Produtores de tangerina poncan unem altitude e tecnologia para ter colheita o ano todo em Domingos Martins, no ES
Tangerina: produtores apostam no clima frio e na tecnologia para colher mais tarde A colheita de tangerina poncan em Domingos Martins, na Região Serrana do Espírito Santo, acontece em momentos diferentes entre as propriedades que cultivam o produto. Enquanto parte dos agricultores encerra a colheita em julho, safra padrão do fruto, outros produtores unem tecnologia e adaptações ao clima de altitude para começar a colheita mais tarde. Por conta dessa estratégia, a tangerina acaba sendo colhida praticamente durante todo o ano no estado: no período normal de safra e até nos meses que, teoricamente, seriam de entressafra. ???? Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp O município de Domingos Martins é o principal polo produtor de tangerina do estado. No ano passado, a região registrou uma produção de quase 15 mil toneladas, o que representa metade de toda a safra capixaba de tangerina poncan, segundo dados da Secretaria de Agricultura do Estado (Seag). Para os produtores, retardar a colheita é o caminho para suprir a falta de trabalhadores locais e obter melhor remuneração pelo produto no mercado. Diferença térmica dita o ritmo da colheita de tangerina poncan em Domingos Martins, no Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta Mecanização ajuda a suprir escassez de mão de obra O uso de maquinário moderno e novos equipamentos tem sido uma das alternativas para mitigar a falta de trabalhadores temporários na região do distrito de Aracê. Além do auxílio tecnológico, os produtores locais contam com sistemas de ajuda mútua entre vizinhos e amigos, prática conhecida como "camisada". Na propriedade do agricultor Sandro Salvador, que possui uma área de 4 hectares com 3.000 plantas, a colheita da poncan começou em julho. Ele estima colher entre 3.000 e 4.000 caixas nesta safra. Para dar conta do manejo, Sandro substituiu a pulverização foliar manual por um pulverizador acoplado ao trator, conhecido na região como "jatão". "Coisa que a gente gastava três a quatro dias, hoje estou gastando nem meio dia, eu consigo fazer. Antigamente, a gente tinha que carregar em cima do trator uma bombinha manual no caso e com a mangueira. Você fica arrastando aqui atrás dias e dias para lá e para cá". Sandro Salvador substituiu a pulverização foliar manual por um pulverizador acoplado ao trator para ampliar colheita Reprodução/TV Gazeta LEIA TAMBÉM: Pimenta-do-reino na cocada? Doce de sabor inusitado vira fonte de renda para produtores Curral eclético: vacas escutam de forró a música clássica e produzem mais leite em fazenda Comunidade faz mutirão para salvar colheita de café de produtor após acidente no ES: 'Largo o meu para ajudar o outro' De acordo com especialistas, a agilidade na pulverização e nutrição foliar é essencial para proteger a lavoura de pragas. Em março, por exemplo, o excesso de chuvas dificultou o tráfego manual nas plantações, gerando queda de frutos antes que o controle pudesse ser feito. Altitude e clima frio atrasam colheita nas montanhas O calendário da colheita em Domingos Martins é diretamente determinado pela altitude das propriedades, que variam de 700 a mais de 1.000 metros. Essa diversidade geográfica gera uma grande amplitude térmica no distrito de Aracê. Segundo técnicos agrícolas, quanto maior a altitude e mais frio o clima, mais lenta se torna a atividade fisiológica da planta. Esse fator prolonga o desenvolvimento da tangerina, mantendo o fruto preso ao pé de forma saudável por mais tempo. A diferença térmica dita o ritmo da colheita. Nas propriedades localizadas nas partes mais baixas, a colheita começou ainda no final de maio. Já nas lavouras situadas acima de 1.000 metros de altitude, o processo de colheita tem início apenas em meados de agosto. No entanto, a extensão da safra até o fim do mês depende do clima: o tempo seco e quente ajuda a esticar o prazo, enquanto a ocorrência de chuvas pode forçar uma colheita antecipada para evitar o apodrecimento das frutas. Foco na entressafra: colheita em setembro garante preço maior Produtores de tangerina poncan unem altitude e tecnologia para ter colheita o ano todo em Domingos Martins Reprodução/TV Gazeta No limite entre Domingos Martins e Venda Nova do Imigrante, a mais de 1.000 metros de altitude, a colheita do produtor José Rubens está apenas começando em agosto. Para reter os frutos no pé com qualidade, ele realiza um monitoramento rigoroso contra a mosca-da-fruta — um dos principais problemas do pomar — instalando armadilhas de feromônio ao redor da plantação. "Esse monitoramento é muito importante para que você saiba o que está acontecendo dentro do seu pomar. Se tem uma quantidade de mosca da fruta que você vê que tem que fazer algum procedimento, aí você coloca ou um fungicida ou um inseticida de acordo com a necessidade", explicou José Rubens. Após colhida, a poncan é submetida a uma triagem de classificação para atender a diferentes perfis de compradores. As frutas são organizadas em Padrão 1, Padrão 2, Poncan Mista (médias a gra
Tangerina: produtores apostam no clima frio e na tecnologia para colher mais tarde A colheita de tangerina poncan em Domingos Martins, na Região Serrana do Espírito Santo, acontece em momentos diferentes entre as propriedades que cultivam o produto. Enquanto parte dos agricultores encerra a colheita em julho, safra padrão do fruto, outros produtores unem tecnologia e adaptações ao clima de altitude para começar a colheita mais tarde. Por conta dessa estratégia, a tangerina acaba sendo colhida praticamente durante todo o ano no estado: no período normal de safra e até nos meses que, teoricamente, seriam de entressafra. ???? Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp O município de Domingos Martins é o principal polo produtor de tangerina do estado. No ano passado, a região registrou uma produção de quase 15 mil toneladas, o que representa metade de toda a safra capixaba de tangerina poncan, segundo dados da Secretaria de Agricultura do Estado (Seag). Para os produtores, retardar a colheita é o caminho para suprir a falta de trabalhadores locais e obter melhor remuneração pelo produto no mercado. Diferença térmica dita o ritmo da colheita de tangerina poncan em Domingos Martins, no Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta Mecanização ajuda a suprir escassez de mão de obra O uso de maquinário moderno e novos equipamentos tem sido uma das alternativas para mitigar a falta de trabalhadores temporários na região do distrito de Aracê. Além do auxílio tecnológico, os produtores locais contam com sistemas de ajuda mútua entre vizinhos e amigos, prática conhecida como "camisada". Na propriedade do agricultor Sandro Salvador, que possui uma área de 4 hectares com 3.000 plantas, a colheita da poncan começou em julho. Ele estima colher entre 3.000 e 4.000 caixas nesta safra. Para dar conta do manejo, Sandro substituiu a pulverização foliar manual por um pulverizador acoplado ao trator, conhecido na região como "jatão". "Coisa que a gente gastava três a quatro dias, hoje estou gastando nem meio dia, eu consigo fazer. Antigamente, a gente tinha que carregar em cima do trator uma bombinha manual no caso e com a mangueira. Você fica arrastando aqui atrás dias e dias para lá e para cá". Sandro Salvador substituiu a pulverização foliar manual por um pulverizador acoplado ao trator para ampliar colheita Reprodução/TV Gazeta LEIA TAMBÉM: Pimenta-do-reino na cocada? Doce de sabor inusitado vira fonte de renda para produtores Curral eclético: vacas escutam de forró a música clássica e produzem mais leite em fazenda Comunidade faz mutirão para salvar colheita de café de produtor após acidente no ES: 'Largo o meu para ajudar o outro' De acordo com especialistas, a agilidade na pulverização e nutrição foliar é essencial para proteger a lavoura de pragas. Em março, por exemplo, o excesso de chuvas dificultou o tráfego manual nas plantações, gerando queda de frutos antes que o controle pudesse ser feito. Altitude e clima frio atrasam colheita nas montanhas O calendário da colheita em Domingos Martins é diretamente determinado pela altitude das propriedades, que variam de 700 a mais de 1.000 metros. Essa diversidade geográfica gera uma grande amplitude térmica no distrito de Aracê. Segundo técnicos agrícolas, quanto maior a altitude e mais frio o clima, mais lenta se torna a atividade fisiológica da planta. Esse fator prolonga o desenvolvimento da tangerina, mantendo o fruto preso ao pé de forma saudável por mais tempo. A diferença térmica dita o ritmo da colheita. Nas propriedades localizadas nas partes mais baixas, a colheita começou ainda no final de maio. Já nas lavouras situadas acima de 1.000 metros de altitude, o processo de colheita tem início apenas em meados de agosto. No entanto, a extensão da safra até o fim do mês depende do clima: o tempo seco e quente ajuda a esticar o prazo, enquanto a ocorrência de chuvas pode forçar uma colheita antecipada para evitar o apodrecimento das frutas. Foco na entressafra: colheita em setembro garante preço maior Produtores de tangerina poncan unem altitude e tecnologia para ter colheita o ano todo em Domingos Martins Reprodução/TV Gazeta No limite entre Domingos Martins e Venda Nova do Imigrante, a mais de 1.000 metros de altitude, a colheita do produtor José Rubens está apenas começando em agosto. Para reter os frutos no pé com qualidade, ele realiza um monitoramento rigoroso contra a mosca-da-fruta — um dos principais problemas do pomar — instalando armadilhas de feromônio ao redor da plantação. "Esse monitoramento é muito importante para que você saiba o que está acontecendo dentro do seu pomar. Se tem uma quantidade de mosca da fruta que você vê que tem que fazer algum procedimento, aí você coloca ou um fungicida ou um inseticida de acordo com a necessidade", explicou José Rubens. Após colhida, a poncan é submetida a uma triagem de classificação para atender a diferentes perfis de compradores. As frutas são organizadas em Padrão 1, Padrão 2, Poncan Mista (médias a grandes) e separadas de acordo com as dimensões (graúda em uma caixa, média-pequena em outra). A principal estratégia comercial de José Rubens, contudo, baseia-se em árvores antigas que ele identificou em sua lavoura após anos de observação. Estas plantas possuem características genéticas naturais que atrasam a maturação e seguram os frutos nos galhos mesmo após o término geral da safra na região. "São variedades que conseguem chegar com a maturação a partir de setembro, quando a maioria dos produtores já não tem mais a poncan. E é um período em que ela pega um preço muito superior ao de hoje", conclui o produtor. Produtores de tangerina poncan unem altitude e tecnologia para ter colheita o ano todo em Domingos Martins Reprodução/TV Gazeta Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
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