre um possível programa de renda básica também segue nessa direção. "Todo mundo defende a renda básica porque ela parece mais racional, à luz das inúmeras demandas sociais que existem", disse. "Eu entendo, olhando para o orçamento, que o Brasil talvez esteja maduro para essa nova alternativa". O ministro também defendeu a estrutura do arcabouço fiscal (conjunto de regras que controla os gastos do governo), mas disse concordar com a preocupação da “Faria Lima” em relação ao funcionamento dessas normas. "Todo mundo tem razão quando fala que a dinâmica preocupa, porque tem coisas no Orçamento que ainda estão fora do espírito do arcabouço. Eu até tentei fazer [essa mudança] no final de 2024 com o Congresso, mas é muito difícil você convencer as pessoas a mexer no que é considerado tabu", afirmou. Juros e Banco Central O ministro também comentou o atual patamar dos juros reais (descontada a inflação) no país, argumentando que “não há justificativa” para que a taxa continue subindo. "Entendo que, com um juro real desses, você não consegue contrapor nenhum nível de superávit primário [quando as receitas superam as despesas]. Então você tem que continuar tomando medidas necessárias para equilibrar as contas", disse Haddad. O ministro reiterou que, ao criticar os altos juros reais, não pretende manchar a reputação do Banco Central, afirmando ser fundamental “cuidar” da instituição. Haddad também comentou a sugestão dos nomes de Guilherme Mello, atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, e Tiago Cavalcanti, professor da Universidade de Cambridge, para a diretoria do BC. "Recebi dessas duas pessoas a sinalização que tinham disposição para colaborar com o Brasil nessa posição. [...] Mas quando a gente sugere um nome, é para avaliação. Não existe indicação", completou. Por fim, o ministro também afirmou que ainda não existe uma data exata para a sua saída do governo, e disse, sem dar mais detalhes, que deve atender a alguns pedidos feitos pelo presidente Lula antes do pôr fim ao seu mandato junto ao Ministério da Fazenda.

Fev 10, 2026 - 11:00
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Haddad defende novo desenho para despesas sociais e fala em unificar benefícios

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, concede entrevista no Hotel Brasília Palace, em 3 de junho de 2025. WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu nesta terça-feira (10) uma reformulação dos gastos sociais do governo, especialmente aqueles voltados à assistência social. Segundo Haddad, estudos técnicos estão sendo conduzidos para “repensar” esses gastos de uma forma “mais moderna”. "Está sendo discutido se, com o atual nível de investimento em Previdência Social, não seria o caso de repetir o que o Lula fez em 2003, quando havia vários programas e o Bolsa Família nasceu como um grande guarda-chuva [que os unificou]", afirmou o ministro durante participação no CEO Conference, promovido pelo banco BTG Pactual. "Talvez estejamos em uma situação que permita [um novo formato] dos gastos sociais", completou o ministro, reiterando que o novo modelo precisaria ser mais eficiente e moderno, mas sem necessariamente diminuir os gastos, uma vez que o crescimento da economia também permite uma trajetória mais sustentável das despesas públicas. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Haddad acrescentou que a discussão sobre um possível programa de renda básica também segue nessa direção. "Todo mundo defende a renda básica porque ela parece mais racional, à luz das inúmeras demandas sociais que existem", disse. "Eu entendo, olhando para o orçamento, que o Brasil talvez esteja maduro para essa nova alternativa". O ministro também defendeu a estrutura do arcabouço fiscal (conjunto de regras que controla os gastos do governo), mas disse concordar com a preocupação da “Faria Lima” em relação ao funcionamento dessas normas. "Todo mundo tem razão quando fala que a dinâmica preocupa, porque tem coisas no Orçamento que ainda estão fora do espírito do arcabouço. Eu até tentei fazer [essa mudança] no final de 2024 com o Congresso, mas é muito difícil você convencer as pessoas a mexer no que é considerado tabu", afirmou. Juros e Banco Central O ministro também comentou o atual patamar dos juros reais (descontada a inflação) no país, argumentando que “não há justificativa” para que a taxa continue subindo. "Entendo que, com um juro real desses, você não consegue contrapor nenhum nível de superávit primário [quando as receitas superam as despesas]. Então você tem que continuar tomando medidas necessárias para equilibrar as contas", disse Haddad. O ministro reiterou que, ao criticar os altos juros reais, não pretende manchar a reputação do Banco Central, afirmando ser fundamental “cuidar” da instituição. Haddad também comentou a sugestão dos nomes de Guilherme Mello, atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, e Tiago Cavalcanti, professor da Universidade de Cambridge, para a diretoria do BC. "Recebi dessas duas pessoas a sinalização que tinham disposição para colaborar com o Brasil nessa posição. [...] Mas quando a gente sugere um nome, é para avaliação. Não existe indicação", completou. Por fim, o ministro também afirmou que ainda não existe uma data exata para a sua saída do governo, e disse, sem dar mais detalhes, que deve atender a alguns pedidos feitos pelo presidente Lula antes do pôr fim ao seu mandato junto ao Ministério da Fazenda.

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