Em nome de Lula, Durigan acena com ajuste gradual das contas públicas para reduzir juros

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou nesta quinta-feira (20) que, em um eventual novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concorre novamente à reeleição, a equipe econômica promoverá um ajuste das contas públicas na mesma intensidade da gestão — de dois pontos do Produto Interno Bruto (PIB), um movimento gradual. Falando como representante da campanha de Lula à rádio CBN, o ministro declarou que o "arcabouço fiscal", a atual regra para as contas públicas aprovada em 2023, será mantida, e que a equipe econômica seguirá trabalhando em propostas para cortar gastos obrigatórios e retomar receitas, ou seja aumentar a arrecadação, "no que for injusto". "De modo que a gente faça um esforço fiscal, como foi feito nesse governo, que a gente fez um esforço fiscal de de 2% do PIB. Isso é o fundamental para as pessoas entenderem que não tem navegação no escuro. Que estamos prontos para fazer um esforço de mesma dimensão [em um eventual novo mandato de Lula]", disse o ministro da Fazenda. A estratégia de ajuste fiscal proposta pela campanha do candidato Lula, segundo o ministro, contempla manter gastos sociais para reduzir desigualdades e aumentar os investimentos, ao mesmo tempo em que permite, segundo sua visão, enfrentar o tema da (elevada) taxa de juros. Números oficiais Dados oficiais da Secretaria do Tesouro Nacional mostram que as contas do governo registraram um déficit primário (sem contar juros) de: R$ 258,5 bilhões em 2023 (2,1% do P(B); R$ 47,3 bilhões em 2024 (0,4% do PIB); R$ 62,6 bilhões em 2025 (0,5% do PIB); R$ 52 bilhões em 2027 (0,4% do PIB), projeção oficial. Deste modo, o ajuste implementado no primeiro mandato, se confirmadas as projeções do último relatório de receitas e despesas do orçamento, terá sido de 1,7 ponto percentual do PIB. O primeiro mandato do presidente Lula foi caracterizado pelo aumento de impostos, com a carga tributária batendo recordes históricos, e aumento de despesas - autorizado pela PEC da transição, que incorporou cerca de R$ 170 bilhões em despesas anuais nos orçamentos públicos de cada ano. A regra do arcabouço fiscal, por sua vez, buscou limitar o crescimento das despesas, mas gastos por fora da regra fiscal tem ampliado as despesas, pressionado a taxa de juros e, também, a dívida pública, que já avançou mais de 10 pontos percentuais no segundo mandato do presidente Lula, atingindo o maior nível desde a pandemia. Taxa de juros Atualmente em 14% ao ano, o juro básico brasileiro é o maior do mundo em termos reais, segundo ranking do MoneYou. Analistas observam, porém, que a curva de juros em mercado para prazos mais longos (que servem de base para a venda de títulos públicos) reflete as expectativas dos agentes econômicos para gastos públicos e atividade, entre outros, e, consequentemente, para a inflação.

Ago 20, 2026 - 09:00
 0  3
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou nesta quinta-feira (20) que, em um eventual novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concorre novamente à reeleição, a equipe econômica promoverá um ajuste das contas públicas na mesma intensidade da gestão — de dois pontos do Produto Interno Bruto (PIB), um movimento gradual. Falando como representante da campanha de Lula à rádio CBN, o ministro declarou que o "arcabouço fiscal", a atual regra para as contas públicas aprovada em 2023, será mantida, e que a equipe econômica seguirá trabalhando em propostas para cortar gastos obrigatórios e retomar receitas, ou seja aumentar a arrecadação, "no que for injusto". "De modo que a gente faça um esforço fiscal, como foi feito nesse governo, que a gente fez um esforço fiscal de de 2% do PIB. Isso é o fundamental para as pessoas entenderem que não tem navegação no escuro. Que estamos prontos para fazer um esforço de mesma dimensão [em um eventual novo mandato de Lula]", disse o ministro da Fazenda. A estratégia de ajuste fiscal proposta pela campanha do candidato Lula, segundo o ministro, contempla manter gastos sociais para reduzir desigualdades e aumentar os investimentos, ao mesmo tempo em que permite, segundo sua visão, enfrentar o tema da (elevada) taxa de juros. Números oficiais Dados oficiais da Secretaria do Tesouro Nacional mostram que as contas do governo registraram um déficit primário (sem contar juros) de: R$ 258,5 bilhões em 2023 (2,1% do P(B); R$ 47,3 bilhões em 2024 (0,4% do PIB); R$ 62,6 bilhões em 2025 (0,5% do PIB); R$ 52 bilhões em 2027 (0,4% do PIB), projeção oficial. Deste modo, o ajuste implementado no primeiro mandato, se confirmadas as projeções do último relatório de receitas e despesas do orçamento, terá sido de 1,7 ponto percentual do PIB. O primeiro mandato do presidente Lula foi caracterizado pelo aumento de impostos, com a carga tributária batendo recordes históricos, e aumento de despesas - autorizado pela PEC da transição, que incorporou cerca de R$ 170 bilhões em despesas anuais nos orçamentos públicos de cada ano. A regra do arcabouço fiscal, por sua vez, buscou limitar o crescimento das despesas, mas gastos por fora da regra fiscal tem ampliado as despesas, pressionado a taxa de juros e, também, a dívida pública, que já avançou mais de 10 pontos percentuais no segundo mandato do presidente Lula, atingindo o maior nível desde a pandemia. Taxa de juros Atualmente em 14% ao ano, o juro básico brasileiro é o maior do mundo em termos reais, segundo ranking do MoneYou. Analistas observam, porém, que a curva de juros em mercado para prazos mais longos (que servem de base para a venda de títulos públicos) reflete as expectativas dos agentes econômicos para gastos públicos e atividade, entre outros, e, consequentemente, para a inflação.

Qual é a sua reação?

like

dislike

love

funny

angry

sad

wow