Conheça a Braskem, gigante petroquímica que vai entrar com pedido de recuperação extrajudicial no Brasil

Logo da Braskem no complexo de Triunfo REUTERS/Diego Vara A Braskem, uma das maiores petroquímicas do país, anunciou nesta segunda-feira (24) que vai entrar com um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas (aproximadamente R$ 59 bilhões). O Conselho de Administração da companhia aprovou o ajuizamento do pedido, mas o protocolo ainda depende da formalização dos documentos. A medida foi tomada após o fim do prazo de proteção contra credores obtido pela companhia, em meio às dificuldades financeiras enfrentadas pela petroquímica. ????️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A companhia é considerada uma das principais petroquímicas das Américas, com atuação global e forte presença em cadeias industriais estratégicas. Seus produtos estão presentes em itens do dia a dia, desde embalagens e materiais de construção até peças automotivas e insumos agrícolas. Conheça a Braskem e o que faz a gigante petroquímica que pediu recuperação extrajudicial no Brasil. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Criada em 2002, a Braskem surgiu da integração de ativos da antiga Odebrecht — atualmente Novonor — e do Grupo Mariani. A operação reuniu seis empresas petroquímicas e deu origem a uma estrutura integrada inédita no Brasil, consolidando a companhia como líder regional logo nos primeiros anos de fundação. Ao longo de sua trajetória, a Braskem ampliou sua presença por meio de aquisições e parcerias estratégicas, incluindo a incorporação de ativos no exterior. Esse movimento permitiu a expansão para mercados como Estados Unidos, Alemanha e México, além de reforçar sua posição como uma das maiores produtoras globais de resinas termoplásticas, que são a base de boa parte dos produtos plásticos usados atualmente. A Petrobras é uma das principais acionistas da Braskem e detém cerca de 47% do capital votante da companhia, além de ser uma das principais fornecedoras de matéria-prima, o que reforça sua integração com a cadeia de óleo e gás no Brasil. O que a Braskem faz A Braskem atua no setor químico e petroquímico, com foco na produção de resinas termoplásticas como polietileno (PE), polipropileno (PP) e policloreto de vinila (PVC). Esses materiais são fundamentais para a indústria de transformação e servem de base para a fabricação de uma ampla variedade de produtos. Além das resinas, a companhia produz insumos químicos básicos, como eteno, propeno, butadieno, benzeno e tolueno. Esses compostos são obtidos principalmente a partir de matérias-primas como petróleo, nafta, gás natural e etano. A operação da empresa é organizada de forma integrada: Primeira geração: produção de petroquímicos básicos a partir de matérias-primas fósseis ou renováveis; Segunda geração: transformação desses insumos em resinas termoplásticas; Terceira geração (clientes): empresas que utilizam essas resinas para fabricar produtos finais. Essa integração permite ganhos de escala e eficiência operacional, sendo um dos diferenciais competitivos da companhia. Presença global e números A Braskem possui operações em 11 países e conta com mais de 8 mil funcionários. Sua estrutura inclui 39 unidades industriais, 14 escritórios comerciais e 7 centros de inovação. A companhia atende clientes em mais de 70 países e, em 2025, registrou receita líquida de R$ 70,7 bilhões, com capacidade de produção superior a 12 milhões de toneladas de produtos químicos por ano. No segundo trimestre de 2026, a Braskem registrou receita de R$ 21,72 bilhões, alta de 22% em relação ao mesmo período do ano anterior. A empresa também reverteu o prejuízo registrado um ano antes e teve lucro líquido de R$ 3,33 bilhões, impulsionado pela melhora do mercado petroquímico internacional. ???? No mercado financeiro, suas ações são negociadas na B3 sob os códigos BRKM3, BRKM5 e BRKM6, além de ADRs listados na Bolsa de Nova York (NYSE), sob o ticker BAK. Considerando o fechamento das ações da última sexta-feira (21), a Braskem vale cerca de R$ 6,62 bilhões na bolsa brasileira. Apesar da escala, a empresa enfrenta um momento de pressão. O setor petroquímico global passa por um ciclo de baixa, com redução de demanda e aumento de custos, o que afeta diretamente os resultados. Estrutura acionária e desafios recentes Logo da Odebrecht Paulo Whitaker / Reuters A Braskem tem controle compartilhado entre a Petrobras e um fundo ligado à gestora IG4 Capital. A Petrobras detém cerca de 47% do capital votante (ações com direito a voto) e 36,1% do capital total da companhia. Já o fundo ligado à IG4 Capital possui 50,1% do capital votante, participação assumida após a aquisição da fatia anteriormente pertencente à Novonor. O restante das ações ordinárias e preferenciais está distribuído entre investidores no mercado. Atualmente, a Braskem é comandada por Helcio Tokeshi. Ele assumiu o cargo em junho deste ano, sucedendo a Roberto Ramos. Já o conselho de administração da companhia é presidido por Magda Chambriard, que

Ago 24, 2026 - 11:00
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Conheça a Braskem, gigante petroquímica que vai entrar com pedido de recuperação extrajudicial no Brasil

Logo da Braskem no complexo de Triunfo REUTERS/Diego Vara A Braskem, uma das maiores petroquímicas do país, anunciou nesta segunda-feira (24) que vai entrar com um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas (aproximadamente R$ 59 bilhões). O Conselho de Administração da companhia aprovou o ajuizamento do pedido, mas o protocolo ainda depende da formalização dos documentos. A medida foi tomada após o fim do prazo de proteção contra credores obtido pela companhia, em meio às dificuldades financeiras enfrentadas pela petroquímica. ????️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A companhia é considerada uma das principais petroquímicas das Américas, com atuação global e forte presença em cadeias industriais estratégicas. Seus produtos estão presentes em itens do dia a dia, desde embalagens e materiais de construção até peças automotivas e insumos agrícolas. Conheça a Braskem e o que faz a gigante petroquímica que pediu recuperação extrajudicial no Brasil. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Criada em 2002, a Braskem surgiu da integração de ativos da antiga Odebrecht — atualmente Novonor — e do Grupo Mariani. A operação reuniu seis empresas petroquímicas e deu origem a uma estrutura integrada inédita no Brasil, consolidando a companhia como líder regional logo nos primeiros anos de fundação. Ao longo de sua trajetória, a Braskem ampliou sua presença por meio de aquisições e parcerias estratégicas, incluindo a incorporação de ativos no exterior. Esse movimento permitiu a expansão para mercados como Estados Unidos, Alemanha e México, além de reforçar sua posição como uma das maiores produtoras globais de resinas termoplásticas, que são a base de boa parte dos produtos plásticos usados atualmente. A Petrobras é uma das principais acionistas da Braskem e detém cerca de 47% do capital votante da companhia, além de ser uma das principais fornecedoras de matéria-prima, o que reforça sua integração com a cadeia de óleo e gás no Brasil. O que a Braskem faz A Braskem atua no setor químico e petroquímico, com foco na produção de resinas termoplásticas como polietileno (PE), polipropileno (PP) e policloreto de vinila (PVC). Esses materiais são fundamentais para a indústria de transformação e servem de base para a fabricação de uma ampla variedade de produtos. Além das resinas, a companhia produz insumos químicos básicos, como eteno, propeno, butadieno, benzeno e tolueno. Esses compostos são obtidos principalmente a partir de matérias-primas como petróleo, nafta, gás natural e etano. A operação da empresa é organizada de forma integrada: Primeira geração: produção de petroquímicos básicos a partir de matérias-primas fósseis ou renováveis; Segunda geração: transformação desses insumos em resinas termoplásticas; Terceira geração (clientes): empresas que utilizam essas resinas para fabricar produtos finais. Essa integração permite ganhos de escala e eficiência operacional, sendo um dos diferenciais competitivos da companhia. Presença global e números A Braskem possui operações em 11 países e conta com mais de 8 mil funcionários. Sua estrutura inclui 39 unidades industriais, 14 escritórios comerciais e 7 centros de inovação. A companhia atende clientes em mais de 70 países e, em 2025, registrou receita líquida de R$ 70,7 bilhões, com capacidade de produção superior a 12 milhões de toneladas de produtos químicos por ano. No segundo trimestre de 2026, a Braskem registrou receita de R$ 21,72 bilhões, alta de 22% em relação ao mesmo período do ano anterior. A empresa também reverteu o prejuízo registrado um ano antes e teve lucro líquido de R$ 3,33 bilhões, impulsionado pela melhora do mercado petroquímico internacional. ???? No mercado financeiro, suas ações são negociadas na B3 sob os códigos BRKM3, BRKM5 e BRKM6, além de ADRs listados na Bolsa de Nova York (NYSE), sob o ticker BAK. Considerando o fechamento das ações da última sexta-feira (21), a Braskem vale cerca de R$ 6,62 bilhões na bolsa brasileira. Apesar da escala, a empresa enfrenta um momento de pressão. O setor petroquímico global passa por um ciclo de baixa, com redução de demanda e aumento de custos, o que afeta diretamente os resultados. Estrutura acionária e desafios recentes Logo da Odebrecht Paulo Whitaker / Reuters A Braskem tem controle compartilhado entre a Petrobras e um fundo ligado à gestora IG4 Capital. A Petrobras detém cerca de 47% do capital votante (ações com direito a voto) e 36,1% do capital total da companhia. Já o fundo ligado à IG4 Capital possui 50,1% do capital votante, participação assumida após a aquisição da fatia anteriormente pertencente à Novonor. O restante das ações ordinárias e preferenciais está distribuído entre investidores no mercado. Atualmente, a Braskem é comandada por Helcio Tokeshi. Ele assumiu o cargo em junho deste ano, sucedendo a Roberto Ramos. Já o conselho de administração da companhia é presidido por Magda Chambriard, que também é diretora-presidente da Petrobras. Nos últimos anos, a Novonor vinha tentando vender sua participação na Braskem. Em março, a empresa encerrou seu processo de recuperação judicial, após cinco anos. A IG4 Capital, por meio do fundo Shine, assumiu em junho de 2026 a participação da Novonor na Braskem e passou a dividir o controle da petroquímica com a Petrobras. Após a operação, a Novonor deixou o bloco de controle e permaneceu apenas como acionista minoritária, com 4% das ações preferenciais. Esse cenário adicionou incertezas à governança e ao futuro da empresa, ao mesmo tempo em que pressiona sua avaliação de mercado, que tem apresentado queda nos últimos meses. Nos últimos 12 meses, as ações BRKM5 desvalorizaram cerca de 40,70%. Exploração de sal-gema em Alagoas Famílias protestam na frente da Braskem, em Maceió Waldson Costa / G1 Um dos casos mais significativos e polêmicos da história recente da empresa aconteceu em Maceió e envolve a extração de sal-gema. ???? O sal-gema é uma matéria-prima essencial da indústria petroquímica. No caso da Braskem, ele entra na base da produção de químicos que acabam sendo transformados em plásticos e outros produtos usados no dia a dia. A atividade de mineração subterrânea, realizada por décadas, provocou instabilidade geológica em diversos bairros da capital alagoana. Regiões como Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto foram afetadas por rachaduras, afundamento do solo e risco de colapso estrutural. O problema levou à evacuação de mais de 55 mil pessoas desde 2019, além da interdição de imóveis e fechamento de milhares de estabelecimentos comerciais. Estudos indicaram que a técnica utilizada — baseada na injeção de água para dissolução do sal a centenas de metros de profundidade — comprometeu a estabilidade do solo, gerando crateras e colapsos em minas. Após o agravamento da situação, a Braskem interrompeu a exploração de sal-gema em 2019 e passou a firmar acordos com autoridades para indenização e realocação de moradores, além de implementar medidas de reparação socioambiental. A área segue sob monitoramento contínuo, e o caso continua gerando impactos financeiros, jurídicos e reputacionais para a companhia.

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