Como é feito o foie gras, alimento que foi proibido por Lula e reacendeu a tensão comercial com a França
Método para produção de foie gras, com tubo enfiado na garganta da ave, é considerado cruel Bebeto Matthews/Arquivo/AP Photo O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta sexta-feira (24) o projeto de lei que proíbe a produção e a venda de produtos obtidos por meio da alimentação forçada de animais. Entre eles, está o foie gras, produto da culinária francesa feito com fígado gordo de pato ou ganso. ????Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A norma, publicada no Diário Oficial da União, especifica que a proibição inclui a produção e a comercialização de foie gras, tanto in natura como enlatado. Quem descumprir a regra poderá ser punido com prisão de três meses a um ano, além de multa, conforme prevê a Lei de Crimes Ambientais para casos de maus-tratos a animais. Como é feito o foie gras Traduzido como "fígado gordo" em português, a produção do foie gras envolve uma técnica conhecida como gavage, na qual patos ou gansos recebem grandes quantidades de alimento por meio de um tubo metálico introduzido no esôfago. O procedimento é realizado nas últimas semanas de vida das aves e tem como objetivo provocar o aumento do fígado. O processo costuma durar de duas a três semanas, com duas ou três sessões diárias. "Isso gera uma série de lesões na garganta, no esôfago ou até na face e no bico do animal", explica George Sturaro, diretor de políticas públicas da ONG Mercy For Animals. Segundo Sturaro, o fígado pode crescer até dez vezes além do tamanho normal, o que pode causar dor, alterações no metabolismo e estresse térmico nas aves. Gavage, técnica de alimentação forçada Mercy for Animals / divulgação Além disso, há outro agravante: muitas vezes o processo não é feito corretamente, o que provoca ainda mais ferimentos nos animais. "Você vê que as aves já até fogem quando chega o funcionário, porque já vira um manejo violento, não toma cuidado na hora de fazer a sondagem", afirma Patrycia Sato, presidente e diretora técnica da Alianima. Embora seja tradicionalmente consumido como uma iguaria em países como a França, o método de produção é alvo de críticas de entidades de proteção animal, que apontam sofrimento e impactos ao bem-estar das aves. Foie Gras é proibido no Brasil. REUTERS/Aline Massuca A volta da tensão comercial França-Brasil A nova medida do governo brasileiro reacendeu a tensão entre os governos do Brasil e da França. Isso porque os franceses são os principais produtores mundiais de foie gras. Segundo o Comitê Interprofissional de Aves Aquáticas para Foie Gras (Cifog), o Brasil representa um mercado anual de aproximadamente 1 milhão de euros, concentrado em restaurantes de alto padrão e importadores de grandes cidades. Antes mesmo da sanção presidencial, a entidade francesa havia pedido uma intervenção diplomática da União Europeia (UE) para tentar barrar a medida. Em maio, o Cifog classificou a futura proibição como uma “primeira violação” do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, firmado em dezembro após 25 anos de negociações. Mais do que o impacto econômico imediato, os produtores franceses temem o precedente que a decisão pode criar para outros produtos agrícolas europeus. O setor argumenta que o foie gras integra uma lista de indicações geográficas protegidas reconhecidas pelo acordo entre os dois blocos. A controvérsia se torna ainda mais sensível porque toca em um tema frequentemente defendido pelos próprios agricultores europeus: as chamadas “cláusulas-espelho”, que exigem que produtos importados respeitem padrões ambientais, sanitários ou de bem-estar animal semelhantes aos adotados pela União Europeia. Brasil proíbe foie gras após classificar técnica como maus-tratos

Método para produção de foie gras, com tubo enfiado na garganta da ave, é considerado cruel Bebeto Matthews/Arquivo/AP Photo O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta sexta-feira (24) o projeto de lei que proíbe a produção e a venda de produtos obtidos por meio da alimentação forçada de animais. Entre eles, está o foie gras, produto da culinária francesa feito com fígado gordo de pato ou ganso. ????Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A norma, publicada no Diário Oficial da União, especifica que a proibição inclui a produção e a comercialização de foie gras, tanto in natura como enlatado. Quem descumprir a regra poderá ser punido com prisão de três meses a um ano, além de multa, conforme prevê a Lei de Crimes Ambientais para casos de maus-tratos a animais. Como é feito o foie gras Traduzido como "fígado gordo" em português, a produção do foie gras envolve uma técnica conhecida como gavage, na qual patos ou gansos recebem grandes quantidades de alimento por meio de um tubo metálico introduzido no esôfago. O procedimento é realizado nas últimas semanas de vida das aves e tem como objetivo provocar o aumento do fígado. O processo costuma durar de duas a três semanas, com duas ou três sessões diárias. "Isso gera uma série de lesões na garganta, no esôfago ou até na face e no bico do animal", explica George Sturaro, diretor de políticas públicas da ONG Mercy For Animals. Segundo Sturaro, o fígado pode crescer até dez vezes além do tamanho normal, o que pode causar dor, alterações no metabolismo e estresse térmico nas aves. Gavage, técnica de alimentação forçada Mercy for Animals / divulgação Além disso, há outro agravante: muitas vezes o processo não é feito corretamente, o que provoca ainda mais ferimentos nos animais. "Você vê que as aves já até fogem quando chega o funcionário, porque já vira um manejo violento, não toma cuidado na hora de fazer a sondagem", afirma Patrycia Sato, presidente e diretora técnica da Alianima. Embora seja tradicionalmente consumido como uma iguaria em países como a França, o método de produção é alvo de críticas de entidades de proteção animal, que apontam sofrimento e impactos ao bem-estar das aves. Foie Gras é proibido no Brasil. REUTERS/Aline Massuca A volta da tensão comercial França-Brasil A nova medida do governo brasileiro reacendeu a tensão entre os governos do Brasil e da França. Isso porque os franceses são os principais produtores mundiais de foie gras. Segundo o Comitê Interprofissional de Aves Aquáticas para Foie Gras (Cifog), o Brasil representa um mercado anual de aproximadamente 1 milhão de euros, concentrado em restaurantes de alto padrão e importadores de grandes cidades. Antes mesmo da sanção presidencial, a entidade francesa havia pedido uma intervenção diplomática da União Europeia (UE) para tentar barrar a medida. Em maio, o Cifog classificou a futura proibição como uma “primeira violação” do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, firmado em dezembro após 25 anos de negociações. Mais do que o impacto econômico imediato, os produtores franceses temem o precedente que a decisão pode criar para outros produtos agrícolas europeus. O setor argumenta que o foie gras integra uma lista de indicações geográficas protegidas reconhecidas pelo acordo entre os dois blocos. A controvérsia se torna ainda mais sensível porque toca em um tema frequentemente defendido pelos próprios agricultores europeus: as chamadas “cláusulas-espelho”, que exigem que produtos importados respeitem padrões ambientais, sanitários ou de bem-estar animal semelhantes aos adotados pela União Europeia. Brasil proíbe foie gras após classificar técnica como maus-tratos
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