Tarifaço derrubado: quais os próximos passos e como a decisão pode afetar o Brasil
Suprema Corte dos Estados Unidos. AP Photo/J. Scott Applewhite, File A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira (20) que o aumento de tarifas imposto pelo presidente Donald Trump a diversos países não tem base legal. A decisão pode influenciar medidas aplicadas a outros parceiros comerciais, incluindo o Brasil. O julgamento decidiu que Trump não poderia impor tarifas de forma unilateral, sem aval do Congresso. A decisão é vista por analistas como um divisor de águas, com potencial para afetar o dólar, os juros, o comércio global e também a economia brasileira. ????Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Pela Constituição dos EUA, cabe ao Congresso criar impostos e tarifas. Trump, no entanto, sustentava que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), de 1977, autoriza o presidente a adotar esse tipo de medida em situações excepcionais. Embora a lei já tenha sido usada para embasar sanções e restrições comerciais, nunca havia servido de base para tarifas de alcance tão amplo. Esse é justamente o ponto questionado por empresas e governos estaduais americanos. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 As tarifas acabam de vez? Na prática, a decisão da Suprema Corte derruba as chamadas “tarifas recíprocas” de 10% ou mais, aplicadas desde abril de 2025 à maioria dos parceiros comerciais dos Estados Unidos com base na IEEPA. No entanto, isso não significa que o governo perdeu totalmente o poder de criar impostos sobre importações. Segundo a Corte, as medidas aplicadas especificamente sob essa lei foram invalidadas, mas ainda existem outras formas legais de impor tarifas. O voto dissidente do juiz Brett Kavanaugh destacou que o presidente pode recorrer a outras leis federais em diferentes situações, como: Lei de Expansão Comercial de 1962 (Seção 232): Permite ajustes em importações que ameacem a segurança nacional. Lei de Comércio de 1974 (Seções 122, 201 e 301): Autoriza tarifas para lidar com déficits comerciais, proteger indústrias americanas ou responder a práticas comerciais desleais. Lei de Tarifas de 1930 (Seção 338): Dá poder para impor tarifas a países que discriminem o comércio dos EUA. ????Vale destacar que as tarifas específicas sobre importações de aço e alumínio, incluindo produtos brasileiros, não são afetadas pela decisão, pois foram aplicadas com base na Seção 232 do Trade Expansion Act de 1962, voltada exclusivamente à segurança nacional. É o caso das exportações brasileiras de aço e alumínio para os EUA, que estão sujeitas a tarifas que variam entre 25 % e 50 %. A tarifa padrão começou em 25 % em março de 2025 e, posteriormente, foi elevada para 50 % em diversos produtos de aço, alumínio e seus derivados. Reembolso bilionário Além disso, embora a Suprema Corte tenha considerado as tarifas ilegais, a cobrança deve ser suspensa, mas isso não garante a devolução automática do dinheiro já arrecadado, segundo Jackson Campos, especialista em comércio exterior. “Parte das tarifas já recolhidas pode ser reembolsada, mas isso depende de ações administrativas e judiciais individuais das empresas”, afirma. ???? Ou seja, companhias que pagaram as tarifas terão de entrar com pedidos específicos para tentar recuperar os valores. Trump havia alertado para o impacto financeiro de uma derrota. Em postagem na rede Truth Social na segunda-feira, ele afirmou que uma decisão contrária poderia obrigar os EUA a devolver centenas de bilhões de dólares e gerar um cenário de “completo caos”. De acordo com economistas do Penn-Wharton Budget Model, esse valor pode ultrapassar US$ 175 bilhões (aproximadamente R$ 912,5 bilhões). Para o mercado financeiro, a derrota de Trump tende a enfraquecer o dólar. “Sem a pressão inflacionária das tarifas, o Fed ganha espaço para cortar juros, o que torna o dólar menos atrativo”, diz Campos. Nesse cenário, os investidores ficam mais dispostos a correr riscos e aplicar recursos em mercados emergentes, incluindo o Brasil. Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, reforça qye a decisão desta sexta-feira limita o uso de tarifas como instrumento político permanente pelo presidente. Segundo ela, isso tende a reduzir a incerteza no cenário econômico mundial e, em geral, é visto como positivo pelos mercados. "Os mercados estão reagindo positivamente, com uma menor incerteza jurídica e menores custos para as companhias listadas, especialmente as que têm cadeias globais de suprimentos e vendas. As tarifas não resultaram em choques inflacionários em um primeiro momento, mas podem pesar sobre o crescimento." Na prática, isso significa: O dólar perde força no mercado internacional; Aumenta a entrada de capital em países emergentes; O real tende a se valorizar frente ao dólar; As expectativas de juros no Brasil podem cair. Próximos passos O governo Trump já sinalizou que pode buscar outras bases legais para impor tarifas, como regras de segurança nacional ou alegar práticas comerciais desleais. Isso significa

Suprema Corte dos Estados Unidos. AP Photo/J. Scott Applewhite, File A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira (20) que o aumento de tarifas imposto pelo presidente Donald Trump a diversos países não tem base legal. A decisão pode influenciar medidas aplicadas a outros parceiros comerciais, incluindo o Brasil. O julgamento decidiu que Trump não poderia impor tarifas de forma unilateral, sem aval do Congresso. A decisão é vista por analistas como um divisor de águas, com potencial para afetar o dólar, os juros, o comércio global e também a economia brasileira. ????Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Pela Constituição dos EUA, cabe ao Congresso criar impostos e tarifas. Trump, no entanto, sustentava que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), de 1977, autoriza o presidente a adotar esse tipo de medida em situações excepcionais. Embora a lei já tenha sido usada para embasar sanções e restrições comerciais, nunca havia servido de base para tarifas de alcance tão amplo. Esse é justamente o ponto questionado por empresas e governos estaduais americanos. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 As tarifas acabam de vez? Na prática, a decisão da Suprema Corte derruba as chamadas “tarifas recíprocas” de 10% ou mais, aplicadas desde abril de 2025 à maioria dos parceiros comerciais dos Estados Unidos com base na IEEPA. No entanto, isso não significa que o governo perdeu totalmente o poder de criar impostos sobre importações. Segundo a Corte, as medidas aplicadas especificamente sob essa lei foram invalidadas, mas ainda existem outras formas legais de impor tarifas. O voto dissidente do juiz Brett Kavanaugh destacou que o presidente pode recorrer a outras leis federais em diferentes situações, como: Lei de Expansão Comercial de 1962 (Seção 232): Permite ajustes em importações que ameacem a segurança nacional. Lei de Comércio de 1974 (Seções 122, 201 e 301): Autoriza tarifas para lidar com déficits comerciais, proteger indústrias americanas ou responder a práticas comerciais desleais. Lei de Tarifas de 1930 (Seção 338): Dá poder para impor tarifas a países que discriminem o comércio dos EUA. ????Vale destacar que as tarifas específicas sobre importações de aço e alumínio, incluindo produtos brasileiros, não são afetadas pela decisão, pois foram aplicadas com base na Seção 232 do Trade Expansion Act de 1962, voltada exclusivamente à segurança nacional. É o caso das exportações brasileiras de aço e alumínio para os EUA, que estão sujeitas a tarifas que variam entre 25 % e 50 %. A tarifa padrão começou em 25 % em março de 2025 e, posteriormente, foi elevada para 50 % em diversos produtos de aço, alumínio e seus derivados. Reembolso bilionário Além disso, embora a Suprema Corte tenha considerado as tarifas ilegais, a cobrança deve ser suspensa, mas isso não garante a devolução automática do dinheiro já arrecadado, segundo Jackson Campos, especialista em comércio exterior. “Parte das tarifas já recolhidas pode ser reembolsada, mas isso depende de ações administrativas e judiciais individuais das empresas”, afirma. ???? Ou seja, companhias que pagaram as tarifas terão de entrar com pedidos específicos para tentar recuperar os valores. Trump havia alertado para o impacto financeiro de uma derrota. Em postagem na rede Truth Social na segunda-feira, ele afirmou que uma decisão contrária poderia obrigar os EUA a devolver centenas de bilhões de dólares e gerar um cenário de “completo caos”. De acordo com economistas do Penn-Wharton Budget Model, esse valor pode ultrapassar US$ 175 bilhões (aproximadamente R$ 912,5 bilhões). Para o mercado financeiro, a derrota de Trump tende a enfraquecer o dólar. “Sem a pressão inflacionária das tarifas, o Fed ganha espaço para cortar juros, o que torna o dólar menos atrativo”, diz Campos. Nesse cenário, os investidores ficam mais dispostos a correr riscos e aplicar recursos em mercados emergentes, incluindo o Brasil. Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, reforça qye a decisão desta sexta-feira limita o uso de tarifas como instrumento político permanente pelo presidente. Segundo ela, isso tende a reduzir a incerteza no cenário econômico mundial e, em geral, é visto como positivo pelos mercados. "Os mercados estão reagindo positivamente, com uma menor incerteza jurídica e menores custos para as companhias listadas, especialmente as que têm cadeias globais de suprimentos e vendas. As tarifas não resultaram em choques inflacionários em um primeiro momento, mas podem pesar sobre o crescimento." Na prática, isso significa: O dólar perde força no mercado internacional; Aumenta a entrada de capital em países emergentes; O real tende a se valorizar frente ao dólar; As expectativas de juros no Brasil podem cair. Próximos passos O governo Trump já sinalizou que pode buscar outras bases legais para impor tarifas, como regras de segurança nacional ou alegar práticas comerciais desleais. Isso significa que o julgamento não elimina totalmente a incerteza, mas reduz o poder do presidente de agir de forma repentina e unilateral. “O principal efeito no curto prazo não é financeiro, mas a redução da insegurança jurídica”, avalia Campos. "Para a economia dos EUA, a derrubada das tarifas tende a reduzir custos de importação, aliviar pressões inflacionárias e melhorar a competitividade da indústria. Por outro lado, há perda de arrecadação e impacto político interno", afirma Jackson Campos. Para o Brasil, a derrota do presidente americano abre espaço para a retomada das exportações, com preços mais previsíveis e menor pressão sobre o câmbio. Durante o tarifaço, as exportações do Brasil para os EUA se distribuiam, de forma geral, em dois grupos: produtos que entram no país sem tarifas adicionais e mercadorias sujeitas a uma sobretaxa de 40%. Em 2025, Donald Trump aplicou tarifas sobre produtos brasileiros em três momentos-chave: Começou com 10% em abril, de taxa ampla para todos os produtos; A tarifa subiu para até 50% em julho, com entrada em vigor em agosto e uma lista de 700 itens excluídos do tarifaço; Em novembro, a tarifa de 10% foi retirada, mantendo apenas a taxa maior sobre determinados produtos e foram retiradas as tarifas de 40% para uma nova lista de produtos, incluindo café, carnes e frutas.
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