Ibovespa cai 1,5% após recorde e dólar fecha a R$ 5,64, com políticas fiscal e comercial dos EUA no radar

A moeda norte-americana caiu 0,46%, cotada a R$ 5,6431. A bolsa de valores brasileira encerrou com um recuo de 1,595, aos 137.881 pontos, após bater recorde na véspera. Ibovespa Burak The Weekender/Pexels O Ibovespa, principal índice de ações da bolsa de valores brasileira, encerrou o pregão desta quarta-feira (21) em queda de 1,59%, aos 137.881 pontos, em ajuste após bater o recorde na véspera, quando fechou aos 140 mil pontos pela primeira vez. O dólar também teve um dia negativo e fechou em queda, a R$ 5,64. As atenções continuam voltadas para o quadro fiscal dos Estados Unidos, principalmente após o rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos pela agência de classificação de risco Moody’s. A nota da maior economia do mundo desceu em um degrau, de "AAA" para "AA1" e teve a perspectiva alterada de "negativa" para "estável". Segundo a Moody’s, o aumento da dívida dos EUA intensificou as preocupações dos investidores quanto à sustentabilidade das contas públicas do país. O receio com a dívida de US$ 36 trilhões dos EUA também aumentou à medida que os republicanos buscam aprovar um pacote de cortes de impostos do presidente Donald Trump, que poderia adicionar de US$ 3 trilhões a US$ 5 trilhões em novas dívidas na próxima década. Nesse cenário, também fica na mira dos mercados internacionais os desdobramentos da política comercial de Trump, em meio às expectativas por novos acordos tarifários. Nesta quarta-feira (21), doze estados norte-americanos entraram com uma ação judicial para suspender as tarifas do republicano, alegando que Trump extrapolou sua autoridade ao declarar emergência nacional para taxar parceiros comerciais. Veja abaixo o resumo dos mercados. Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair ????Dólar O dólar caiu 0,46%, cotado a R$ 5,6431. Na mínima do dia, chegou a R$ 5,6401. Veja mais cotações. Com o resultado, acumulou: recuo de 0,45% na semana; queda de 0,60% no mês; e perda de 8,68% no ano. Na véspera, a moeda americana fechou em alta de 0,26%, cotada a R$ 5,6692. a ????Ibovespa O Ibovespa caiu 1,59%, aos 137.881 pontos. Com o resultado, o índice acumulou: queda de 0,94% na semana; avanço de 2,08% no mês; e ganho de 14,63% no ano. Na véspera, o índice fechou em alta de 0,34%, aos 140.110 pontos, um novo recorde. O que está mexendo com os mercados? A notícia do rebaixamento da nota de crédito dos EUA pela agência Moody's fez o dólar cair em relação aos seus principais rivais no início da semana, após vários ganhos consecutivos. Como justificativa para o rebaixamento, a agência citou o aumento da dívida dos EUA e os juros a níveis "significativamente mais altos do que os de [países] soberanos com classificação semelhante". "As sucessivas administrações e o Congresso dos EUA falharam em chegar a um acordo sobre medidas para reverter a tendência de grandes déficits fiscais anuais e custos crescentes de juros", disse a Moody's em um comunicado. "Isso acontece em um momento delicado para o governo, que tenta aprovar um orçamento no Congresso até o início de julho. Isso levanta novas questões legítimas sobre o déficit, o status de refúgio dos títulos do Tesouro e o dólar", disse Kenneth Broux, chefe de pesquisa corporativa de câmbio e taxas do Société Générale. Acordos sobre tarifas O mercado também continua à espera de possíveis novos acordos dos EUA com seus parceiros comerciais, para diminuir os impactos do tarifaço de Trump. Além da trégua com a China, no início deste mês, Washington assinou um acordo com o Reino Unido. Trump também já disse anteriormente que tem possíveis acordos com a Índia, com o Japão e com a Coreia do Sul no radar. ???? A lógica do mercado é que o aumento das tarifas sobre produtos importados pelos EUA pode elevar os preços finais e os custos de produção, pressionando a inflação e reduzindo o consumo — o que pode levar a uma desaceleração da maior economia do mundo ou até mesmo a uma recessão global. Nesta terça-feira (20), o presidente da distrital do Fed em St. Louis, Alberto Musalem, afirmou que mesmo após o acordo entre EUA e China, o mercado de trabalho parece estar enfraquecendo e os preços devem subir. Ele destacou, ainda, que uma resposta equilibrada da política monetária permanece "viável", caso a população continue esperando que a inflação caia para a meta de 2%. Segundo Musalem, no entanto, sem expectativas de inflação bem ancoradas, o Fed deve "priorizar a estabilidade de preços diante de pressões inflacionárias persistentes". O banqueiro central ainda indicou que a alta incerteza em relação às políticas de Trump pode desacelerar significativamente a economia, à medida que famílias e empresas suspendem gastos e investimentos enquanto aguardam por mais clareza. "Na medida em que a economia exige que os gastos de capital continuem ocorrendo, que exige que as contratações continuem ocorrendo, e se todas essas decisões foram de alguma forma suspensas devido à incerteza, isso afetaria a perspectiva econômica", afirmou Musalem. E no Bras

Mai 21, 2025 - 18:00
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Ibovespa cai 1,5% após recorde e dólar fecha a R$ 5,64, com políticas fiscal e comercial dos EUA no radar

A moeda norte-americana caiu 0,46%, cotada a R$ 5,6431. A bolsa de valores brasileira encerrou com um recuo de 1,595, aos 137.881 pontos, após bater recorde na véspera. Ibovespa Burak The Weekender/Pexels O Ibovespa, principal índice de ações da bolsa de valores brasileira, encerrou o pregão desta quarta-feira (21) em queda de 1,59%, aos 137.881 pontos, em ajuste após bater o recorde na véspera, quando fechou aos 140 mil pontos pela primeira vez. O dólar também teve um dia negativo e fechou em queda, a R$ 5,64. As atenções continuam voltadas para o quadro fiscal dos Estados Unidos, principalmente após o rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos pela agência de classificação de risco Moody’s. A nota da maior economia do mundo desceu em um degrau, de "AAA" para "AA1" e teve a perspectiva alterada de "negativa" para "estável". Segundo a Moody’s, o aumento da dívida dos EUA intensificou as preocupações dos investidores quanto à sustentabilidade das contas públicas do país. O receio com a dívida de US$ 36 trilhões dos EUA também aumentou à medida que os republicanos buscam aprovar um pacote de cortes de impostos do presidente Donald Trump, que poderia adicionar de US$ 3 trilhões a US$ 5 trilhões em novas dívidas na próxima década. Nesse cenário, também fica na mira dos mercados internacionais os desdobramentos da política comercial de Trump, em meio às expectativas por novos acordos tarifários. Nesta quarta-feira (21), doze estados norte-americanos entraram com uma ação judicial para suspender as tarifas do republicano, alegando que Trump extrapolou sua autoridade ao declarar emergência nacional para taxar parceiros comerciais. Veja abaixo o resumo dos mercados. Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair ????Dólar O dólar caiu 0,46%, cotado a R$ 5,6431. Na mínima do dia, chegou a R$ 5,6401. Veja mais cotações. Com o resultado, acumulou: recuo de 0,45% na semana; queda de 0,60% no mês; e perda de 8,68% no ano. Na véspera, a moeda americana fechou em alta de 0,26%, cotada a R$ 5,6692. a ????Ibovespa O Ibovespa caiu 1,59%, aos 137.881 pontos. Com o resultado, o índice acumulou: queda de 0,94% na semana; avanço de 2,08% no mês; e ganho de 14,63% no ano. Na véspera, o índice fechou em alta de 0,34%, aos 140.110 pontos, um novo recorde. O que está mexendo com os mercados? A notícia do rebaixamento da nota de crédito dos EUA pela agência Moody's fez o dólar cair em relação aos seus principais rivais no início da semana, após vários ganhos consecutivos. Como justificativa para o rebaixamento, a agência citou o aumento da dívida dos EUA e os juros a níveis "significativamente mais altos do que os de [países] soberanos com classificação semelhante". "As sucessivas administrações e o Congresso dos EUA falharam em chegar a um acordo sobre medidas para reverter a tendência de grandes déficits fiscais anuais e custos crescentes de juros", disse a Moody's em um comunicado. "Isso acontece em um momento delicado para o governo, que tenta aprovar um orçamento no Congresso até o início de julho. Isso levanta novas questões legítimas sobre o déficit, o status de refúgio dos títulos do Tesouro e o dólar", disse Kenneth Broux, chefe de pesquisa corporativa de câmbio e taxas do Société Générale. Acordos sobre tarifas O mercado também continua à espera de possíveis novos acordos dos EUA com seus parceiros comerciais, para diminuir os impactos do tarifaço de Trump. Além da trégua com a China, no início deste mês, Washington assinou um acordo com o Reino Unido. Trump também já disse anteriormente que tem possíveis acordos com a Índia, com o Japão e com a Coreia do Sul no radar. ???? A lógica do mercado é que o aumento das tarifas sobre produtos importados pelos EUA pode elevar os preços finais e os custos de produção, pressionando a inflação e reduzindo o consumo — o que pode levar a uma desaceleração da maior economia do mundo ou até mesmo a uma recessão global. Nesta terça-feira (20), o presidente da distrital do Fed em St. Louis, Alberto Musalem, afirmou que mesmo após o acordo entre EUA e China, o mercado de trabalho parece estar enfraquecendo e os preços devem subir. Ele destacou, ainda, que uma resposta equilibrada da política monetária permanece "viável", caso a população continue esperando que a inflação caia para a meta de 2%. Segundo Musalem, no entanto, sem expectativas de inflação bem ancoradas, o Fed deve "priorizar a estabilidade de preços diante de pressões inflacionárias persistentes". O banqueiro central ainda indicou que a alta incerteza em relação às políticas de Trump pode desacelerar significativamente a economia, à medida que famílias e empresas suspendem gastos e investimentos enquanto aguardam por mais clareza. "Na medida em que a economia exige que os gastos de capital continuem ocorrendo, que exige que as contratações continuem ocorrendo, e se todas essas decisões foram de alguma forma suspensas devido à incerteza, isso afetaria a perspectiva econômica", afirmou Musalem. E no Brasil? Por aqui, o mercado financeiro está à espera da divulgação, nesta quinta (22), do relatório bimestral de receitas e despesas do governo. Há uma expectativa de que a equipe econômica faça uma contenção significativa de despesas já nesta primeira publicação, a fim de passar a mensagem de que vai adotar as medidas necessárias para cumprir a meta fiscal de 2025. Na última segunda-feira (19), uma fala do presidente do Banco Central do Brasil (BC), Gabriel Galípolo, animou os investidores. Ele disse que faz sentido manter os juros em patamar alto por mais tempo, reforçando o compromisso do BC de conter a inflação no país. A instituição tem dito claramente que uma desaceleração da economia brasileira é um "elemento necessário para a convergência da inflação à meta". ???? A lógica é que juros mais altos desestimulam o consumo, pois fica mais caro fazer empréstimos ou compras a prazo. Ao reduzir o consumo, a demanda por produtos diminui, o que ajuda a controlar a inflação, que ocorre quando a oferta não acompanha a demanda. Assim, se o governo amplia os gastos e anuncia ações para estimular a economia, pode ficar mais difícil conter as pressões inflacionárias, segundo analistas.

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