Braskem despenca mais de 6% após pedido de recuperação extrajudicial tirar ações de 18 índices da B3

Logo da Braskem no complexo de Triunfo REUTERS/Diego Vara As ações da Braskem (BRKM5) fecharam em queda de 6,71% nesta segunda-feira (24), a R$ 4,73. A baixa ocorreu no mesmo dia em que a companhia anunciou um pedido recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões (R$ 56 bilhões) em dívidas. Além da recuperação extrajudicial, a Braskem terá outra mudança importante na Bolsa. A agência Bovespa informou que as ações da companhia — tanto as ordinárias (BRKM3) quanto as preferenciais (BRKM5) — serão retiradas de uma série de índices. A exclusão ocorrerá após o encerramento do pregão regular desta terça-feira (25), pelo preço de fechamento. A medida vale para os índices IGCX, ICO2, IBXX, IMAT, IGCT, IBRA, INDX, ISEE, ITAG, IBHB, IBEP, IBEW, IBBE, IBBC, SMLL, IBBR, SCSR e IBOV. Entre eles está o Ibovespa (IBOV), principal índice da Bolsa, além do IBrX (IBXX), do Small Caps (SMLL) e de outros indicadores de referência do mercado. "Índice de bolsa é como uma cesta que reúne as principais ações do país, e o Ibovespa é a mais conhecida delas. Muita gente investe sem saber, porque fundo de previdência, fundo de índice e carteira de banco compram exatamente essa cesta, e não escolhem ação por ação. Quando a B3 tira uma empresa dessa cesta, todo mundo que segue o índice precisa vender aquele papel, não porque avaliou a companhia, mas porque o manual do fundo obriga", explica Matheus Matos, sócio da MA7 Capital. Segundo a agência, a exclusão ocorre porque, a partir de terça-feira, os negócios com os papéis da Braskem passarão a ser listados sob o título de “Recuperação Extrajudicial”. A participação que hoje pertence à Braskem nos índices será redistribuída proporcionalmente entre os demais ativos que integram cada carteira, com os ajustes correspondentes nos redutores dos índices. Vale destacar que a saída dos índices não significa que as ações da Braskem deixarão de ser negociadas na Bolsa. Os papéis BRKM3 e BRKM5 continuarão listados e poderão ser negociados normalmente. A mudança significa que eles deixarão de fazer parte das carteiras teóricas desses índices. "Embora esse movimento seja negativo, seu impacto tende a ser secundário diante do cenário complexo e delicado enfrentado pela empresa", tranquiliza Rodrigo Boselli, gestor de renda variável da Rio Bravo Investimentos. O pedido de RE da Braskem No comunicado divulgado nesta segunda-feira, a Braskem afirmou que a recuperação extrajudicial ficará restrita às dívidas financeiras e não afetará as obrigações com fornecedores e clientes. Segundo a empresa, esses compromissos continuam sendo cumpridos normalmente. Braskem diz que vai pedir recuperação extrajudicial por dívida de R$ 56 bilhões "A Braskem esclarece que a Recuperação Extrajudicial possui escopo limitado, estritamente financeiro, e não abrange quaisquer obrigações da Companhia com seus fornecedores, clientes e demais stakeholders, as quais permanecem vigentes e seguem sendo cumpridas normalmente, nos termos dos respectivos contratos", diz a empresa, em nota. Justiça determina que Braskem indenize CBTU por interrupção de VLT Para Gustavo Assis, CEO da Asset Wealth Management, o problema pirncipal da empresa continua sendo a RE, e não a repercussão na Bolsa. "O efeito é muito mais oncentrado na própria companhia e em seus acionistas [...]. A exclusão dos índices é uma consequência desse cenário, e não a origem do problema". Quando protocolar oficialmente o pedido de recuperação extrajudicial, a Braskem firmará um acordo com os credores para reorganizar as dívidas, incluindo novos prazos e condições de pagamento.

Ago 24, 2026 - 18:00
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Braskem despenca mais de 6% após pedido de recuperação extrajudicial tirar ações de 18 índices da B3

Logo da Braskem no complexo de Triunfo REUTERS/Diego Vara As ações da Braskem (BRKM5) fecharam em queda de 6,71% nesta segunda-feira (24), a R$ 4,73. A baixa ocorreu no mesmo dia em que a companhia anunciou um pedido recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões (R$ 56 bilhões) em dívidas. Além da recuperação extrajudicial, a Braskem terá outra mudança importante na Bolsa. A agência Bovespa informou que as ações da companhia — tanto as ordinárias (BRKM3) quanto as preferenciais (BRKM5) — serão retiradas de uma série de índices. A exclusão ocorrerá após o encerramento do pregão regular desta terça-feira (25), pelo preço de fechamento. A medida vale para os índices IGCX, ICO2, IBXX, IMAT, IGCT, IBRA, INDX, ISEE, ITAG, IBHB, IBEP, IBEW, IBBE, IBBC, SMLL, IBBR, SCSR e IBOV. Entre eles está o Ibovespa (IBOV), principal índice da Bolsa, além do IBrX (IBXX), do Small Caps (SMLL) e de outros indicadores de referência do mercado. "Índice de bolsa é como uma cesta que reúne as principais ações do país, e o Ibovespa é a mais conhecida delas. Muita gente investe sem saber, porque fundo de previdência, fundo de índice e carteira de banco compram exatamente essa cesta, e não escolhem ação por ação. Quando a B3 tira uma empresa dessa cesta, todo mundo que segue o índice precisa vender aquele papel, não porque avaliou a companhia, mas porque o manual do fundo obriga", explica Matheus Matos, sócio da MA7 Capital. Segundo a agência, a exclusão ocorre porque, a partir de terça-feira, os negócios com os papéis da Braskem passarão a ser listados sob o título de “Recuperação Extrajudicial”. A participação que hoje pertence à Braskem nos índices será redistribuída proporcionalmente entre os demais ativos que integram cada carteira, com os ajustes correspondentes nos redutores dos índices. Vale destacar que a saída dos índices não significa que as ações da Braskem deixarão de ser negociadas na Bolsa. Os papéis BRKM3 e BRKM5 continuarão listados e poderão ser negociados normalmente. A mudança significa que eles deixarão de fazer parte das carteiras teóricas desses índices. "Embora esse movimento seja negativo, seu impacto tende a ser secundário diante do cenário complexo e delicado enfrentado pela empresa", tranquiliza Rodrigo Boselli, gestor de renda variável da Rio Bravo Investimentos. O pedido de RE da Braskem No comunicado divulgado nesta segunda-feira, a Braskem afirmou que a recuperação extrajudicial ficará restrita às dívidas financeiras e não afetará as obrigações com fornecedores e clientes. Segundo a empresa, esses compromissos continuam sendo cumpridos normalmente. Braskem diz que vai pedir recuperação extrajudicial por dívida de R$ 56 bilhões "A Braskem esclarece que a Recuperação Extrajudicial possui escopo limitado, estritamente financeiro, e não abrange quaisquer obrigações da Companhia com seus fornecedores, clientes e demais stakeholders, as quais permanecem vigentes e seguem sendo cumpridas normalmente, nos termos dos respectivos contratos", diz a empresa, em nota. Justiça determina que Braskem indenize CBTU por interrupção de VLT Para Gustavo Assis, CEO da Asset Wealth Management, o problema pirncipal da empresa continua sendo a RE, e não a repercussão na Bolsa. "O efeito é muito mais oncentrado na própria companhia e em seus acionistas [...]. A exclusão dos índices é uma consequência desse cenário, e não a origem do problema". Quando protocolar oficialmente o pedido de recuperação extrajudicial, a Braskem firmará um acordo com os credores para reorganizar as dívidas, incluindo novos prazos e condições de pagamento.

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