Saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep acende alerta sobre o futuro dos preços do petróleo

Uma vista de drone mostra uma plataforma de petróleo offshore na Baía de Guanabara, em Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Pilar Olivares / Reuters A saída dos Emirados Árabes Unidos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da Opep+ — que reúne aliados estratégicos do grupo — nesta terça-feira (27) traz uma nova dinâmica para o mercado global da commodity e pode afetar os preços à frente. A decisão ocorre em meio ao choque energético histórico provocado pela guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã e representa um duro golpe para os grupos exportadores de petróleo. ????️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Segundo especialistas consultados pela Reuters, o impacto deve ser limitado no curto e médio prazo, uma vez que a principal preocupação do mercado de petróleo no momento não é a produção, mas o transporte da commodity, afetado pelo fechamento do Estreito de Ormuz. “O anúncio de hoje não altera nada nesse aspecto”, afirmou à Reuters o estrategista sênior de pesquisa da Pepperstone, Michael Brown. Veja os vídeos em alta no g1 Vídeos em alta no g1 "A meta de produção pré-conflito dos Emirados Árabes Unidos, de 5 milhões de barris por dia em 2027, agora pode se mostrar mais provável de ser alcançada, o que, por sua vez, ajudará os preços de referência do petróleo bruto a se normalizarem mais rapidamente assim que o conflito em curso no Oriente Médio chegar ao fim", completou. Ainda assim, segundo especialistas, a decisão levanta preocupações sobre os eventuais impactos na capacidade da Opep de gerir os preços do petróleo. "Com o tempo, essa saída levanta uma questão estratégica mais ampla: se outros produtores começarem a priorizar a participação de mercado em detrimento da disciplina de cotas, a capacidade da Opep de gerir mercados de forma ordenada por meio de ajustes coordenados na oferta poderá ser cada vez mais questionada", alertou o especialista do Saxo Bank, Ole Hansen, à Reuters. Atualmente, a Opep exerce grande influência sobre os preços do petróleo no mercado internacional por meio da coordenação da oferta e da demanda entre os países produtores e exportadores da commodity. ➡️ Funciona assim: em vez de definir um preço fixo para a commodity, o grupo firma acordos de produção para ajustar a quantidade de petróleo disponível no mercado. São estabelecidas metas (ou cotas) para cada país que, quando cumpridas, ajudam a elevar ou reduzir os preços. Assim, quando há excesso de oferta no mercado global, o grupo reduz a quantidade de barris disponíveis, o que tende a pressionar os preços para cima. Já em períodos de demanda mais elevada, a produção pode ser ampliada para conter altas mais intensas nos preços. Entre os países exportadores, os Emirados Árabes Unidos são o quarto maior produtor de petróleo do mundo e detêm a quinta maior reserva da commodity. "A saída dos Emirados Árabes Unidos representa uma mudança significativa para a Opep. Juntamente com a Arábia Saudita, é um dos poucos membros com capacidade ociosa relevante — mecanismo através do qual o grupo exerce influência no mercado", explicou o analista da Rystad, Jorge Leon, à Reuters. Com isso, afirmou Leon, a principal implicação da decisão é uma Opep “estruturalmente mais fraca” no longo prazo. “Fora do grupo, os Emirados Árabes Unidos teriam tanto o incentivo quanto a capacidade de aumentar a produção. Isso levanta questões mais amplas sobre a sustentabilidade do papel da Arábia Saudita como principal estabilizadora do mercado e aponta para um setor potencialmente mais volátil, à medida que a capacidade da Opep de suavizar desequilíbrios de oferta diminui”, completou. Especialistas explicam que, apesar dos impactos negativos no longo prazo, a decisão dos Emirados Árabes Unidos de deixar o grupo não surpreendeu o mercado, já que o país tem discordado da política geral da Opep há anos. Segundo o analista sênior do Centro Carnegie Rússia‑Eurásia, Sergey Vakulenko, os Emirados Árabes Unidos projetam aumentar a produção em até 30%, avanço que seria difícil de alcançar dentro das limitações impostas pela organização. “Agora, provavelmente, é o momento menos prejudicial para anunciar essa decisão. Os preços do petróleo estão elevados e há escassez real devido ao fechamento do Estreito de Ormuz. Quando a passagem for reaberta, a demanda deve continuar alta, já que os países estarão recompondo as reservas consumidas desde fevereiro, o que tende a sustentar os preços”, avaliou Vakulenko à Reuters. *Com informações da agência de notícias Reuters

Abr 28, 2026 - 12:00
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Saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep acende alerta sobre o futuro dos preços do petróleo

Uma vista de drone mostra uma plataforma de petróleo offshore na Baía de Guanabara, em Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Pilar Olivares / Reuters A saída dos Emirados Árabes Unidos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da Opep+ — que reúne aliados estratégicos do grupo — nesta terça-feira (27) traz uma nova dinâmica para o mercado global da commodity e pode afetar os preços à frente. A decisão ocorre em meio ao choque energético histórico provocado pela guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã e representa um duro golpe para os grupos exportadores de petróleo. ????️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Segundo especialistas consultados pela Reuters, o impacto deve ser limitado no curto e médio prazo, uma vez que a principal preocupação do mercado de petróleo no momento não é a produção, mas o transporte da commodity, afetado pelo fechamento do Estreito de Ormuz. “O anúncio de hoje não altera nada nesse aspecto”, afirmou à Reuters o estrategista sênior de pesquisa da Pepperstone, Michael Brown. Veja os vídeos em alta no g1 Vídeos em alta no g1 "A meta de produção pré-conflito dos Emirados Árabes Unidos, de 5 milhões de barris por dia em 2027, agora pode se mostrar mais provável de ser alcançada, o que, por sua vez, ajudará os preços de referência do petróleo bruto a se normalizarem mais rapidamente assim que o conflito em curso no Oriente Médio chegar ao fim", completou. Ainda assim, segundo especialistas, a decisão levanta preocupações sobre os eventuais impactos na capacidade da Opep de gerir os preços do petróleo. "Com o tempo, essa saída levanta uma questão estratégica mais ampla: se outros produtores começarem a priorizar a participação de mercado em detrimento da disciplina de cotas, a capacidade da Opep de gerir mercados de forma ordenada por meio de ajustes coordenados na oferta poderá ser cada vez mais questionada", alertou o especialista do Saxo Bank, Ole Hansen, à Reuters. Atualmente, a Opep exerce grande influência sobre os preços do petróleo no mercado internacional por meio da coordenação da oferta e da demanda entre os países produtores e exportadores da commodity. ➡️ Funciona assim: em vez de definir um preço fixo para a commodity, o grupo firma acordos de produção para ajustar a quantidade de petróleo disponível no mercado. São estabelecidas metas (ou cotas) para cada país que, quando cumpridas, ajudam a elevar ou reduzir os preços. Assim, quando há excesso de oferta no mercado global, o grupo reduz a quantidade de barris disponíveis, o que tende a pressionar os preços para cima. Já em períodos de demanda mais elevada, a produção pode ser ampliada para conter altas mais intensas nos preços. Entre os países exportadores, os Emirados Árabes Unidos são o quarto maior produtor de petróleo do mundo e detêm a quinta maior reserva da commodity. "A saída dos Emirados Árabes Unidos representa uma mudança significativa para a Opep. Juntamente com a Arábia Saudita, é um dos poucos membros com capacidade ociosa relevante — mecanismo através do qual o grupo exerce influência no mercado", explicou o analista da Rystad, Jorge Leon, à Reuters. Com isso, afirmou Leon, a principal implicação da decisão é uma Opep “estruturalmente mais fraca” no longo prazo. “Fora do grupo, os Emirados Árabes Unidos teriam tanto o incentivo quanto a capacidade de aumentar a produção. Isso levanta questões mais amplas sobre a sustentabilidade do papel da Arábia Saudita como principal estabilizadora do mercado e aponta para um setor potencialmente mais volátil, à medida que a capacidade da Opep de suavizar desequilíbrios de oferta diminui”, completou. Especialistas explicam que, apesar dos impactos negativos no longo prazo, a decisão dos Emirados Árabes Unidos de deixar o grupo não surpreendeu o mercado, já que o país tem discordado da política geral da Opep há anos. Segundo o analista sênior do Centro Carnegie Rússia‑Eurásia, Sergey Vakulenko, os Emirados Árabes Unidos projetam aumentar a produção em até 30%, avanço que seria difícil de alcançar dentro das limitações impostas pela organização. “Agora, provavelmente, é o momento menos prejudicial para anunciar essa decisão. Os preços do petróleo estão elevados e há escassez real devido ao fechamento do Estreito de Ormuz. Quando a passagem for reaberta, a demanda deve continuar alta, já que os países estarão recompondo as reservas consumidas desde fevereiro, o que tende a sustentar os preços”, avaliou Vakulenko à Reuters. *Com informações da agência de notícias Reuters

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