Ações da Casas Bahia despencam na bolsa e passam de mais de R$ 400 para centavos em 5 anos
Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial As ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3) protagonizam uma das maiores quedas da Bolsa brasileira dos últimos anos. Depois de valerem mais de R$ 400 no auge da empresa, em 2020, os papéis passaram a ser negociados por centavos, refletindo a grave crise financeira enfrentada pela varejista. ????️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Na sexta-feira (14), último pregão antes do anúncio do pedido de recuperação judicial, as ações fecharam cotadas a R$ 0,66. No pico histórico, em 2020, o valor ajustado do papel havia chegado a cerca de R$ 489,08. Quem comprou ações da empresa naquele período de maior valorização viu, assim, boa parte do investimento se dissolver ao longo dos anos. Nesta segunda-feira (17), por volta das 13h41, os papéis da companhia eram negociados a R$ 0,49 — queda de 25,76%. Desde o pico histórico, as ações acumulam desvalorização de 99,86%. O que explica a queda? A desvalorização ocorreu gradualmente, acompanhando a piora dos resultados financeiros da companhia e um cenário econômico mais difícil para o varejo. Na petição de recuperação judicial, a empresa afirma que a crise foi provocada por uma combinação de fatores, entre eles: aumento dos investimentos em tecnologia e logística para competir no comércio eletrônico; impacto da pandemia sobre as lojas físicas; forte alta dos juros a partir de 2021; aumento do custo das dívidas; queda do consumo das famílias e maior inadimplência. Segundo a companhia, os juros elevados afetaram especialmente seu modelo de negócios, que depende de financiamento para manter estoques e oferecer crédito aos clientes. Com isso, uma parcela cada vez maior do dinheiro gerado pela operação passou a ser destinada ao pagamento de despesas financeiras. Plano de reestruturação não foi suficiente Em 2023, a empresa iniciou um plano de transformação para reduzir custos. Entre as medidas estavam o fechamento de 55 lojas, a redução de cerca de 8.600 postos de trabalho, o corte de investimentos e a diminuição dos estoques. No ano seguinte, a companhia renegociou parte das dívidas por meio de uma recuperação extrajudicial, considerada bem-sucedida pela própria empresa. Mesmo assim, a empresa afirmou que o ambiente econômico continuou desfavorável e que a pressão financeira permaneceu elevada. No pedido de recuperação judicial ao qual o g1 teve acesso, a Casas Bahia informou que aprofundou a reestruturação, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas. Atualmente, o grupo afirma empregar mais de 20 mil pessoas. Empresa virou uma 'penny stock' Com a cotação abaixo de R$ 1, as ações da Casas Bahia passaram a integrar o grupo de papéis conhecidos no mercado como "penny stocks". ???? O termo "penny stock" é usado para designar ações negociadas por menos de R$ 1. Em geral, esses papéis apresentam forte volatilidade e podem estar associados a empresas que atravessam momentos de grande dificuldade financeira. O preço baixo, porém, não significa, por si só, que uma ação esteja "barata". Desde o pedido de recuperação extrajudicial, em abril de 2024, os papéis acumulam queda de 87,9%. Na época, eram negociados a R$ 7,30. A empresa abriu capital na bolsa em dezembro de 2013, quando ainda se chamava Via Varejo. Na época, a operação movimentou cerca de R$ 2,8 bilhões. Ao longo dos anos, a companhia mudou de nome para Via S.A. e, posteriormente, para Grupo Casas Bahia, quando passou a adotar o ticker BHIA3. Treze anos depois da estreia na bolsa, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas e reorganizar sua situação financeira. Recuperação judicial O Grupo Casas Bahia anunciou, na noite de domingo (16), que protocolou um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui a companhia e outras nove empresas do grupo, com o objetivo de reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações. O pedido foi apresentado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais, e ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária. Segundo a empresa, o cenário de juros elevados, crédito mais restrito e queda no consumo comprometeu sua capacidade de gerar caixa. A companhia tentou captar recursos ao longo do último ano e meio — incluindo negociações com investidores no Brasil, nos EUA e na Europa e uma possível oferta de ações —, mas a operação considerada mais estratégica não avançou após a desistência do investidor âncora. Outras alternativas, como empréstimos-ponte, também não se concretizaram. Prejuízo bilionário no 2º trimestre Ainda no domingo, a empresa divulgou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Desse total, R$ 9,1 bilhões correspondem a ajustes contábeis sem impacto imediato no caixa. Apesar disso, alguns indicadores melhoraram. A receita líquida cresceu

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial As ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3) protagonizam uma das maiores quedas da Bolsa brasileira dos últimos anos. Depois de valerem mais de R$ 400 no auge da empresa, em 2020, os papéis passaram a ser negociados por centavos, refletindo a grave crise financeira enfrentada pela varejista. ????️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Na sexta-feira (14), último pregão antes do anúncio do pedido de recuperação judicial, as ações fecharam cotadas a R$ 0,66. No pico histórico, em 2020, o valor ajustado do papel havia chegado a cerca de R$ 489,08. Quem comprou ações da empresa naquele período de maior valorização viu, assim, boa parte do investimento se dissolver ao longo dos anos. Nesta segunda-feira (17), por volta das 13h41, os papéis da companhia eram negociados a R$ 0,49 — queda de 25,76%. Desde o pico histórico, as ações acumulam desvalorização de 99,86%. O que explica a queda? A desvalorização ocorreu gradualmente, acompanhando a piora dos resultados financeiros da companhia e um cenário econômico mais difícil para o varejo. Na petição de recuperação judicial, a empresa afirma que a crise foi provocada por uma combinação de fatores, entre eles: aumento dos investimentos em tecnologia e logística para competir no comércio eletrônico; impacto da pandemia sobre as lojas físicas; forte alta dos juros a partir de 2021; aumento do custo das dívidas; queda do consumo das famílias e maior inadimplência. Segundo a companhia, os juros elevados afetaram especialmente seu modelo de negócios, que depende de financiamento para manter estoques e oferecer crédito aos clientes. Com isso, uma parcela cada vez maior do dinheiro gerado pela operação passou a ser destinada ao pagamento de despesas financeiras. Plano de reestruturação não foi suficiente Em 2023, a empresa iniciou um plano de transformação para reduzir custos. Entre as medidas estavam o fechamento de 55 lojas, a redução de cerca de 8.600 postos de trabalho, o corte de investimentos e a diminuição dos estoques. No ano seguinte, a companhia renegociou parte das dívidas por meio de uma recuperação extrajudicial, considerada bem-sucedida pela própria empresa. Mesmo assim, a empresa afirmou que o ambiente econômico continuou desfavorável e que a pressão financeira permaneceu elevada. No pedido de recuperação judicial ao qual o g1 teve acesso, a Casas Bahia informou que aprofundou a reestruturação, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas. Atualmente, o grupo afirma empregar mais de 20 mil pessoas. Empresa virou uma 'penny stock' Com a cotação abaixo de R$ 1, as ações da Casas Bahia passaram a integrar o grupo de papéis conhecidos no mercado como "penny stocks". ???? O termo "penny stock" é usado para designar ações negociadas por menos de R$ 1. Em geral, esses papéis apresentam forte volatilidade e podem estar associados a empresas que atravessam momentos de grande dificuldade financeira. O preço baixo, porém, não significa, por si só, que uma ação esteja "barata". Desde o pedido de recuperação extrajudicial, em abril de 2024, os papéis acumulam queda de 87,9%. Na época, eram negociados a R$ 7,30. A empresa abriu capital na bolsa em dezembro de 2013, quando ainda se chamava Via Varejo. Na época, a operação movimentou cerca de R$ 2,8 bilhões. Ao longo dos anos, a companhia mudou de nome para Via S.A. e, posteriormente, para Grupo Casas Bahia, quando passou a adotar o ticker BHIA3. Treze anos depois da estreia na bolsa, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas e reorganizar sua situação financeira. Recuperação judicial O Grupo Casas Bahia anunciou, na noite de domingo (16), que protocolou um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui a companhia e outras nove empresas do grupo, com o objetivo de reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações. O pedido foi apresentado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais, e ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária. Segundo a empresa, o cenário de juros elevados, crédito mais restrito e queda no consumo comprometeu sua capacidade de gerar caixa. A companhia tentou captar recursos ao longo do último ano e meio — incluindo negociações com investidores no Brasil, nos EUA e na Europa e uma possível oferta de ações —, mas a operação considerada mais estratégica não avançou após a desistência do investidor âncora. Outras alternativas, como empréstimos-ponte, também não se concretizaram. Prejuízo bilionário no 2º trimestre Ainda no domingo, a empresa divulgou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Desse total, R$ 9,1 bilhões correspondem a ajustes contábeis sem impacto imediato no caixa. Apesar disso, alguns indicadores melhoraram. A receita líquida cresceu 1,6%, para R$ 6,98 bilhões, enquanto as vendas online avançaram 15,3%, para R$ 2,8 bilhões, de acordo com o balanço da companhia. A empresa também comunicou a saída do vice-presidente Jurídico e Tributário, Fábio Spina, que será substituído por Sírley Lima, além das saídas de Jackson Schneider e Rogério Calderón do Conselho de Administração. Calderón permanecerá à frente de comitês internos da companhia. Movimentação de clientes em Loja das Casas Bahia, na zona sul da capital paulista, nesta segunda-feira, 29 de abril de 2024. RENATO S. CERQUEIRA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
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