Ações da Casas Bahia despencam na Bolsa e passam de mais de R$ 400 para centavos em cinco anos
As ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3) protagonizam uma das maiores quedas da Bolsa brasileira dos últimos anos.
Depois de valerem mais de R$ 400 no auge da empresa, em 2020, os papéis passaram a ser negociados por centavos, refletindo a grave crise financeira enfrentada pela varejista.
Na sexta-feira (14), último pregão antes do anúncio do pedido de recuperação judicial, as ações fecharam cotadas a R$ 0,66. Cinco anos antes, no pico histórico, o valor ajustado do papel havia chegado a cerca de R$ 489,08.
Quem comprou ações da empresa naquele período de maior valorização viu, assim, boa parte do investimento se dissolver ao longo dos anos.
Nesta segunda-feira (17), por volta das 10h41, os papéis da companhia eram negociados a R$ 0,46 — queda de 30%. Desde o pico histórico, as ações acumulam desvalorização de 99,86%.
O que explica a queda?
A desvalorização aconteceu gradualmente, acompanhando a piora dos resultados financeiros da companhia e um cenário econômico mais difícil para o varejo.
Na petição de recuperação judicial, a empresa afirma que a crise foi causada por uma combinação de fatores, entre eles:
aumento dos investimentos em tecnologia e logística para competir no comércio eletrônico;
impacto da pandemia sobre as lojas físicas;
forte alta dos juros a partir de 2021;
aumento do custo das dívidas;
queda do consumo das famílias e maior inadimplência.
Segundo a companhia, os juros elevados atingiram especialmente seu modelo de negócios, que depende de financiamento para manter estoques e oferecer crédito aos clientes.
Com isso, uma parcela cada vez maior do dinheiro gerado pela operação passou a ser destinada ao pagamento de despesas financeiras.
Plano de reestruturação não foi suficiente
Em 2023, a empresa iniciou um plano de transformação para reduzir custos. Entre as medidas estavam o fechamento de 55 lojas, a redução de cerca de 8.600 postos de trabalho, corte de investimentos e diminuição dos estoques.
No ano seguinte, a companhia renegociou parte das dívidas por meio de uma recuperação extrajudicial, considerada bem-sucedida pela própria empresa.
Mesmo assim, afirmou que o ambiente econômico continuou desfavorável e que a pressão financeira permaneceu elevada.
No pedido de recuperação judicial a qual o g1 teve acesso, a Casas Bahia informou que aprofundou a reestruturação, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas. Atualmente, o grupo afirma empregar mais de 20 mil pessoas.
Empresa virou uma "penny stock"
Com a cotação abaixo de R$ 1, as ações da Casas Bahia passaram a integrar o grupo conhecido no mercado como "penny stocks".
Esse termo é usado para designar ações negociadas por menos de R$ 1. Em geral, esses papéis costumam apresentar forte volatilidade e refletem empresas que atravessam momentos de grande dificuldade financeira — embora o preço baixo, por si só, não signifique que uma ação esteja "barata".
Desde o pedido de recuperação extrajudicial, em abril de 2024, os papéis acumulam perda de 87,9%. Na época, eram negociados a R$ 7,30; antes da recuperação judicial, fecharam a R$ 0,66.
A empresa abriu capital na Bolsa em dezembro de 2013, quando ainda se chamava Via Varejo. Na época, a operação movimentou cerca de R$ 2,8 bilhões. Ao longo dos anos, a companhia mudou de nome para Via S.A. e, posteriormente, para Grupo Casas Bahia, adotando o ticker BHIA3.
Treze anos depois da estreia na Bolsa, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas e tentar reorganizar sua situação financeira.
As ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3) protagonizam uma das maiores quedas da Bolsa brasileira dos últimos anos.
Depois de valerem mais de R$ 400 no auge da empresa, em 2020, os papéis passaram a ser negociados por centavos, refletindo a grave crise financeira enfrentada pela varejista.
Na sexta-feira (14), último pregão antes do anúncio do pedido de recuperação judicial, as ações fecharam cotadas a R$ 0,66. Cinco anos antes, no pico histórico, o valor ajustado do papel havia chegado a cerca de R$ 489,08.
Quem comprou ações da empresa naquele período de maior valorização viu, assim, boa parte do investimento se dissolver ao longo dos anos.
Nesta segunda-feira (17), por volta das 10h41, os papéis da companhia eram negociados a R$ 0,46 — queda de 30%. Desde o pico histórico, as ações acumulam desvalorização de 99,86%.
O que explica a queda?
A desvalorização aconteceu gradualmente, acompanhando a piora dos resultados financeiros da companhia e um cenário econômico mais difícil para o varejo.
Na petição de recuperação judicial, a empresa afirma que a crise foi causada por uma combinação de fatores, entre eles:
aumento dos investimentos em tecnologia e logística para competir no comércio eletrônico;
impacto da pandemia sobre as lojas físicas;
forte alta dos juros a partir de 2021;
aumento do custo das dívidas;
queda do consumo das famílias e maior inadimplência.
Segundo a companhia, os juros elevados atingiram especialmente seu modelo de negócios, que depende de financiamento para manter estoques e oferecer crédito aos clientes.
Com isso, uma parcela cada vez maior do dinheiro gerado pela operação passou a ser destinada ao pagamento de despesas financeiras.
Plano de reestruturação não foi suficiente
Em 2023, a empresa iniciou um plano de transformação para reduzir custos. Entre as medidas estavam o fechamento de 55 lojas, a redução de cerca de 8.600 postos de trabalho, corte de investimentos e diminuição dos estoques.
No ano seguinte, a companhia renegociou parte das dívidas por meio de uma recuperação extrajudicial, considerada bem-sucedida pela própria empresa.
Mesmo assim, afirmou que o ambiente econômico continuou desfavorável e que a pressão financeira permaneceu elevada.
No pedido de recuperação judicial a qual o g1 teve acesso, a Casas Bahia informou que aprofundou a reestruturação, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas. Atualmente, o grupo afirma empregar mais de 20 mil pessoas.
Empresa virou uma "penny stock"
Com a cotação abaixo de R$ 1, as ações da Casas Bahia passaram a integrar o grupo conhecido no mercado como "penny stocks".
Esse termo é usado para designar ações negociadas por menos de R$ 1. Em geral, esses papéis costumam apresentar forte volatilidade e refletem empresas que atravessam momentos de grande dificuldade financeira — embora o preço baixo, por si só, não signifique que uma ação esteja "barata".
Desde o pedido de recuperação extrajudicial, em abril de 2024, os papéis acumulam perda de 87,9%. Na época, eram negociados a R$ 7,30; antes da recuperação judicial, fecharam a R$ 0,66.
A empresa abriu capital na Bolsa em dezembro de 2013, quando ainda se chamava Via Varejo. Na época, a operação movimentou cerca de R$ 2,8 bilhões. Ao longo dos anos, a companhia mudou de nome para Via S.A. e, posteriormente, para Grupo Casas Bahia, adotando o ticker BHIA3.
Treze anos depois da estreia na Bolsa, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas e tentar reorganizar sua situação financeira.