Shein tem estreia discreta na bolsa de valores de Hong Kong e arrecada US$ 1,7 bilhão

Shein REUTERS/Sarah Meyssonnier A gigante do fast-fashion Shein teve uma estreia discreta na Bolsa de Hong Kong nesta terça-feira (1º), arrecadando US$ 1,7 bilhão (R$ 8,8 bilhões) em sua oferta pública inicial de ações (IPO). Os planos da empresa de listar suas ações em Nova York e Londres foram frustrados por questões regulatórias. Em julho, porém, a Shein recebeu autorização das autoridades chinesas para realizar a oferta em Hong Kong. ????️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 As ações chegaram a despencar 10% na abertura do pregão nesta terça-feira. Depois, recuperaram parte das perdas e fecharam o dia com queda de apenas 0,1%, a US$ 6,18 (R$ 32,01). A aguardada estreia na bolsa avaliou a empresa em aproximadamente US$ 26,3 bilhões (R$ 136 bilhões), com preço inicial de US$ 6,19 (R$ 32,07) por ação. Agora no g1 O valor é significativamente menor que os quase US$ 100 bilhões (R$ 518 bilhões, na cotação atual) que a empresa chegou a valer em uma rodada de investimentos privados em 2022. A Shein, conhecida pelos preços baixos e pela produção rápida de roupas, afirma que os recursos arrecadados serão usados para investir em tecnologia e fortalecer sua presença internacional. Entre 2021 e 2022, a empresa transferiu sua sede para Singapura, em um movimento que, segundo analistas, buscava aumentar seu distanciamento político da China. No fim de 2025, a Shein tinha uma média de 156 milhões de usuários ativos por mês na Europa, colocando-se entre as maiores plataformas de comércio eletrônico do continente, ao lado do AliExpress (193 milhões) e da Amazon (cerca de 180 milhões). A empresa tem sido alvo de críticas por seu impacto ambiental e por denúncias de violações de direitos humanos. Também enfrenta a crescente concorrência de plataformas de comércio eletrônico de baixo custo, como Temu e AliExpress. O presidente executivo, Donald Tang, declarou à AFP no ano passado que a empresa tem "tolerância zero" com o trabalho forçado. O fundador e presidente do conselho da varejista online Shein, Xu Yangtian (ao centro), participa da cerimônia de abertura de capital da empresa na Bolsa de Valores de Hong Kong, em Hong Kong. REUTERS/Tyrone Siu Raízes chinesas A oferta pública inicial desta terça-feira "não representa um prejuízo", apesar da recepção morna do mercado, afirmou Han Lin, diretor para a China da consultoria The Asia Group. "Os mercados de ações veem a Shein mais como uma varejista em processo de amadurecimento, que enfrenta tarifas, regulamentações e concorrência", disse à AFP, acrescentando que "a fraqueza inicial da cotação sugere que os investidores querem provas, não apenas promessas". A Shein obteve US$ 2,06 bilhões (R$ 10,6 bilhões, na cotação atual) em 2025, mas registrou prejuízo de US$ 99 milhões (R$ 512 milhões) nos primeiros três meses deste ano, após os Estados Unidos acabarem com as isenções de tarifas para pequenos pacotes. No mês passado, a União Europeia impôs uma medida semelhante, com uma tarifa de três euros (R$ 18,05) por item para pacotes avaliados em menos de 150 euros (R$ 902,60). A França também começou a aplicar, nesta terça-feira (1º), um imposto sobre itens de moda ultrarrápida que pode chegar a quase 20 euros (R$ 120,30) por peça. A medida mira grandes plataformas asiáticas de comércio eletrônico. O CEO da Shein, Sky Xu, fez uma rara aparição pública neste ano na província de Guangdong, no sul da China, onde prometeu destinar mais recursos ao país. Analistas interpretaram o movimento como uma tentativa de reaproximar a empresa de suas raízes chinesas. Segundo Lawrence Loh, professor especializado em questões ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) na Universidade Nacional de Singapura, a estreia em Hong Kong representa "uma nova história asiática para a empresa", à medida que ela se redefine institucionalmente com "raízes na China". "Mas isso tem o preço de um nível ainda maior de escrutínio público", afirma.

Set 1, 2026 - 16:00
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Shein tem estreia discreta na bolsa de valores de Hong Kong e arrecada US$ 1,7 bilhão

Shein REUTERS/Sarah Meyssonnier A gigante do fast-fashion Shein teve uma estreia discreta na Bolsa de Hong Kong nesta terça-feira (1º), arrecadando US$ 1,7 bilhão (R$ 8,8 bilhões) em sua oferta pública inicial de ações (IPO). Os planos da empresa de listar suas ações em Nova York e Londres foram frustrados por questões regulatórias. Em julho, porém, a Shein recebeu autorização das autoridades chinesas para realizar a oferta em Hong Kong. ????️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 As ações chegaram a despencar 10% na abertura do pregão nesta terça-feira. Depois, recuperaram parte das perdas e fecharam o dia com queda de apenas 0,1%, a US$ 6,18 (R$ 32,01). A aguardada estreia na bolsa avaliou a empresa em aproximadamente US$ 26,3 bilhões (R$ 136 bilhões), com preço inicial de US$ 6,19 (R$ 32,07) por ação. Agora no g1 O valor é significativamente menor que os quase US$ 100 bilhões (R$ 518 bilhões, na cotação atual) que a empresa chegou a valer em uma rodada de investimentos privados em 2022. A Shein, conhecida pelos preços baixos e pela produção rápida de roupas, afirma que os recursos arrecadados serão usados para investir em tecnologia e fortalecer sua presença internacional. Entre 2021 e 2022, a empresa transferiu sua sede para Singapura, em um movimento que, segundo analistas, buscava aumentar seu distanciamento político da China. No fim de 2025, a Shein tinha uma média de 156 milhões de usuários ativos por mês na Europa, colocando-se entre as maiores plataformas de comércio eletrônico do continente, ao lado do AliExpress (193 milhões) e da Amazon (cerca de 180 milhões). A empresa tem sido alvo de críticas por seu impacto ambiental e por denúncias de violações de direitos humanos. Também enfrenta a crescente concorrência de plataformas de comércio eletrônico de baixo custo, como Temu e AliExpress. O presidente executivo, Donald Tang, declarou à AFP no ano passado que a empresa tem "tolerância zero" com o trabalho forçado. O fundador e presidente do conselho da varejista online Shein, Xu Yangtian (ao centro), participa da cerimônia de abertura de capital da empresa na Bolsa de Valores de Hong Kong, em Hong Kong. REUTERS/Tyrone Siu Raízes chinesas A oferta pública inicial desta terça-feira "não representa um prejuízo", apesar da recepção morna do mercado, afirmou Han Lin, diretor para a China da consultoria The Asia Group. "Os mercados de ações veem a Shein mais como uma varejista em processo de amadurecimento, que enfrenta tarifas, regulamentações e concorrência", disse à AFP, acrescentando que "a fraqueza inicial da cotação sugere que os investidores querem provas, não apenas promessas". A Shein obteve US$ 2,06 bilhões (R$ 10,6 bilhões, na cotação atual) em 2025, mas registrou prejuízo de US$ 99 milhões (R$ 512 milhões) nos primeiros três meses deste ano, após os Estados Unidos acabarem com as isenções de tarifas para pequenos pacotes. No mês passado, a União Europeia impôs uma medida semelhante, com uma tarifa de três euros (R$ 18,05) por item para pacotes avaliados em menos de 150 euros (R$ 902,60). A França também começou a aplicar, nesta terça-feira (1º), um imposto sobre itens de moda ultrarrápida que pode chegar a quase 20 euros (R$ 120,30) por peça. A medida mira grandes plataformas asiáticas de comércio eletrônico. O CEO da Shein, Sky Xu, fez uma rara aparição pública neste ano na província de Guangdong, no sul da China, onde prometeu destinar mais recursos ao país. Analistas interpretaram o movimento como uma tentativa de reaproximar a empresa de suas raízes chinesas. Segundo Lawrence Loh, professor especializado em questões ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) na Universidade Nacional de Singapura, a estreia em Hong Kong representa "uma nova história asiática para a empresa", à medida que ela se redefine institucionalmente com "raízes na China". "Mas isso tem o preço de um nível ainda maior de escrutínio público", afirma.

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