Pessoas com deficiência ganham quase 30% menos e têm menor acesso ao mercado de trabalho, diz IBGE

Cadeira de rodas pessoas com deficiência Natal RN Freepik As pessoas com deficiência (PCDs) enfrentam mais dificuldades para acessar o mercado de trabalho e recebem rendimentos quase 30% menores do que as pessoas sem deficiência, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados fazem parte do informativo Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil, divulgado nesta sexta-feira (18) pelo instituto. ????️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Em 2022, o Brasil tinha 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais de idade, de acordo com o levantamento. Segundo o IBGE, enquanto as pessoas com deficiência recebem, em média, R$ 2.053 por mês pelo trabalho exercido, aquelas sem deficiência têm rendimento médio de R$ 2.890. Agora no g1 A diferença aparece em todos os grupos de atividade analisados, com destaque para a indústria (-29,3%) e para os serviços de informação, atividades financeiras e outras atividades profissionais (-31,3%). Na manufatura, por exemplo, o rendimento médio das pessoas com deficiência é de R$ 1.859, enquanto o das pessoas sem deficiência chega a R$ 2.630. Já nos setores de informação, atividades financeiras e outros serviços, o rendimento médio mensal dos PCDs é de R$ 2.754, ante R$ 4.008 entre aqueles sem deficiência. Rendimento médio de trabalhadores com e sem deficiência por setor de atividade. Arte/g1 As barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência para ingressar no mercado de trabalho também aparecem no nível de ocupação, que mede a proporção de pessoas em idade de trabalhar que efetivamente têm uma ocupação. Enquanto o índice era de 55,8% entre pessoas sem deficiência, chegava a 29% entre PCDs, uma diferença de 26,8 pontos percentuais. Segundo Luanda Chaves Botelho, responsável pela Coordenação de População e Indicadores Sociais (Copis) do IBGE, a população com deficiência enfrenta uma série de barreiras no mercado de trabalho. “Temos uma sequência de obstáculos que vão se colocando [para as pessoas com deficiência]. Além da barreira de conseguirem uma ocupação, essas ocupações são piores, com menor contribuição à Previdência e menos direitos de proteção social”, explica. De acordo com o IBGE, as pessoas com deficiência estão proporcionalmente mais concentradas em atividades com rendimentos médios mais baixos, como serviços domésticos, agropecuária e alojamento e alimentação, por exemplo. Os dados do instituto também mostram que, quando consideradas todas as fontes de renda, os rendimentos do trabalho têm participação menor no orçamento das famílias que contam com pessoas com deficiência do que naquelas sem moradores nessa condição. Veja abaixo: Participação de cada fonte no rendimento total dos domicílios. Arte/g1 “Quando olhamos para as famílias que têm pessoas com deficiência, o nível de ocupação tende a ser menor. Essa população enfrenta mais dificuldades para estar no mercado de trabalho e, portanto, para obter rendimentos”, explica André Simões, pesquisador do IBGE, lembrando que a renda também costuma ser menor nesse grupo. Nesse cenário, a parcela de outras fontes de renda acaba sendo maior. “Outro fator que contribui para esse resultado é que a população com deficiência tem um perfil mais envelhecido e, portanto, uma participação maior de aposentadorias, pensões e outros benefícios”, completa Simões. 6 em cada 10 crianças com deficiência vivem abaixo da linha da pobreza O informativo do IBGE também identificou maior incidência de pobreza entre pessoas com deficiência em todos os grupos etários analisados, especialmente entre crianças de 2 a 14 anos. Segundo o instituto, 60,9% de crianças nessa faixa etária são consideradas pobres. O IBGE considera abaixo da linha da pobreza as pessoas com rendimento domiciliar per capita inferior a R$ 770 por mês. O cenário se repete em outras fases da vida: pessoas com deficiência apresentaram índices de pobreza superiores aos observados entre aqueles sem deficiência em todos grupos etários avaliados. Veja abaixo: Pobreza é maior entre pessoas com deficiência. Arte/g1 “Pessoas com 60 anos ou mais também apresentam menor incidência de pobreza, tanto entre aquelas com deficiência quanto entre as sem deficiência, porque recebem mais benefícios, aposentadorias e pensões”, diz Simões. O IBGE também mostrou que a maioria das crianças e adolescentes com deficiência que vivem abaixo da linha da pobreza mora com a mãe ou madrasta e o pai ou padrasto (53,5%) ou apenas com a mãe ou madrasta (35,1%). Taxa de analfabetismo entre jovens com deficiência é 12 vezes maior Os pesquisadores do IBGE destacam ainda que parte das dificuldades enfrentadas por PCDs no mercado de trabalho está relacionada ao nível de escolarização dessa população. Segundo a pesquisa, a taxa de analfabetismo entre jovens de 15 a 29 anos com deficiência era de 12,2% em 2022, proporção 12 vezes maior que a observada entre aqueles sem deficiência (1%). As diferenças também

Set 18, 2026 - 11:00
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Pessoas com deficiência ganham quase 30% menos e têm menor acesso ao mercado de trabalho, diz IBGE

Cadeira de rodas pessoas com deficiência Natal RN Freepik As pessoas com deficiência (PCDs) enfrentam mais dificuldades para acessar o mercado de trabalho e recebem rendimentos quase 30% menores do que as pessoas sem deficiência, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados fazem parte do informativo Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil, divulgado nesta sexta-feira (18) pelo instituto. ????️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Em 2022, o Brasil tinha 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais de idade, de acordo com o levantamento. Segundo o IBGE, enquanto as pessoas com deficiência recebem, em média, R$ 2.053 por mês pelo trabalho exercido, aquelas sem deficiência têm rendimento médio de R$ 2.890. Agora no g1 A diferença aparece em todos os grupos de atividade analisados, com destaque para a indústria (-29,3%) e para os serviços de informação, atividades financeiras e outras atividades profissionais (-31,3%). Na manufatura, por exemplo, o rendimento médio das pessoas com deficiência é de R$ 1.859, enquanto o das pessoas sem deficiência chega a R$ 2.630. Já nos setores de informação, atividades financeiras e outros serviços, o rendimento médio mensal dos PCDs é de R$ 2.754, ante R$ 4.008 entre aqueles sem deficiência. Rendimento médio de trabalhadores com e sem deficiência por setor de atividade. Arte/g1 As barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência para ingressar no mercado de trabalho também aparecem no nível de ocupação, que mede a proporção de pessoas em idade de trabalhar que efetivamente têm uma ocupação. Enquanto o índice era de 55,8% entre pessoas sem deficiência, chegava a 29% entre PCDs, uma diferença de 26,8 pontos percentuais. Segundo Luanda Chaves Botelho, responsável pela Coordenação de População e Indicadores Sociais (Copis) do IBGE, a população com deficiência enfrenta uma série de barreiras no mercado de trabalho. “Temos uma sequência de obstáculos que vão se colocando [para as pessoas com deficiência]. Além da barreira de conseguirem uma ocupação, essas ocupações são piores, com menor contribuição à Previdência e menos direitos de proteção social”, explica. De acordo com o IBGE, as pessoas com deficiência estão proporcionalmente mais concentradas em atividades com rendimentos médios mais baixos, como serviços domésticos, agropecuária e alojamento e alimentação, por exemplo. Os dados do instituto também mostram que, quando consideradas todas as fontes de renda, os rendimentos do trabalho têm participação menor no orçamento das famílias que contam com pessoas com deficiência do que naquelas sem moradores nessa condição. Veja abaixo: Participação de cada fonte no rendimento total dos domicílios. Arte/g1 “Quando olhamos para as famílias que têm pessoas com deficiência, o nível de ocupação tende a ser menor. Essa população enfrenta mais dificuldades para estar no mercado de trabalho e, portanto, para obter rendimentos”, explica André Simões, pesquisador do IBGE, lembrando que a renda também costuma ser menor nesse grupo. Nesse cenário, a parcela de outras fontes de renda acaba sendo maior. “Outro fator que contribui para esse resultado é que a população com deficiência tem um perfil mais envelhecido e, portanto, uma participação maior de aposentadorias, pensões e outros benefícios”, completa Simões. 6 em cada 10 crianças com deficiência vivem abaixo da linha da pobreza O informativo do IBGE também identificou maior incidência de pobreza entre pessoas com deficiência em todos os grupos etários analisados, especialmente entre crianças de 2 a 14 anos. Segundo o instituto, 60,9% de crianças nessa faixa etária são consideradas pobres. O IBGE considera abaixo da linha da pobreza as pessoas com rendimento domiciliar per capita inferior a R$ 770 por mês. O cenário se repete em outras fases da vida: pessoas com deficiência apresentaram índices de pobreza superiores aos observados entre aqueles sem deficiência em todos grupos etários avaliados. Veja abaixo: Pobreza é maior entre pessoas com deficiência. Arte/g1 “Pessoas com 60 anos ou mais também apresentam menor incidência de pobreza, tanto entre aquelas com deficiência quanto entre as sem deficiência, porque recebem mais benefícios, aposentadorias e pensões”, diz Simões. O IBGE também mostrou que a maioria das crianças e adolescentes com deficiência que vivem abaixo da linha da pobreza mora com a mãe ou madrasta e o pai ou padrasto (53,5%) ou apenas com a mãe ou madrasta (35,1%). Taxa de analfabetismo entre jovens com deficiência é 12 vezes maior Os pesquisadores do IBGE destacam ainda que parte das dificuldades enfrentadas por PCDs no mercado de trabalho está relacionada ao nível de escolarização dessa população. Segundo a pesquisa, a taxa de analfabetismo entre jovens de 15 a 29 anos com deficiência era de 12,2% em 2022, proporção 12 vezes maior que a observada entre aqueles sem deficiência (1%). As diferenças também aparecem na taxa de frequência escolar. Entre crianças de 6 a 14 anos sem deficiência, o indicador chega a 98,4%, percentual que cai para 92,6% entre PCDs. Entre adolescentes de 15 a 17 anos, a frequência escolar foi de 85,4% entre aqueles sem deficiência e de 79,5% entre PCDs. Segundo Botelho, apesar dos avanços em recursos de acessibilidade e apoio aos estudantes com deficiência, ainda há desafios para garantir que essas estruturas estejam presentes em toda a rede de ensino. Entre os recursos de acessibilidade avaliados pelo IBGE estão: banheiros acessíveis; salas de recursos multifuncionais; e profissionais de apoio. “Mesmo considerando uma ampla gama de recursos de acessibilidade, nem todas as escolas de educação básica contavam com pelo menos uma das medidas capazes de ampliar o acesso de pessoas com deficiência”, diz a coordenadora. Segundo o IBGE, 78,5% das escolas de educação básica contavam com pelo menos um dos recursos de acessibilidade avaliados. O item mais comum era a presença de banheiros acessíveis (57%), seguido por salas de recursos multifuncionais (30%) e profissionais de apoio (26,2%). Deslocamento leva mais tempo para pessoas com deficiência A mobilidade também aparece como um desafio relevante para essa população. De acordo com o instituto, a maior parte das pessoas com deficiência estuda ou trabalha no mesmo município onde mora. Ônibus e BRT são os meios de transporte mais utilizados por essa população, escolhidos por 24,7% dos entrevistados. Em seguida aparecem os deslocamentos a pé (23,7%) e por automóveis, táxis ou similares (22,8%). O IBGE também apontou que as pessoas com deficiência gastavam, em média, 37 minutos no deslocamento entre casa e trabalho, quatro minutos a mais do que aquelas sem deficiência, cujo tempo médio era de 33 minutos. "As pessoas com deficiência podem levar mais tempo para chegar ao transporte e embarcar. Por isso, a diferença no tempo total de deslocamento pode ser ainda maior do que a captada pelo levantamento, que considera apenas o período passado dentro do transporte", diz Botelho.

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