Governador do RJ diz que espera recuperar R$ 1,4 bilhão de aplicações do RioPrevidência no Master

O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, afirmou nesta segunda-feira (8) que há expectativa de recuperar cerca de R$ 1,4 bilhão dos recursos que o Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores públicos do estado do Rio, investiu no Banco Master. Segundo Ricardo Couto, o Estado do Rio aplicou mais de R$ 3 bilhões na instituição financeira. O governador em exercício participou nesta segunda, em Brasília, de uma reunião com o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Após o encontro, ele foi questionado por jornalistas sobre as relações do RioPrevidência com o Master – banco de Daniel Vorcaro que foi liquidado no ano passado após uma série de irregularidades. A reunião com Durigan teve outros temas. "Hoje, estamos estimando o Estado do Rio consiga resgatar cerca de 1,4 bilhão do que o despendeu. Fizemos uma estimativa e parece que o Estado do Rio de Janeira teve um aporte superior a R$ 3 bilhões, por incrível que pareça, mas nós estamos aí com todos os esforços possíveis para resgatar", disse o governador em exercício. Agora no g1 Couto afirmou ainda que o governo estadual já adotou medidas judiciais para buscar o ressarcimento dos valores. Segundo ele, decisões favoráveis ao Estado já foram obtidas. E parte dos recursos encontra-se bloqueada como garantia para eventual indenização. Como mostrou o g1, os aportes do RioPrevidência no Banco Master cresceram 7 vezes em um ano sem aval de comitê do Comitê de Investimentos da entidade. Além disso, o RioPrevidência foi o único cotista de dois fundos de investimentos ligados ao Banco Master, segundo representação da Polícia Federal enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com o documento, os fundos em que o RioPrevidência aparece como único cotista são o Arena Fundo de Investimento em Renda Fixa Título Público e o Horizonte I Fundo de Investimento Renda Fixa Longo Prazo. A PF afirma que a estrutura dessas aplicações levanta suspeitas porque os aportes ocorreram em fundos recém-criados ou com pouca trajetória, em contexto de investigação sobre a atuação do Banco Master na captação de recursos de regimes próprios de previdência social (RPPS), como os fundos de servidores estaduais e municipais. Dívida Na reunião com Durigan, Ricardo Couto tratou da dívida do estado com a União, que já chega a R$ 231 bilhões. O Rio de Janeiro aderiu ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) em 2017. Uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda em vigor, reduziu o valor das prestações pagas mensalmente pelo estado. No último mês, o pagamento foi de R$ 270 milhões. Com o fim da validade da decisão, previsto para julho, as parcelas passariam a R$ 436 milhões por mês, o que, segundo o governo estadual, tornaria inviável a prestação de serviços públicos essenciais. No fim do ano passado, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou uma lei que permite ao estado aderir ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Com a adesão ao programa, a parcela mensal da dívida cairia de R$ 436 milhões para R$ 119 milhões, o que representa uma economia de R$ 4 bilhões por ano. Os juros também são menores e podem chegar a zero. Diante desse cenário, o governador afirmou que está em discussão a apresentação de ativos do Estado à União para melhores condições de pagamento da dívida. "Os pontos que nós estamos levando é a perspectiva de termos o reconhecimento de um crédito por parte do governo do estado junto a Petrobras, a possibilidade de nós usarmos esse crédito junto à União até quem sabe para realizar o pagamento da dívida, o que poderia acarretar uma antecipação de 3 anos pela primeira vez, no âmbito dessa questão que envolve o estado do Rio e União", disse ele. "Nós também teríamos outras perspectivas aí como questões que envolvem valor de juros, correção, uma série de coisas que nós estamos vendo. E eu acho que até o final do mês, como mencionado, nós estaríamos assinando e o Rio de Janeiro entrará num outro processo graças à compreensão que estamos tendo do governo federal", complementou o governador em exercício. Sonegação da Refit O governador afirmou que participará, ainda nesta segunda-feira, de uma reunião no Ministério da Justiça para discutir outro tema: o futuro do terreno da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. Couto disse que estuda formas para desapropriar o terreno da refinaria, em Manguinhos — de cerca de 600 mil metros quadrados. A ideia é usar o valor de uma eventual venda para pagar as dívidas da empresa com os cofres públicos. O Grupo Refit é apontado como um dos maiores sonegadores de impostos do país. A dívida com o Estado já passa de R$ 13 bilhões. A crise da Refit ganhou destaque em setembro de 2025, quando a Agência Nacional de Petróleo (ANP) interditou a empresa, afirmando haver indícios de que era uma refinaria fantasma. O desembargador Ricardo Couto, presidente do TJ-RJ e governador em exercício do Rio Divulgação

Jun 8, 2026 - 17:00
 0  4
Governador do RJ diz que espera recuperar R$ 1,4 bilhão de aplicações do RioPrevidência no Master

O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, afirmou nesta segunda-feira (8) que há expectativa de recuperar cerca de R$ 1,4 bilhão dos recursos que o Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores públicos do estado do Rio, investiu no Banco Master. Segundo Ricardo Couto, o Estado do Rio aplicou mais de R$ 3 bilhões na instituição financeira. O governador em exercício participou nesta segunda, em Brasília, de uma reunião com o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Após o encontro, ele foi questionado por jornalistas sobre as relações do RioPrevidência com o Master – banco de Daniel Vorcaro que foi liquidado no ano passado após uma série de irregularidades. A reunião com Durigan teve outros temas. "Hoje, estamos estimando o Estado do Rio consiga resgatar cerca de 1,4 bilhão do que o despendeu. Fizemos uma estimativa e parece que o Estado do Rio de Janeira teve um aporte superior a R$ 3 bilhões, por incrível que pareça, mas nós estamos aí com todos os esforços possíveis para resgatar", disse o governador em exercício. Agora no g1 Couto afirmou ainda que o governo estadual já adotou medidas judiciais para buscar o ressarcimento dos valores. Segundo ele, decisões favoráveis ao Estado já foram obtidas. E parte dos recursos encontra-se bloqueada como garantia para eventual indenização. Como mostrou o g1, os aportes do RioPrevidência no Banco Master cresceram 7 vezes em um ano sem aval de comitê do Comitê de Investimentos da entidade. Além disso, o RioPrevidência foi o único cotista de dois fundos de investimentos ligados ao Banco Master, segundo representação da Polícia Federal enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com o documento, os fundos em que o RioPrevidência aparece como único cotista são o Arena Fundo de Investimento em Renda Fixa Título Público e o Horizonte I Fundo de Investimento Renda Fixa Longo Prazo. A PF afirma que a estrutura dessas aplicações levanta suspeitas porque os aportes ocorreram em fundos recém-criados ou com pouca trajetória, em contexto de investigação sobre a atuação do Banco Master na captação de recursos de regimes próprios de previdência social (RPPS), como os fundos de servidores estaduais e municipais. Dívida Na reunião com Durigan, Ricardo Couto tratou da dívida do estado com a União, que já chega a R$ 231 bilhões. O Rio de Janeiro aderiu ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) em 2017. Uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda em vigor, reduziu o valor das prestações pagas mensalmente pelo estado. No último mês, o pagamento foi de R$ 270 milhões. Com o fim da validade da decisão, previsto para julho, as parcelas passariam a R$ 436 milhões por mês, o que, segundo o governo estadual, tornaria inviável a prestação de serviços públicos essenciais. No fim do ano passado, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou uma lei que permite ao estado aderir ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Com a adesão ao programa, a parcela mensal da dívida cairia de R$ 436 milhões para R$ 119 milhões, o que representa uma economia de R$ 4 bilhões por ano. Os juros também são menores e podem chegar a zero. Diante desse cenário, o governador afirmou que está em discussão a apresentação de ativos do Estado à União para melhores condições de pagamento da dívida. "Os pontos que nós estamos levando é a perspectiva de termos o reconhecimento de um crédito por parte do governo do estado junto a Petrobras, a possibilidade de nós usarmos esse crédito junto à União até quem sabe para realizar o pagamento da dívida, o que poderia acarretar uma antecipação de 3 anos pela primeira vez, no âmbito dessa questão que envolve o estado do Rio e União", disse ele. "Nós também teríamos outras perspectivas aí como questões que envolvem valor de juros, correção, uma série de coisas que nós estamos vendo. E eu acho que até o final do mês, como mencionado, nós estaríamos assinando e o Rio de Janeiro entrará num outro processo graças à compreensão que estamos tendo do governo federal", complementou o governador em exercício. Sonegação da Refit O governador afirmou que participará, ainda nesta segunda-feira, de uma reunião no Ministério da Justiça para discutir outro tema: o futuro do terreno da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. Couto disse que estuda formas para desapropriar o terreno da refinaria, em Manguinhos — de cerca de 600 mil metros quadrados. A ideia é usar o valor de uma eventual venda para pagar as dívidas da empresa com os cofres públicos. O Grupo Refit é apontado como um dos maiores sonegadores de impostos do país. A dívida com o Estado já passa de R$ 13 bilhões. A crise da Refit ganhou destaque em setembro de 2025, quando a Agência Nacional de Petróleo (ANP) interditou a empresa, afirmando haver indícios de que era uma refinaria fantasma. O desembargador Ricardo Couto, presidente do TJ-RJ e governador em exercício do Rio Divulgação

Qual é a sua reação?

like

dislike

love

funny

angry

sad

wow