Medidas para melhorar supervisão e regras do FGC estão sendo estudadas após caso Master, diz Galípolo

Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa de entrevista à imprensa em Brasília 27/03/2025 Reuters O presidente do Banco Central do Brasil (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (11) que uma série de medidas estão sendo estudadas para aprimorar a supervisão do mercado e as regras do Fundo Garantidos de Créditos (FGC) após o caso do Banco Master. Entre as medidas, disse o banqueiro central, está o quanto uma instituição poderá aumentar seus investimentos usando dinheiro de terceiros, e uma definição melhor dos limites que obrigam essa instituição a guardar parte dos recursos ou comprar ativos mais seguros — como títulos públicos, por exemplo — como forma de proteção. Galípolo ainda cita uma medida que está em consulta pública e que olha para a qualidade dos ativos, de forma a evitar que instituições que captam dinheiro de pessoas físicas, usem esses recursos de forma incompatível — como, por exemplo, pegando dinheiro que pode ser sacado a qualquer momento e investindo em aplicações de longo prazo. "Não quero dizer que não pode voltar a acontecer a liquidação de outro banco, mas isso é meio que polícia e ladrão. Você fecha uma porta e eles vão tentar abrir outra", disse Galípolo em evento do BTG Pactual, reiterando a importância do sistema financeiro de adaptar suas regras para evitar novos casos. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 O presidente do BC também reiterou a importância da ajuda do sistema financeiro e da Polícia Federal nos casos de fraude que aconteceram no último ano. "Tivemos um evento específico, que foi o caso Master, mas também tivemos uma série de ataques que demandaram respostas rápidas e ativas do Banco Central, de entender por onde estava acontecendo aquele problema e de que maneira poderíamos apertas as regras", afirmou. Galípolo se referiu, nesse caso, ao ataque cibernético que afetou pelo menos seis instituições financeiras quando, em julho do ano passado, a C&M Software — uma empresa de tecnologia que conecta bancos menores e fintechs ao PIX — teve seus sistemas invadidos, gerando prejuízos de centenas de bilhões de dólares. "Foi essencial contar com a parceria das principais instituições do mercado, para que a gente pudesse fazer uma dosagem correta. Para não atrapalhar quem estava no mercado de maneira regular e conseguir simplesmente fechar as portas de quem estava tentando fazer mau uso", afirmou Galípolo. "Isso é um trabalho contínuo." Cortes de juros e meta de inflação O presidente do BC também afirmou que o atual momento do país e do mundo trazem uma série de incertezas que podem influenciar na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), explicando que esse é o motivo pelo qual a instituição deve aguardar dados que reforcem sua confiança em iniciar o ciclo de cortes de juros. "Estamos em um ambiente em que temos diversas fontes de incerteza", afirmou Galípolo, destacando dúvidas quanto aos rumos da geopolítica internacional, da política econômica dos Estados Unidos e de outros países e a incerteza sobre o ano eleitoral brasileiro. "É uma correlação de variáveis econômicas que não têm sido bem comportadas. Então ainda que a política monetária tenha, sim, conseguido trazer o nível do crescimento da economia brasileira para um nível mais baixo, inflação corrente para um patamar mais baixo ainda temos outras variáveis no Brasil que dificultam extrair uma evidência mais clara [sobre o futuro dos juros]", disse. O banqueiro central afirmou, ainda, que a indicação por parte do Copom de que um ajuste nos juros só comece a partir de março é justamente para ajudar o comitê a "reunir maior confiança" para o ciclo de cortes de juros. *Esta reportagem está em atualização

Fev 11, 2026 - 11:00
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Medidas para melhorar supervisão e regras do FGC estão sendo estudadas após caso Master, diz Galípolo

Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa de entrevista à imprensa em Brasília 27/03/2025 Reuters O presidente do Banco Central do Brasil (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (11) que uma série de medidas estão sendo estudadas para aprimorar a supervisão do mercado e as regras do Fundo Garantidos de Créditos (FGC) após o caso do Banco Master. Entre as medidas, disse o banqueiro central, está o quanto uma instituição poderá aumentar seus investimentos usando dinheiro de terceiros, e uma definição melhor dos limites que obrigam essa instituição a guardar parte dos recursos ou comprar ativos mais seguros — como títulos públicos, por exemplo — como forma de proteção. Galípolo ainda cita uma medida que está em consulta pública e que olha para a qualidade dos ativos, de forma a evitar que instituições que captam dinheiro de pessoas físicas, usem esses recursos de forma incompatível — como, por exemplo, pegando dinheiro que pode ser sacado a qualquer momento e investindo em aplicações de longo prazo. "Não quero dizer que não pode voltar a acontecer a liquidação de outro banco, mas isso é meio que polícia e ladrão. Você fecha uma porta e eles vão tentar abrir outra", disse Galípolo em evento do BTG Pactual, reiterando a importância do sistema financeiro de adaptar suas regras para evitar novos casos. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 O presidente do BC também reiterou a importância da ajuda do sistema financeiro e da Polícia Federal nos casos de fraude que aconteceram no último ano. "Tivemos um evento específico, que foi o caso Master, mas também tivemos uma série de ataques que demandaram respostas rápidas e ativas do Banco Central, de entender por onde estava acontecendo aquele problema e de que maneira poderíamos apertas as regras", afirmou. Galípolo se referiu, nesse caso, ao ataque cibernético que afetou pelo menos seis instituições financeiras quando, em julho do ano passado, a C&M Software — uma empresa de tecnologia que conecta bancos menores e fintechs ao PIX — teve seus sistemas invadidos, gerando prejuízos de centenas de bilhões de dólares. "Foi essencial contar com a parceria das principais instituições do mercado, para que a gente pudesse fazer uma dosagem correta. Para não atrapalhar quem estava no mercado de maneira regular e conseguir simplesmente fechar as portas de quem estava tentando fazer mau uso", afirmou Galípolo. "Isso é um trabalho contínuo." Cortes de juros e meta de inflação O presidente do BC também afirmou que o atual momento do país e do mundo trazem uma série de incertezas que podem influenciar na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), explicando que esse é o motivo pelo qual a instituição deve aguardar dados que reforcem sua confiança em iniciar o ciclo de cortes de juros. "Estamos em um ambiente em que temos diversas fontes de incerteza", afirmou Galípolo, destacando dúvidas quanto aos rumos da geopolítica internacional, da política econômica dos Estados Unidos e de outros países e a incerteza sobre o ano eleitoral brasileiro. "É uma correlação de variáveis econômicas que não têm sido bem comportadas. Então ainda que a política monetária tenha, sim, conseguido trazer o nível do crescimento da economia brasileira para um nível mais baixo, inflação corrente para um patamar mais baixo ainda temos outras variáveis no Brasil que dificultam extrair uma evidência mais clara [sobre o futuro dos juros]", disse. O banqueiro central afirmou, ainda, que a indicação por parte do Copom de que um ajuste nos juros só comece a partir de março é justamente para ajudar o comitê a "reunir maior confiança" para o ciclo de cortes de juros. *Esta reportagem está em atualização

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